Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de uma garota de 21 anos, Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ponto Final

Estou com saudade de você. Não me peça para dizer porquê... Muito menos para explicar o que sinto nesse momento. Sem motivo ou explicação. Saudade, e só.
A verdade é que sinto falta de tudo, de tudo que ainda não aconteceu. Saudades do que não houve. Eu sei que é contraditório, eu sei. Mas talvez o próprio amor seja uma contradição. Ou mais além: pra quê contradição maior que a vida?!
Estou a cada dia mais convencida de que todo esse aperto no peito, esse vazio que me enche de tristeza e solidão são, no fundo, sintomas de saudade. Saudade aguda, é o diagnóstico final.
Eu sinto sua falta. I miss you. Diria em outras línguas também, se eu as soubesse. Me dou conta de que não sei sequer qual língua você fala. Nem o país onde vive. Não te conheço. Não sei quem você é. Desconheço a cor dos seus olhos quando você chora, o jeito com que penteia seu cabelo, seu desejo mais íntimo, seu medo mais profundo. Não sei qual é a sua cor preferida ou quem é seu melhor amigo. Enfim, não sei nada sobre você. Mas isso não muda o fato. Eu sinto a sua falta. Ponto final.

3º Lugar no Concurso Happy End 2010


O Deixa a Alma Respirar ganhou o 3º Lugar do Concurso Happy End 2010, promovido pelo blog Primeiro Livro. A postagem que nos rendeu esse prêmio: http://deixaaalmarespirar.blogspot.com/2010/11/quando-ele-entrou-por-aquela-porta-eu.html

Agradeço a todos vocês, seguidores do Deixa a Alma Respirar, por todo o apoio e compreensão. Dedico esse prêmio a vocês!

Que 2011 seja próspero e proporcione a todos nós realizações, sucesso e felicidades!


Com grande carinho,

Ana Teresa Araújo Viana.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desatino coerente


Num desatino coerente, desisti de tentar corresponder a todas as expectativas. Abri a gaveta e num ímpeto joguei fora os velhos papéis. Anotações, lembretes, sonhos e desejos de uma vida que há muito não era mais a minha. A caderneta de telefones. Maioria números discados por obrigação. A elegante obrigação social de dizer olá, tudo bem, como vão as crianças, e etc e tal quando no fundo a única coisa que se quer é ficar em casa olhando o céu através da janela. Joguei-a fora também. Despi-me das fantasias inúteis e dos desejos ingênuos de quem vive para agradar alguém. Resolvi admitir-me como sou; eu por completo, minhas certezas e minhas dúvidas também. O que sou e o que não sou. Por enquanto. Lavei a cara e a alma de toda a maquiagem. Sem mais desculpas, sem mais angústias, sem mais disfarces. Saí fora de tudo aquilo que há muito não me agradava. E consegui pensar claramente em minha vida e em minha única obrigação, a qual chamamos ser feliz. E não importa quanto tempo leve, o quanto as pessoas falem, não importa mais nada além da felicidade que estou pronta para buscar. Finalmente a gaveta está limpa. Minha alma também.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Wind of Change

Eu só sei que as coisas vão ser diferentes.
Tive essa certeza quando senti o vento que entrava pela janela aberta. O vento estava diferente aquela noite, e parecia trazer mudanças em sua composição. Mais frio que o normal, mais vagaroso, mais sutil e mais breve.
Levantei-me e me analisei diante do espelho grande da sala de estar. O vento não havia sido o único a mudar nos últimos anos. Meu rosto mudara, meu corpo mudara, meus traços agora estão mais marcados, mais evidentes, e meus olhos já não riem como antes, não com tanta frequência.
Abri a gaveta da escrivaninha, peguei o caderno velho, velho conhecido meu. Reli todas as páginas escritas do meu diário quase secreto. Meus escritos vinham mudando há algum tempo, me dei conta. Meu estilo era outro, algo mais frio, mais vagaroso, mais sutil e mais breve.
Me dei conta de que acompanho o vento... Nós dois assim tão instáveis, tão voláteis, tão andantes, tão indecisos, tão frescos, tão... incompletos. Duas almas assim tão impetuosas. Desejosas de liberdade!
Fechei os olhos, concentrei-me em escutar o que o meu irmão vento estava a me dizer.
Foi então que tive a certeza de que as coisas vão ser, sempre, diferentes.
O vento me anunciava mudanças.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu não vou esperar que você sorria para que só então eu possa sorrir. Nem vou dizer que minha educação depende da sua, porque não depende. Muito menos a minha sinceridade, a minha entrega, o meu compromisso. Mesmo que você jamais me conte a verdade, mesmo que você me engane, eu não vou fazer o mesmo. Não, não vou. E não pense que será por sua causa, oh, não; isso é em nome de uma causa muito maior. Eu simplesmente vou continuar sendo sincera, sempre, mesmo que pareça loucura, burrice, auto-enganação. Eu vou ser sincera porque amo a verdade, porque é tudo em que acredito. Não tem nada a ver com você, ou com suas atitudes. Aliás, elas não serão parâmetros para o meu comportamento. O meu único parâmetro são os meus princípios. E, creia: eles não vão mudar só porque você está sendo desleal. Mesmo que não me sorriam de volta, eu vou sorrir, e vou dizer por favor, e muito obrigada, quantas vezes forem necessárias. E mesmo que não sinta gratidão em sua alma, vou continuar te ajudando. E amando você, mesmo que eu ache que você não me retribui o amor que lhe dou. No fundo, sei que você ama da maneira que sabe, da maneira que aprendeu; você só ama diferente de mim, e isso não significa que um de nós ame mais ou menos. E não importa quantas vezes eu ainda quebre a cara, não importa. Eu vou levantar e tentar de novo, e de novo, e mais uma vez. E a cada vez com os mesmos princípios, sem mágoa ou amargura.
Mas é certeza que irei continuar sendo o melhor que posso ser, mesmo nas adversidades, mesmo que me digam que você não mereça. Porque não faço isso por você. Faço isso por mim. Faço isso por todos aqueles que acreditam ainda haver decência na alma humana.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Interessante constatar que o tempo traz amadurecimento, e que o amadurecimento nos leva a um novo conceito do que é amor.
Quando mais novos ou mais inexperientes, temos uma certa tendência a achar que, para merecer o nosso amor, as pessoas têm de ser perfeitas. E de fato buscamos a perfeição em cada um que encontramos, e até mesmo exigimos a perfeição em alguns casos. Daí surgem as decepções, as frustrações, pois idealizamos um ser perfeito, em seus pensamentos e suas atitudes, e tudo o que encontramos por aí são seres humanos, tão imperfeitos quanto nós mesmos. No início, nos recusamos a admitir que todos temos defeitos, assim como temos qualidades. Pensamos que um dia irá surgir o príncipe de nossas vidas, que nos compensará por todos os "sapos" encontrados pelo caminho. Detalhe: esse príncipe é exatamente aquele que idealizamos. Irremediavelmente perfeito.
Mas o tempo passa, as estações mudam, e com as estações mudam também nossos pensamentos, nossas idéias... Começamos a pensar na possibilidade da inexistência da perfeição... Até que um dia nos deparamos com a nossa própria imperfeição, e então descobrimos que não devemos esperar a perfeição dos outros. Então fica mais fácil ser feliz.
Eu me dei conta de que as pessoas que amo não são nem de longe perfeitas... Nem sempre são as mais belas, as mais inteligentes, as mais amáveis, as mais delicadas... não são heróis ou heroínas. São simplesmente seres humanos que respiram, falam, andam, sentem, amam, choram, ficam nervosos, riem, encantam, decepcionam, erram, acertam, falham, magoam, ficam magoados, pedem desculpas, perdoam...
Eu me dei conta de que o amor não tem nada a ver com perfeição. E que ninguém precisa ser perfeito para ser amado.
Na verdade, o amor liberta da obrigação da perfeição. E com isso, torna nossas vidas mais belas, mais fáceis, e mais prazerosas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tudo dera errado naquele dia. As coisas pareceram fugir ao controle de Jessica, mas ela foi forte o bastante para não cancelar nenhum de seus compromissos. Assim, mesmo após ter passado horas no escritório, Jessica seguiu para o restaurante preferido de Henri, seu filhinho de cinco anos. Ela sabia que o garoto esperava por esse dia há semanas. Não havia a possibilidade de decepcionar o filho. Ela se recusava a fazer isso, mesmo que sua vontade imediata fosse ir para casa e tomar um bom banho ao som de música clássica, tudo regado a uma generosa taça de vinho. Isso podia esperar, ela concluiu. Concluiu também que teria uma ótima noite ao lado de Henri e de seu marido, Rodrigo. Jessica decidiu-se a isso; nada poderia estragar sua noite perfeita.
Ignorou todos os problemas, e dentro de meia hora Jessica já se encontrava no restaurante, junto com sua família. Procurou se divertir ao máximo. Aquela noite não seria nada menos do que inesquecível, ela pensou.
Mais tarde, Jessica dava o beijo de boa noite em Henri, colocando-o para dormir, quando o garotinho disse:
- Mamãe, seu dia foi mesmo horrível?
Jessica assustou-se com a pergunta repentina, mas sorriu tranquila e respondeu:
- Não, meu amor, meu dia foi incrível.
Henri pareceu confuso.
- Mas você disse que teve tantos problemas hoje mamãe...
Jessica simplesmente segurou a mãozinha do filho e lhe disse, baixinho:
- Meu dia foi incrível porque eu decidi que ele seria. Não importa quantos problemas você tenha, Henri; um dia você percebe que tudo é questão de escolha. E hoje eu decidi ser muito, muito feliz, apesar de tudo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As piores situações.

As piores situações sempre me ensinam algo. Com elas aprendi a terminar o que comecei, mesmo que tudo já tivesse dado errado, mesmo que a minha única vontade fosse chorar sem parar. Três anos atrás eu teria seguido essa vontade, sem pensar duas vezes. Mas as piores situações me ensinaram a ser forte quando se deve ser, a segurar as lágrimas por algumas horas, engulir a humilhação, levantar a cabeça e caminhar. Até sorrir por educação, se assim for necessário. Não, não acho que isso seja hipocrisia, ou falsidade. Simplesmente, o tempo me ensinou que algumas ocasiões podem me encontrar abatida, cansada, envergonhada, triste, deprimida, e que não sou obrigada a demonstrar isso a ninguém. Também aprendi que ninguém é obrigado a lidar com minha frustração, minha revolta, e que, portanto, meu sofrimento pode ser particular. E, pelo que aprendi, isso não tem a ver com falsidade. Isso tem a ver com sensatez, com auto-domínio, com experiência, com tempo e com as piores situações. Sim, pois elas me ensinaram que não é preciso escancarar a dor, nem a alegria; que não preciso dessa ânsia em me mostrar ferida, que para ser amada e compreendida não é necessário expor as lágrimas. Se estas vierem naturalmente, que seu caminho não seja interrompido. Mas que sejam lágrimas doces, serenas e afáveis, e não lágrimas de ofensa, amargura, agressão. As piores situações me ensinaram que tenho o direito de reservar à minha solidão e intimidade alguns de meus problemas e dores. E, se eu quiser, inclusive algumas alegrias. As piores situações me ensinaram que não é benigno, não é bonito e muito menos digno de orgulho descontar o meu sofrimento no primeiro conhecido que passa e diz olá. Não é porque estou cheia de problemas que não posso sorrir e responder um oi sonoro e acolhedor. As piores situações vêm me ensinando a separar as coisas, a não culpar inocentes, e não fazer de minha intimidade um espetáculo público. As piores situações me libertaram da falsa idéia da verdade suprema, a todo custo e a todo valor. Eu não vou dizer a uma amiga que odiei a foto do seu convite de aniversário, ou que detestei o seu corte de cabelo, eu não vou arruinar com o dia de alguém só para depois me gabar de ser sincera, e verdadeira. É que as piores situações me ensinaram a diferença entre verdade e crueldade. E que eu posso ser sincera sem ser cruel. Ensinaram também que na maioria das vezes em que penso estar dizendo a verdade estou apenas emitindo uma opinião minha, que pode muito bem estar errada e sujeita a correções. As piores situações me ensinaram que a verdade por vezes é relativa. As piores situações me mostraram que talvez a verdade por vezes nem exista. Acho que as piores situações das nossas vidas nos libertam de muitas coisas. Elas nos ensinam outras tantas. Como por exemplo, que você não morre porque aquele dia foi horrível, ou que não deixará de ir à escola para sempre por estar com vergonha. Inclusive nos ensinam que não há dor que seja eterna, muito menos alegria, e que não adianta sofrer por isso. Nos ensinam que a vida não é injusta simplesmente por ser como é. Acho que as piores situações são as responsáveis por uma grande parcela de nosso amadurecimento. São os aprendizados que acumulamos ao longo das piores situações que nos fazem capazes de sorrir de algo que ontem nos faria chorar. Portanto, acredito que toda pior situação nos torna mais aptos a alcançar a felicidade. As piores situações, no final, nos preparam para sermos mais felizes um dia. Por isso, eu agradeço a cada pior situação que já tive em minha vida, e saúdo todas as piores situações que ainda virão.

A menina que tinha medo da felicidade ou Entre o medo e a felicidade.


Ela achou engraçado ver como a vida nos prega peças. Ela inclusive achou que a vida é um tanto quanto irônica. Ela sempre fora meio moleca, meio levada, se acostumou a ser assim, cresceu e se tornou uma sutil jogadora. Sempre aquela a sorrir para a vida, para as oportunidades. Ela sorria, mas não pensava que um dia a vida sorriria de volta. Sorria por simples deleite, jogava com a vida habilidosamente, flertava com as possibilidades que a atraíam; nunca por esperar algo em troca, mas apenas porque amava se divertir. Um tanto quanto medrosa e por vezes covarde, não foram poucas as vezes em que a menina pensou em mudar seu estilo de vida. Ela cogitava até mesmo se tornar uma garota normal. Porque, bem, ela nunca fora normal, é claro. Acho que foi por isso que a menina achou estranhíssimo quando a vida lhe concedeu seu maior desejo dos últimos anos. Ela olhou para o desejo finalmente realizado, piscou três vezes, olhou de novo, teve medo, até chorou. No fundo ela não queria que ele se realizasse, descobriu por fim. Ela era apenas uma garota sonhadora que gostava de imaginar desejos realizados. Mas era também uma garota medrosa, e tinha medo de ver sua vida mudar completamente através do desejo que se realizou. Descobriu-se infeliz. De que adiantava desejar, se não tinha coragem suficiente para ir até o fim? A pobre menina medrosa de tudo arrependeu-se por um dia ter desejado. Arrependeu-se por um dia ter buscado. Tornou-se além de medrosa, arrependida. Seria para sempre incompleta, incapaz de acostumar-se com a plenitude. Aquela menina, no fundo, tinha medo da felicidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

As coisas podem dar errado, as coisas podem dar muito errado, tudo pode parecer virado, mas tudo ficará bem se você tiver uma certeza: você pode fazer dar certo.

E agora eu descubro uma música que tem tudo a ver com você, e eu me lembro de você enquanto escuto a maldita música. E então eu descubro que outra música também me lembra você, e outra, e outra mais. Para falar a verdade, parece que todas as músicas do mundo foram compostas com o único objetivo de me fazer lembrar de alguém que eu queria esquecer. Isso não me ajuda muito, ainda mais porque não resisto e ligo a repetição, e a dor enche meu peito enquanto eu escuto as músicas que odeio e amo um milhão de vezes. Talvez as músicas me levem até você, talvez elas possam fazer dar certo, mas sei que estou sendo infantil e que tudo isso é apenas sobre uma música que me incomoda, e que eu poderia simplesmente desligar o aparelho. Mas eu não quero, sou teimosa comigo mesma, eu quero ouvir a música e eu quero chorar e me lembrar de você, porque eu me recuso a admitir que acabou. Sei que não acabou, não pode ter acabado, porque eu ainda ligo a repetição, eu ainda repito você.
Algumas palavras não foram feitas para ser ditas. Algumas coisas em alguns momentos devem apenas ficar subentendidas. Você não disse nada que eu não houvesse percebido; eu apenas tentei adiar esse momento porque sabia que algumas palavras têm o poder de quebrar os encantos. Algumas palavras quebram a magia. Eu já sabia disso, mas você não.
- Por que você tinha de estragar tudo?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

No fundo eu já sabia qual seria o final da história. Mas eu continuei lendo o livro. Eu paguei para ver. E de fato eu vi. Bem, tudo o que eu posso dizer é que a minha vida é tudo, menos monótona.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma vez mais.


Eu sei que tudo isso não vai durar até a outra lua...

Eu sei que tudo isso não passa de uma doce, doce ilusão...

Eu sei que você irá embora tão rápido, tão incerto quanto veio até mim

Eu sei que provavelmente vou sofrer por conta desta minha ousadia

Porque eu ousei me apegar a você.

Mas o que eu posso fazer, afinal

Eu não consigo - e não quero - colocar tudo a perder.

Eu sei que quando eu te chamar "saudade"

Terei os olhos úmidos e o coração partido,

Uma vez mais.
- Eu sei exatamente o que eu quero, mas continuo achando que deveria querer outra coisa.
(Eu sei exatamente o que eu quero fazer, mas continuo achando que deveria fazer outra coisa).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Garota Medrosa.


Caro destinatário, você nunca vai receber esta carta, mas se você um dia a encontrar, eu acreditarei que foi obra do destino e ficarei feliz se você a ler.

Hoje eu descobri que eu tenho medo de me apegar às pessoas. Sim, tenho medo. Medo de me apegar demais a alguém, de tal maneira que essa pessoa se torne essencial para mim. Medo de simplesmente não conseguir viver sem ver aqueles olhos, sem escutar aquela risada. Pavor de amar demais, demais, para depois ver partir, às vezes para nunca mais voltar. Hoje eu descobri que me sinto segura apenas quando me sinto amada, parte essencial da vida de alguém, mas ao mesmo tempo não digo à pessoa que a amo, que ela faz parte de mim, e que ela me faz falta. Como se ao dizer o que sinto, ao demonstrar meus sentimentos eu me tornasse frágil, frágil demais. Errada, até. Descobri também que tento evitar todos os possíveis sentimentos de afeição, evito também confirmá-los com as palavras, pois parece que quando digo que amo, aí é que amo mesmo. Talvez minha boca tenha mesmo uma conexão direta com o meu coração; só assim é possível explicar porque até ontem eu estava bem, até ontem, quando não havia dito ainda o quanto você é importante para mim. Depois que eu pronunciei essas palavras, ah, parece-me que o meu coração sentiu-se livre para realmente sentir, como se minhas palavras houvessem sido sua carta de alforria. Ele livrou-se das algemas, dos grilhões, e o resultado foi este: estou morrendo de saudades de você, estou pensando que talvez você não me ame, estou me recriminando por ter dito tais palavras; estou com medo de tê-lo assustado com minha demonstração de carinho, estou te gostando mais do que nunca. Na verdade, tenho medo de que agora você não mais se importe comigo, pois eu já lhe confidenciei o quanto gosto de você. Tenho medo de lhe revelar o verdadeiro tamanho da minha carência, e tenho medo de que você não se sinta preparado para gostar de uma garota tão carente de tudo. Mesmo que você tenha sido o primeiro a demonstrar seus sentimentos - eu tomei esse cuidado, não quis ser demais, reservei-me de modo a esperar a sua confissão; decidi-me e com uma força de vontade ferrenha contive meu impulso de garota sensível, pois meu desejo sempre fora dizer a você, ou melhor, gritar, que te amo, te amo, como de fato há muito tempo não me permitia amar, que te espero todos os dias, e que quando você não vem me sinto a pior pessoa do mundo, parece-me que inclusive perco a capacidade de enxergar em cores, sim, sem você o meu dia se torna cinza - mesmo tendo sido sua iniciativa, eu ainda assim não me sinto segura. Passam-me mil coisas pela cabeça, penso que talvez você queira apenas se divertir às minhas custas, mas ao mesmo tempo me recrimino por pensar tão mal das pessoas, por pensar tão mal de você. Então me arrependo por ter te conhecido, por ter me permitido pensar em felicidade, arrependo-me por pensar que minha felicidade estaria atrelada a você, mesmo sabendo que ela realmente está. Recrimino-me por não dar uma chance para mim mesma, por não dar uma chance a você, por não dar uma chance a nós dois. E digo em voz alta em qualquer conversa da qual participe, digo aquilo que preciso ouvir: quem não arrisca, não petisca; digo isso na esperança de conseguir viver aquilo que eu quero viver, na esperança de conseguir me libertar desse excesso de medo inútil, desse medo da vida, desse mau-hábito de enxergar sombras pelas paredes, de ter medo de tudo. Ao mesmo tempo que tenho medo da vida, tenho medo de não vivê-la, mas ah, de fato não consigo dizer bem qual medo é maior em meu coração, se o medo de estar com você ou o medo de te perder.

Assinado: Garota Medrosa

sábado, 11 de dezembro de 2010

A menina se escorou na parede e deixou-se cair. Acabou sentada naquele chão frio de cerâmica. Cobriu o rosto com as mãos. O que ela havia pensado? Que seria feliz daquela vez? Será que ela nunca desistiria, continuaria a ser a mesma tola de sempre? Jogou os cabelos para trás, num gesto mais desesperado do que vaidoso. Porque sempre tem de ser assim? E, meu Deus, porque sempre com ela? E, o que parece pior, porque ela nunca aprende a lição?
Foi quando o celular tocou. Era ele. Seu sorriso abriu-se de imediato. Então ele não a esquecera?
Atendeu a ligação. Estava tudo bem, tudo normal, nada errado.
Ela respirou aliviada. Quase sempre asfixiava seus relacionamentos por medo. Sim, agora ela via que era apenas medo. Medo de sofrer, de não ser compreendida, de não ser amada, de ser feita de idiota. Sempre tão linda, e tão desconfiada. Insegurança. Pura, crua e simplesmente.
Suspirou, feliz. Apenas mais um medo que ela iria vencer. Afinal, se ela aprendera alguma coisa com toda a sua história foi que quem não se arrisca a perder, nunca pode ganhar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um dia você descobre que você é capaz de ser o que quiser. Você descobre que é maior que todos os seus medos, que todos os seus erros. Você se dá conta disso e perdoa o seu passado, a sua história, a sua imaturidade, a sua ex-odiada ingenuidade. Um dia você descobre que não adianta gritar e se revoltar quando as coisas não saem do seu jeito... Você descobre que é preciso aprender a trabalhar sobre as possibilidades que lhe são apresentadas. Você descobre que nem sempre vale a pena se prender a conceitos, rótulos, verdades e afins. Um dia você descobre que a pessoa que você vê no espelho é exatamente aquela que você deve ser. Você percebe isso, e é quando pára de invejar a vizinha e passa a se amar, a se cuidar, a se valorizar. Um dia você descobre que nada é eterno, muito menos definitivo. Você se depara com essa realidade e aprende a sofrer menos, a esperar menos, a viver mais o momento e a se prender menos às promessas futuras. Um dia você descobre que a vida não é ciência exata, e que por isso as suas escolhas podem não te levar ao mesmo lugar que a sua amiga ocupa, mesmo que você tenha escolhido exatamente o mesmo que ela. Então você pára de tentar prever o futuro, a sua vida, os pensamentos dele. Um dia você descobre que as coisas que devem acontecer acontecem quando devem acontecer. E você não mais ficará neurótica porque perdeu a festa do ano, o namorado dos sonhos, ou a chance de fazer uma grande viagem. Um dia você descobre que as coisas que lhe pertenciam antigamente e que não mais lhe pertencem hoje nunca foram realmente suas. Você pára de lamentar por tudo o que podia ter acontecido mas não aconteceu, você descobre que é mais fácil, mais agradável e mais produtivo agradecer por tudo o que aconteceu e se focar no que está acontecendo nesse momento. Um dia você descobre que realmente nada é por acaso, e que cada erro foi único e essencial para lhe transformar em quem você é hoje. Um dia você descobre que enquanto se foca no passado perde a chance de viver o presente, e que quando se foca demais no futuro, perde a chance de descobrir tantas coisas! Você percebe que quem tem medo de tudo não vive nada, mas que quem é totalmente destemido também não vive, e é quando você aprende a andar no meio-termo. Um dia você descobre que mesmo que a porta esteja fechada, há sempre uma janela aberta, e que com um pouquinho de determinação e força de vontade você pode saltar pela janela e adentrar a casa. Um dia você descobre que todos os estereótipos são falsos e preconceituosos, e você desiste de querer ser quem você não é apenas para se "encaixar". Um dia você descobre que ser você vale muito a pena, e pode ser o caminho para a felicidade. Aliás, um dia você descobre que mesmo que todos te abandonem, você pode continuar a viver, se você não tiver abandonado a si próprio. Um dia você descobre que quando você pensa que sabe tudo, aí mesmo é que você não sabe nada. Um dia você descobre que palavras ditas não são contratos assinados, e que você não tem o direito de exigir nada de ninguém; mas você aprende que tem o direito de escolher o que você quer para a sua vida. E o melhor: um dia você descobre que as melhores coisas da sua vida acontecem quando você está fazendo absolutamente tudo, menos esperando por elas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Talvezes.


Não se preocupe se ela foge do seu abraço, ou se ela evita o seu olhar. Não se importe com o fato de ela ser a única a não rir das suas piadas; não a queira mal se ela não dançar com você, ou não atender suas ligações. Não se preocupe, nem leve a mal. Talvez ela fuja de seus braços por ter medo de nunca mais querer largá-los; talvez ela evite seu olhar porque fica ruborizada ao saber que você olha para ela. Talvez ela não ria das suas piadas por temer que descubram que ela te ama. Talvez ela nunca dance com você porque as pernas dela tremem em sua presença, e os pés dela simplesmente não a obedecem quando você está por perto. Talvez ela não atenda a sua ligação porque não sabe o que dizer, porque não consegue respirar quando escuta a sua voz. Talvez ela seja uma menina apaixonada que ainda não aprendeu a lidar com esse sentimento. Talvez ela seja apenas um coração arredio, esperando para ser cativado. Quem sabe seja apenas uma menina carente de amor, aprisionada em sua vergonha e em sua timidez. Ou talvez ela simplesmente te ame tanto, tanto, ao ponto de não saber como demonstrar.

A tecelã de sonhos.


Aquela mulher vive de sonhos. Não, ninguém me disse isso. Eu deduzi sozinha. É claro que ela vive de sonhos, é claro que ela os tece novamente a cada manhã... porque outra razão seria essa mulher tão linda, tão risonha, tão feliz? Porque é que quando olho para a tecelã escuto jazz tocar? Se ela não vivesse de sonhos, se ela não os costurasse uns aos outros ao final do dia, será que ela aguentaria toda a dor, toda a agonia? Talvez os sonhos alimentem a sua alma; é o sonho que acalenta, que acalma. Só mesmo vivendo de sonhos é que se pode andar tão levemente. Reparei até que a tecelã de sonhos nunca deixa pegadas. Será que é por medo de ser roubada? Será que tem medo que lhe roubem os sonhos?
E porque é que a tecelã de sonhos não abre uma escola?

Porque é que a tecelã de sonhos não me ensina a sonhar?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo.

Alguém: - Qual o seu desejo para 2011?
Eu: - Quero sair no sol sem medo de me queimar, quero curtir o mar sem medo de me afogar, quero sair na chuva sem medo de pneumonia, quero uma vida mais bela e menos arredia, quero menos preocupação e mais verão, quero acreditar nas pessoas sem medo de estar enganada, quero correr na praia sem medo de torcer o pé, quero por um instante acreditar que a vida é tão fácil quanto deveria ser, quero pensar mais com o coração, e menos com o cérebro, quero ouvir a verdade como se não houvesse a mentira, ah, eu quero viver de verdade.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O vestido, o vinho, e sobre como adiamos a nossa própria felicidade.


Ontem li um texto na internet que falava a respeito desse hábito mundial de "adiar o prazer, adiar a felicidade". Li, reli, achei o assunto interessante. Refleti e achei também que merecia uma postagem.
Adiamos a nossa felicidade constantemente. Isso às vezes é tão comum, que até mesmo passa despercebido. Um clássico exemplo é a história do vestido de festa. Desejamos aquele vestido por meses, fizemos inúmeros planos para ele, até sonhamos com o dia em que o usaríamos! Finalmente, chegou o grande dia. Entramos na loja, compramos, levamos para casa. E guardamos. Isso mesmo! O vestido lindo, desejado por meses, está mofando no guarda-roupa. E não é por falta de oportunidade, não. Teve uma festa apropriada ontem, mas concluímos que aquela festa ainda não era A festa, não merecia um vestido tão especial... acabamos indo com o de sempre, mesmo. O novo, o belíssimo, este fica guardado, esperando a ocasião perfeita. Às vezes, a ocasião perfeita não surge, e às vezes ela surge, também. Mas aí já engordamos três quilos, o vestido já não nos parece tão lindo, na verdade, o entusiasmo se foi... E a vontade de usar o vestido, pra ser bem sincera, já se foi também. Ou seja, definitivamente, não foi uma ocasião perfeita, sim?
O que estamos esperando? Que algum ser de outro planeta apareça na porta de nosso quarto com um cartaz escrito: "USE O VESTIDO HOJE. SERÁ UMA OCASIÃO ESPECIAL."? Sinto muito, mas sem chances de isso acontecer.
A mesma coisa acontece com a garrafa de vinho. Está ali, no armário, empoeirada, à espera da ocasião especial. Detalhe: ela espera a tal ocasião há exatos 10 anos. Será que essa garrafa um dia será aberta?!
E o que é mesmo uma ocasião especial? Existe uma definição?
A verdade é que nós impedimos que as ocasiões sejam especiais. Porque às vezes o simples fato de abrir uma garrafa de vinho tão velha já é suficiente para fazer de um dia qualquer uma ocasião especial.
A má notícia é que ocasiões especiais não existem. A boa é que existem milhares de ocasiões comuns, esperando que VOCÊ as torne tão especiais quanto possível.

Selos!

Quero agradecer imensamente à querida Bruna Tupinambá, dona do blog "Entrelinhas e Palavras" (http://entrelinhasepalavrass.blogspot.com/) por ter-me presenteado com selos! Nunca havia recebido um, e confesso que tinha muita vontade de ganhá-los! rsrsrs. Estou super feliz! Muitíssimo obrigada, Bruna!


Estes são os Selos:

  • "Digno de ser Lido" e "Escritores Virtuais", dados aos melhores blogs nos quais o foco é a escrita. (Blogs de poesias, crônicas, textos, frases...)




  • Este é indicado para blogs que você gosta de freqüentar:




  • Este tem a regra de escrever 10 coisas sobre você:

10 coisas sobre mim:

  1. Sou muito romântica;
  2. Sou sensível e costumo me magoar facilmente;
  3. Sou extrovertida e bastante brincalhona;
  4. Adoro contar piadas para minha família;
  5. Não gosto de dançar;
  6. Detesto realizar tarefas domésticas, como lavar louça;
  7. Amo comédias românticas;
  8. Adoro ler e escrever poesias e textos diversos;
  9. Amo receber flores!
  10. Amo surpresas!

Os blogs que levam esses prêmios, na condição de seguirem as mesmas regras, são:

  1. Not Everything Is As You Want (http://brunameiira.blogspot.com/);

Mil beijos! Ana Teresa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Miss Simpatia



Ela tem um jeito de quase nem aí;
Com a mesma graça que ela anda,
Ela sorri.


Um sorriso tão natural, mas uma coisa assim tão espontânea!
-Sorriso que começa nos olhos e termina nos lábios!-
Doce riso de quem vê tanta graça na vida!


Um quê de felicidade evidente, de contenteza, ondas de alegria.
É tanta virtude, ah, é tanta felicidade, que faz a gente se perguntar:
-Será que ri porque não chora?
-Será que ri pra não chorar?

Dias que virão.

Dias virão em que você não mais lamentará o que não fez, o que deixou de fazer, o que poderia ter feito. Dias virão em que você deixará de viver no subjuntivo; dias virão em que você deixará de viver baseando-se em hipóteses. Dias virão em que você não mais se lamentará por aquela pessoa certa no momento errado. Dias virão em que você esperará pela pessoa certa no momento certo. Dias virão em que as rugas não mais incomodarão, dias virão em que o diário não será mais o melhor amigo. Dias virão em que o diário não será nem mesmo secreto. Dias virão em que essas lágrimas secarão. E você vai ver-se rindo de todas as situações que antes te faziam chorar. Vai ver-se falando sobre todos os assuntos que um dia foram os seus tabus, discordando de todas as verdades que um dia foram as suas. Dias virão em que você terá serenidade suficiente para manter sua paz interior, mesmo quando isso parecer impossível. Dias virão em que você olhará as velhas fotografias e não terá mais vergonha delas. Terá saudade. Porque você irá perceber que nada é eterno, muito menos os dias... nem as dores, nem as alegrias. Perceberá também que é inútil tentar adivinhar a vida, e que é mais sábio viver dia após dia. Dias virão em que você estará pronto para despir-se de todas as ilusões, mas sem abrir mão de seus sonhos. Importante: dias virão em que você saberá a diferença entre sonho e ilusão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Gratidão


Mudanças de hábitos às vezes são necessárias e podem nos fazer mais felizes. Há dias em que parece estar tudo errado, nos sentimos um peixe fora d'água, achamos que nunca encontraremos a felicidade que procuramos. Fica difícil não reclamar, não falar contra a vida, contra Deus, contra as pessoas, enfim, parece humanamente impossível não se deixar prender pelas algemas da reclamação. Mas, se pararmos para pensar, o que ganhamos reclamando? A resposta é exatamente essa: nada. A vida está difícil? Sim, para todo mundo, e dizer que ela está difícil não a torna nem por um segundo mais fácil.
Parece-me que quanto mais dizemos palavras negativas, mais nos enterramos na areia da solidão, do desespero, da tristeza, da angústia, da melancolia. É mesmo um desafio parar, respirar fundo e não reclamar sem parar das coisas aparentemente "erradas" em nossas vidas. Mas eu realmente acho que seja um desafio necessário. Tentar não maldizer a sorte, tentar trocar reclamação por "gratidão". Engraçado é que, muitas vezes, as pessoas que têm reais motivos para reclamar da vida são aquelas que vivem sorrindo, por dentro e por fora, tão gratos, tão... felizes! Tantos nos hospitais, com doenças graves, agradecendo por mais uma respiração! Que tal, ao invés de reclamar por não ter o tênis da moda, a casa mais bonita, o corpo mais perfeito, agradecer por ter pés para andar, um teto para morar e um corpo para abrigar a alma? E se trocássemos as palavras duras por palavras gentis e belas?
É um exercício revelador. No fim, acabamos percebendo que temos muito mais a agradecer do que a pedir.

domingo, 28 de novembro de 2010

Cartas para você.


O mundo está tão moderno, tão avançado em todos os aspectos. Claro que isso é bom -por um lado-, pois nos propicia inúmeras coisas que aumentam nossa qualidade de vida. Porém, venho percebendo que tantas coisas são perdidas nesse processo!

Refleti sobre isso recentemente, através de uma conversa com uma amiga.

Fiquei surpresa quando ela me disse:

- Ana, qual o seu endereço? Quero te mandar uma carta. Eu adoro cartas, é tão bom recebê-las, esperar pelo carteiro... É mais emocionante do que receber um e-mail!

Confesso que parei para pensar sobre a questão das cartas. E senti falta delas. Quando criança, tinha diversos amiguinhos de outros estados, com os quais trocava cartas esporadicamente. O dia em que recebia uma correspondência era, sem dúvidas, especial. Ao longo dos anos, recebi cartões postais, cartas longas, cartas curtas, quase bilhetes, etc. E guardo todas até hoje. Outra coisa que me emociona muito, são os cartões. Por que não se usa mais escrever cartões em datas especiais, como aniversário, casamento, formatura? Será que tudo foi trocado pelo e-mail, sinônimo de praticidade?

Está certo que sou suspeita para falar. Afinal, acho que é dos escritores essa necessidade da palavra escrita, ver as letras desenhando-se no papel, a caligrafia de cada um, que é sempre tão única - dizem até que revela traços de personalidade! Tão romântico ver as carteiras se abrindo, revelando, num cantinho, meio escondida, meio amassada, aquela carta endereçada a você!

Saudades de abrir os envelopes, com cuidado para não rasgar, sentir o cheiro da tinta ainda molhada, ver os borrões - às vezes causados por lágrimas -, analisar cada letra em particular, ler, reler, guardar, levar no bolso, ler na fila do supermercado, reler numa noite de insônia - a carta ali, tão simples, tão certa, sempre à mão... Tudo bem que cartas demoram tanto para chegar, tudo bem que tem a ansiosa espera pelo carteiro, mas, e daí? Elas chegam no final, e é isso que importa.

Para você.

Existem pessoas feitas de sonhos e outras feitas de pura realidade. No meio termo entre o prático e o sonhador, eu encontro você. Você, que é feita de poesia e de prosa, de maturidade e frescor, nem oito nem oitenta: você está no equilíbrio, como deve ser. A cada dia me surpreendo mais e mais com você, que é uma menina com o espírito forte e decidido de uma mulher, uma mulher com o espírito doce e leve de uma menina. Alguém que consegue ver a vida com olhos realistas, mas que não enxerga em preto e branco. Pelo contrário: seu mundo é colorido e cheio de vida, porque você não se fecha a possibilidades... Assim como não se fechou à nossa amizade, e como eu te agradeço por isso! Acho que é isso: quero agradecer. Agradecer por você ter deixado a porta aberta, por ter me compreendido quando eu precisei (tantas vezes!) e por ter se deixado compreender por mim. Por ter permitido que eu conhecesse um pouco da sua história, por ter compartilhado um pouco da minha, obrigada. E mais do que tudo, obrigada por ter se despido de pré-conceitos, de pré-julgamentos. Eles nos deixam cegos, de forma que não enxergamos a verdadeira essência das pessoas. Por muito tempo, eu me prendi a meus próprios julgamentos, afastei pessoas que amava e possibilidades de amar. Por isso admiro tanto essa sua liberdade em ser e em deixar que sejam... acho tudo isso tão lindo, tão poético, tão digno de ser vivido! Quero lhe dizer também que você tem um valor enorme, nunca deixe que ninguém lhe diga o contrário. Você merece toda a felicidade desse mundo, por ser assim tão humana, tão humilde, tão amiga, tão... especial! Nunca se feche a possibilidades que te farão bem, nunca perca a esperança, nunca deixe de sonhar, por mais que a realidade aqui fora seja um pouco dura demais... Quando parecer difícil, apoie-se nos seus ideais, nos seus sonhos, nas pessoas que te amam e acreditam em você. Você pode ser o que quiser. Não deixe que cortem suas asas, não deixe de ser quem você é.
Saiba que estou aqui, torcendo pelo seu sucesso, pela sua felicidade. Daqui a 30 anos, quero ver esses seus olhos claros (lindos!) brilhando ainda mais!
Com muito carinho,
Sua amiga Ana Teresa Viana.

sábado, 27 de novembro de 2010

Para um ilusionista.

Artur,

Devo admitir que essa é a carta mais estranha que já escrevi.
Não sei bem porque a escrevo. Talvez seja simplesmente porque amo o jeito como a caneta arranha o papel, talvez seja porque o tempo me faz sofrer passando tão devagar, tão sem você. Acho que é isso: escrevo porque tenho saudades.
Saudades, Artur. Saudade do dia em que te vi pela primeira vez. Tantas pessoas ao meu redor, e eu fui notar logo você, logo você. O Artur sem graçamente normal; nem o mais bonito, nem o mais inteligente, veja só, Artur, todos diziam que você não tinha nada de especial. Mas e esse seu sorriso, Artur, sorriso de um milhão de watts, capaz de iluminar a cidade inteira? E toda a sua espontaneidade arrebatadora, todo o seu mistério envolvente, você, você que era a contradição ambulante? Eu não pude fazer nada, Artur. Você parecia irresistível. Impossível não sorrir com o seu sorriso, impossível não se apaixonar.
E Deus sabe que eu jurei milhões de vezes não me deixar levar. Eu prometi que te esqueceria, Artur, mas a promessa foi rasgada em mil partes, rasgada por mim, juntamente com todos aqueles poemas que fiz para você. A verdade é que eu fui a garota errada, Artur.
Totalmente precipitada, jovem e romântica, simplesmente a garota que não soube encobrir seus sentimentos. Talvez eu continue sendo a mesma garota errada, errando ao ter saudades de você. Ah, Artur, mas se eu pudesse voltar no tempo, eu teria feito tudo de novo. Choraria as mesmas lágrimas, até mesmo mais doídas. Escreveria os mesmos poemas, talvez até mais apaixonados, e novamente os rasgaria em pedacinhos. Eu faria quase tudo igual, exceto por uma coisa: eu jamais teria dito a você que te amava. Porque hoje eu vejo, Artur, ah, eu vejo que você não estava pronto. Talvez você nunca esteja pronto, Artur, não para mim. Não para me amar. Mas você escondeu essa verdade de mim por muito tempo. Tempo demais. Você era um ilusionista, Artur. Um ilusionista, e dos bons.

Samanta.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Em nossa rotina apressada, em nossos dias atarefados, muitas vezes adiamos a nossa felicidade. Tenho reparado que, com frequência, deixamos de fazer coisas pequenas, mas que nos fariam felizes. Coisas como tomar aquele sorvete de morango, que desejamos durante toda a semana, e que não demoraria nem cinco minutos para comprar. Escrever uma carta para aquele amigo especial, dizendo que não nos esquecemos dele, que nada seria igual se ele não estivesse ali. Ligar para a avó que mora em outra cidade, perguntar como vai a artrite, falar que ama até a boca doer, chamá-la de mulher mais linda do mundo. Abraçar bem abraçado o priminho de dois anos, ensiná-lo os números, a contar as estrelas, a dizer por favor e muito obrigado, brincar de pega pega e terminar tudo com uma cantiga de roda. Porque adiar momentos assim? Porque deixar as relações humanas em segundo plano em nossas vidas? Simplesmente porque alguém disse que devemos priorizar números estatísticas gramáticas redações trabalho trabalho trabalho dinheiro&dinheiro?
Acredito que a única forma de estarmos em paz conosco mesmos é alcançando o equilíbrio.
Fazer o que se tem que fazer, sem deixar de lado aquilo que queremos fazer.
Procurar ser feliz e fazer feliz hoje, porque o amanhã é uma promessa, que pode não existir.
Eu ainda acredito que somos muito mais do que números em relatórios do IBGE. E ainda acredito que a felicidade de um povo não se mede pelo PIB da nação.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


Quando ele entrou por aquela porta eu soube que o amava. Definitivamente, o amava. Os cabelos curtos, escuros, a pele bronzeada, os músculos proeminentes. Eu amava cada milímetro, cada centímetro que compunha aqueles quase dois metros de altura. Tão forte, tão alto, tão imponente. Mas tão doce, tão delicado, tão envolvente. Nos primeiros dias estranhei aquele silêncio... tanto mistério. Estranhei também aquela terra estranha, aquele mundo estranho ao qual eu devia me inserir. Sei que ele também estranhou esta mulher ocidental, vinda de um lugar tão distante. Sei que estranhou meus trajes, meus modos, minha espontaneidade, minha personalidade falante. Ele também não compreendeu porque uma prisioneira havia sido dada como esposa a um príncipe. Sei que não, porque eu também não compreendi. Com o passar do tempo, passei a entender aquele homem silencioso, aprendi que seus olhares diziam tudo aquilo que eu precisava saber. Percebi que compensava suas poucas palavras com grandes atitudes. Mais que isso: passei a amar o seu silêncio, passei a respeitá-lo em seus momentos solitários. Aprendi que as palavras não precisam ser ditas para terem valor. Aprendi que um abraço carinhoso diz mais que mil palavras. Passei a admirar sua coragem, sua honra, seu cuidado. Aprendi a ser a esposa de um guerreiro, aprendi a ser o porto-seguro, o consolo, a ternura e o aconchego. Ele aprendeu a ansiar pelo toque da sua esposa ocidental, a vislumbrar o meu rosto nos momentos difíceis do combate. Aprendi a vestí-lo com aquela armadura antes de vê-lo partir para a guerra. Ele aprendeu a atar minha veste branca, aprendeu a pentear-me os longos cabelos de ébano. Aprendi a esperá-lo ansiosamente. E quando dei por mim, percebi que havia aprendido a amá-lo. E posso ver em seus olhos que ele aprendeu a me amar, também.

sábado, 20 de novembro de 2010

Doce alma de amigo.


Faço a promessa inútil, já que provavelmente irei quebrá-la, tão logo veja você. A promessa irá se romper magneticamente, automaticamente, assim que eu olhar nos seus olhos. Não sei porque os seus olhos me incomodam tanto... são tão belos, tão sinceros, parecem tão puros e tão iluminados! Mas quando te olho, sinto-me corar, me perturbo, me embaraço, me perco, abaixo o olhar, finjo que não ligo, reviro esses mesmos olhos que olham extasiados para você. A promessa que eu havia feito... Prometi a mim mesma que iria te abraçar, te agradecer por todo o carinho, por toda a atenção. Você foi a fonte de afeto mais inesperada, mais súbita, surpreendente. A mais bela, talvez a única demonstração de apreço que recebi nos últimos tempos. Você se tornou especial quando abriu sua alma para mim e deixou que eu a sentisse, exatamente quando eu mais precisava. A alma de um amigo, tudo o que eu mais queria, tudo aquilo que eu esperava. Tão sensível, tão certo, tão bonito. Na promessa feita eu iria te olhar, dizer que você se tornou um rapaz encantador, e que me orgulho de ter te visto crescer. Diria também que descobri o quanto você é importante para mim. Tocaria a sua face, pedindo ao universo que lhe desse uma vida doce, tão doce quanto a sua doce alma de amigo. Um sentimento tão puro, tão belo, tão correto, que toca os céus. Mas sei que provavelmente não farei nada disso. Simplesmente te olharei, e quando você vier conversar comigo, terei o rosto em chamas e lamentarei a minha triste timidez.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A biblioteca. Os livros velhos nas estantes. As mesas sóbrias. As cadeiras todas vazias, exceto por uma. Aquela no canto, perto da janela, banhada por um raio de sol fresco. No canto da biblioteca, nos cantos da vida, alma parecendo perdida num canto qualquer, em qual esquina perdera mesmo sua identidade? O canto dos olhos escorrendo lágrimas, palavras balbuciadas, choro contido agora extravasado... As lágrimas salgadas ganham os cantos dos lábios, que choro sofrido chorou aquela menina no canto da biblioteca! Choro baixinho, murmúrio, alívio, melancolia, desabafo, chororô adolescer. A água que descia dos olhos escuros. A chuva começando a cair lá fora. Uma, desimportante, solitária, desamparo líquido, regava nada mais do que o rosto já tão molhado, tão róseo -doce rosa em flor!-. A outra, esperada, aclamada, gloriosa, alimento das plantas, da terra, dos seres, dos homens. Tão fraca, tão pobre... pobre lágrima de menina! Tão forte, tão imponente... santo marulhar de água doce vinda do céu!
As paredes tão sólidas, tão velhas, tão fiéis, tão confidentes... quantos segredos guarda as paredes de uma biblioteca!
A chuva pára. Água que chama água. Lágrimas não existem mais. E com o novo sol que vem surgindo, a menina esboça o sorriso mais lindo e sorrindo sai da biblioteca.
A bibliotecária não entende. Quem pode começar chorando, pra depois sair sorrindo?
Balança a cabeça, murmura um segredo: aquela menina está adolescendo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010


Dai-me por favor somente aquilo que for simples. Do que é complexo eu já cansei. Dai-me por favor o canto do sabiá livre na mata. Dai-me por favor a liberdade dos sabiás engaiolados - o que é mesmo que o homem tem contra os seres livres?-. Dai-me por favor a delícia daquele sorriso, dai-me por favor felicidade pra mais de mês. Dai-me por favor menos conhecimento, eu quero infinitamente saber menos e sentir mais. Aliás, dai-me, por favor, mais conhecimento dos sentimentos, das emoções, das sensações. Dai-me sinestesia! Dai-me por favor a sabedoria daqueles que vivem muito. Mas antes, dai-me a graça de viver bem. Dai-me muitos dias de Natal, mais que isso, dai-me a capacidade de enxergar o Natal de cada dia. Dai-me também a maciez da chuva quando toca o chão, aquela maciez de quem toca corações a cada pingo. Dai-me sensibilidade. Dai-me viver menos prosa. Oh, por favor, dai-me viver poesia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Depende da ótica.

Cabelos bonitos são aqueles que se deixam despentear. As mãozinhas da criança, o vento, a brincadeira, o riso, a diversão. Sem medo, sem não-me-toques. Pele bonita é aquela que recebe um beijo, um carinho, um toque, um afago... sem medo de borrar a maquiagem. Sem reservas. Sem futilidades. Unhas bonitas mesmo são aquelas que não têm medo de quebrar. Elas realizam as tarefas do dia-a-dia entregues, apaixonadas, sem um pingo de morbidez. E na maioria das vezes conseguem fazer tudo isso sem estragar o esmalte vermelho. Corpo bonito é aquele que vive, fundamentalmente. Vive sem pressa, sem anseios, sem maldades, plenitude. Corpo bonito pra valer é aquele que recebe uma criança durante os nove meses, nutre, dá a vida e o amor. Preocupação maior é o bem estar do filho, não as estrias. Cérebros bonitos são aqueles que pensam menos dinheiro, status, poder e mais solidariedade, amor, compaixão, bondade. Paisagem bonita não é o Pantanal. Paisagem bonita é uma criança bem nutrida, bem cuidada, bem amada, bem feliz. Obra prima bonita não é aquela de Picasso. Obra prima bonita, de verdade, é a própria vida! Casas bonitas não são aquelas de pinturas caras na parede, carros do ano na garagem. Casa bonita é casa de gente feliz, de verdade. Bonito mesmo não são os óculos; são os olhos por trás deles. E mais bonito que palavras só mesmo as atitudes.

domingo, 14 de novembro de 2010

Paradoxalmente fogo e mar.

Ela é a voz que se levantará quando todas as outras ficarem em silêncio. A garota do andar distraído e cansado, mas que lança fogo pelos olhos. O fogo que tem o mar agitado, em dia de tempestade: inquieta, inconstante, vida em ondas, vai e vem, vem e vai. Aquela das perguntas tolas para quem ouve, mas interessantíssimas para quem pergunta. E dane-se a reprimenda. Ela vai perguntar, de qualquer jeito. Ela tem uma dúvida, e não se cala. Aquela de pouca paciência e muita tolerância, do sorriso fácil e da intuição aguçada. Aquela que é imperfeitamente, simplesmente, ela mesma. Não é a mais bonita, não é a mais divertida; é a mais diferente. Elegantemente recolhida, estado de letargia consciente. Ousadamente extrovertida, sacadas inteligentes. Tão imprevisível quanto a própria vida. Tão humana quanto todos os outros, mais humana que a maioria. Não força simpatia, não força amizade, não força sorrisos, não força a si mesma. É fiel. Fiel à sua personalidade desconcertante, à sua natureza inconstante e irrequieta, fiel ao seu encanto. Não que seja algo exemplar, só não sabe ser de outro jeito. Tantas ideias que mal cabem na cabeça. Tantos pensamentos naqueles olhos escuros, que é melhor não olhar dentro deles, sob o risco de encontrar um novo mundo, e nele querer viver pra sempre. Eis então a melhor definição: aquela, rainha de um mundo novo, totalmente novo, apaixonante e particular. Mensageira de um novo tempo, de uma nova ordem, que quebra correntes, paradoxos, eterno recomeçar. Pois com ela o mar tem fogo em dia de tempestade.

sábado, 6 de novembro de 2010

A piscina pequena.


Gostaria de ter parado o tempo. Sim, parado o tempo, congelado a vida em seu instante mais gentil e mais belo. Parado o tempo naquelas tardes doces de outubro, na infância apressada, porém terna. Viver pra sempre aquela água daquela piscina -tão pequena, meu Deus!- mas que parecia um oceano de imensidão. Água demais, sol demais, diversão demais, felicidade demais, e uma piscina pequena. Pra ser feliz bastava a piscina. Ah, e a bola azul escolhida a dedo. Que estranho pensar que meu mundo já foi do tamanho daquela bola. Que saudade pensar que minha felicidade já foi do tamanho de uma tarde doce de outubro! Outubro costumava ter tardes intermináveis, deliciosas. Mas as tardes de outubro diminuíram com o passar dos anos. Agora as tardes de outubro passam tão rápido, que estamos em novembro, e eu nem as vi passar. Não podemos esquecer dos oito anos e da praia. Então, era só do mar que eu precisava. Um pouco de mar, um pouco de sal, um tantinho de areia, e uma onda gigante. A onda que levava a gente pra praia, empurrada, à força. A tia que vinha buscar a gente na areia, tá tudo bem, então vamos voltar pro mar. Saudade da época em que medo era só de uma onda gigante! Até o medo era azul. Eu não sabia que teria medo de coisas mais graves que uma onda gigante. Saudade da época em que a tia buscava na areia e tava tudo bem, vamos voltar por mar. Saudade da época em que solução era o colo da mãe, que choro era por causa do joelho ralado. Ah, joelhos machucados se curam mais rápido do que corações partidos! Eu não sabia que existia dor pior do que a dor de um machucado. Mas viria a saber. O nível mais alto de ansiedade era aquela vontade enorme, do tamanho da onda gigante. Vontade de crescer, fazer logo 15 anos e ser a moça bonita da bolsa a tiracolo, do sapato de salto alto. Ninguém me contou que crescer trazia responsabilidades maiores. Ok, alguém deve ter me contado, mas eu não ouvi. Não ouvi também dizerem que a bolsa a tiracolo às vezes é pesada demais para se carregar, que o sapato de salto alto machuca e que a moça bonita não fica bonita sempre, e que ela também não tem todas as respostas. Pelo contrário. A moça bonita é apenas mais uma moça buscando suas respostas, tentando se encontrar. E isso é mais difícil do que fazer dever de matemática, mais difícil do que acordar cedo, mais difícil do que ser criança. Tão mais. Nem me dei conta do quanto gostava da piscina pequena. Nem das vantagens de não saber falar otorrinolaringologista! Época simples, até demais pro gosto daquela criança apressada. Só depois fui descobrir que as coisas simples são sempre as melhores, e que às vezes basta uma piscina pequena pra ser feliz.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Presente de Morfeu.

Quando mesmo tive certeza que era você? Acho que foi quando te vi pela primeira vez. Digo ver, porque ainda não te conheço. Não pessoalmente. Pensando bem, desconheço totalmente aqueles que conheço, e acredito conhecer infinitamente mais você, você que apenas vejo. Em sonhos. Sim, em sonhos, poucos e loucos. Porque sou uma menina tão sem graçamente normal, que penso Morfeu ter pena de mim. Sim, pena, muita pena. Porque até mesmo a maioria dos meus sonhos são normais. Morfeu presenteou-me então com aqueles sonhos, os poucos, os loucos. Aqueles em que vejo você, você que é a melhor parte do presente de Morfeu. A segunda melhor parte é que você aparece a cada sonho com uma feição diferente; hoje louro, amanhã moreno. A princípio, ninguém sabe que você é a mesma pessoa. Ninguém, exceto uma menina normal que sonha presentes de Morfeu. Claro que assim não consigo saber como você é, na verdade. Por isso mesmo é bom: posso viver a minha vida sem graçamente normal procurando você. Corro o risco de te conhecer em uma esquina, em qualquer lugar, sob qualquer feição, as que eu já vi e as que ainda verei. Então procuro e sonho, sonho e procuro, é tudo o que eu posso fazer. É tudo o que eu faço com o coração. Mas nos sonhos eu sou sempre a mesma, mas totalmente diferente de quem sou. Claro que sim, afinal sou apenas um rascunho daquilo que serei quando eu afinal te conhecer. O que estou dizendo? Não sei o que sou. Aliás, nem mesmo sou. Ainda não te conheci. Pensam que sou triste. Como posso ser triste quando tenho você? Mas eu ainda não te conheço... Mas eu já te encontrei! Tão melhor ter te encontrado, antes mesmo de ter te conhecido, pois é tão vazia a relação daqueles que se conhecem, mas nunca realmente se encontraram... Tristes são eles. Eu não. Eu tenho você.

domingo, 31 de outubro de 2010

Até os heróis.

Como é fácil se apoiar nos bons exemplos de outras pessoas! Difícil mesmo é ser um bom exemplo para os outros. Como é fácil esperar dos outros! Difícil mesmo é esperar de nós mesmos. Quando elegemos alguém para ser nosso referencial, ou até mesmo quando admiramos demais alguém, colocamos sobre essa pessoa uma responsabilidade muito grande. Afinal, esperamos que ela seja correta, generosa, amiga e mais mil e uma qualidades em tempo integral. Mas aí entra uma questão importante: ninguém é perfeito, muito menos o tempo todo! Somos todos humanos. Às vezes, esquecemos disso, e sobrecarregamos as pessoas de expectativas e desejos, na maioria das vezes, irreais. Desse esquecimento provém a decepção, a frustração. No fundo, não estamos decepcionados com a pessoa em si, mas sim com a pessoa idealizada que construímos. Criamos, então, uma situação ruim para ambos: para nós mesmos e para aqueles que soterramos de expectativas. O quê? Você não sabia que expectativa demais também soterra?
Quando me deparei com essa reflexão pela primeira vez, confesso que meu primeiro pensamento foi: "Vai dizer que agora está errado esperar alguma coisa boa de alguém?!". Refleti, e concluí que não é questão de ser errado ou não. Claro que você pode esperar o que quiser de quem você quiser. É uma escolha de cada um. E, como toda escolha, inclui consequências. É o pacote completo. E a consequência de uma grande idealização é a possiblidade de uma decepção de proporções semelhantes. Mesmo porque não estamos livres de errar, por melhor que sejamos. Afinal, "os heróis também têm o direito de sangrar." Então, tenho tentado esperar menos dos outros, e prestar mais atenção às minhas atitudes. Mais ou menos assim: não esperar dos outros algo que eu não sou capaz de fazer, não exigir de alguém a perfeição inexistente em mim. Pode até parecer uma ideia muito prática, muito realista, a princípio. E é mesmo. Mas serve para aprender uma coisa: esperar dos outros só torna a felicidade mais difícil de se alcançar. Resolvi que não colocaria algo tão precioso quanto a minha felicidade nas mãos de algo tão incerto quanto a atitude dos outros. Resolvi esperar menos dos outros e mais de mim.

sábado, 30 de outubro de 2010

A cor preferida.

Hoje quero olhar bem nos teus olhos... E me demorar nesse olhar. Hoje quero descobrir a cor exata das tuas íris, só para garantir que são mesmo azuis. E quando eu contemplar a cor do teu olho azul, me perderei na extensão do mar, só para me encontrar. E quando eu olhar o teu olho azul, nunca mais lamentarei os dias em que não olhei para o céu. Quando eu olhar para o teu olho azul, nunca mais lamentarei mais nada.
O teu olho tem a minha cor preferida, mas será que eu iria preferir azul se não fosse da cor do teu olho? Provavelmente não. Desculpe a divagação, mas é que quando penso em teus olhos não consigo pensar. Pelo contrário, quando penso em teus olhos me perco em meus pensamentos. Isso sim foi o que eu quis dizer. Agora descobri que quando penso em teus olhos não consigo me expressar com clareza. Jamais terei a clareza de teus olhos. Mas isso não me preocupa, ah, não. A única coisa que me preocupa é não ver os teus olhos esta noite. Ou quem sabe teus olhos não me virem. As duas coisas. Mas, e daí? Os teus olhos são azuis.
Tenho cá comigo uma questão: acho que os teus olhos me encantam não por serem azuis, e sim por serem os teus. Isso. Fossem teus olhos castanhos, eu adoraria o castanho. Fossem os teus olhos verdes, eu ansiaria em ver essa cor. Fossem os teus olhos negros, que eu jamais temeria a escuridão da noite. Mas eles são azuis... Docemente. Simplesmente. E eu só posso amar essa cor.
Se perguntarem qual a minha cor preferida, portanto, não é justo dizer "azul". Diriam que é porque eu amo o céu, porque sonho com o mar. Mas eu não sonho com o mar. Eu sonho contigo. Diga então que a minha cor preferida é a cor dos teus olhos. E só.

Apenas suposições.

Ei, talvez não esteja tudo tão errado assim. Talvez seja a hora de deixar as máscaras caírem, talvez seja a hora de deixar o esconderijo e deixar que a luz brilhe sobre mim... Talvez seja a hora certa, talvez eu esteja exatamente onde eu deveria estar. Talvez eu seja a parte que esteja faltando em alguém, talvez eu seja necessária para a felicidade de alguém! Talvez haja alguém no mundo que me procure, mesmo com todos os meus defeitos, que se encante pelo meu eu integralmente, apesar de meus defeitos, apesar de minhas qualidades... Talvez a mesma pessoa que eu procuro esteja à minha espera! Talvez eu nunca mais deva desistir de ser quem eu quero ser. Ei, talvez seja a hora de começar a ser feliz, a partir de agora, sem protelar mais essa felicidade... Sem deixá-la pra amanhã! Talvez isto seja real... Eu sei que agora é tempo de incertezas e de talvezes. Mas não é talvez que a certeza chegará... Eu ainda vou encontrar aquilo que eu procuro, eu ainda vou saber quem eu sou, de verdade, e um dia eu vou escrever tudo isso sem precisar do talvez. E isso não é uma suposição. Ei, talvez essa seja a minha única certeza: a de que um dia eu chegarei aonde eu quero ir.

Nem tanto assim.

A eterna tentativa de viver um dia de cada vez. A eterna tentativa de subir um degrau de cada vez, rezando pra estar no topo da escada logo. Os olhos fechados ou abertos, os pés firmes ou não, vamos tentando. Às vezes parece ser mais difícil para nós do que para os outros. É, eu sei, às vezes temos certeza de que para nós tudo é mais sofrido, mais duro, mais difícil. Mas ei, não é! Todos estão tentando, o tempo todo, subir o tal degrau: no fundo está todo mundo tentando viver um dia de cada vez, porque viver os 365 de uma vez não dá! É complicado lembrar que todos têm problemas, principalmente naquelas horas em que tudo dá errado, em que nos sentimos os últimos seres na escala de importância do universo. Quando os dias e dias passam devagar, passam cinzentos e passam mórbidos, porque não vemos razão, motivos para ser, para ficar, para permanecer, para continuar. A vida parece tão dura e tão ingrata nessas horas! Toda a cor sumiu do mundo, e nem a elegância do preto e branco conseguimos enxergar. É quando eu lembro que não estou sozinha nesses sentimentos, nessa ânsia de fazer dar certo, de conquistar dias mais felizes! Eu percebo que há 50 anos pessoas se sentiram assim, que daqui a 50 anos alguém se sentirá assim, e que o mundo vai continuar, apesar disso. Eu me lembro que a dor do vizinho não é menor só porque não é minha. E eu me lembro ainda que as coisas serão tão ruins quanto eu deixar que elas sejam. E mesmo com toda a vontade de ser pessimista, de ficar na cama o dia inteiro, eu me levanto, eu continuo. Então escuto alguém contar problemas semelhantes, ou mais graves, ou menos graves... E eu vejo que não, não estou só. Nem nos dias cinzentos, nem nos dias azuis. Foi então que eu percebi que tem sempre alguém chorando ou sorrindo ao mesmo tempo, com a gente. E que "eu não vim até aqui pra desistir agora". E, quer saber? "Se depender de mim, eu vou até o fim!".

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ela sente falta. Falta de um rosto que nunca viu, de um abraço que nunca sentiu, de um sorriso nunca vislumbrado, de alguém nunca conhecido por ela. Aonde quer que ele vá, ele olha para todos os lados, mas sabe que ela não está ali. Ainda não. Ela sentiria se ele estivesse. Ou não? Todas as suas experiências não foram suficientes. Ela ainda não o encontrou. Ele sabe que toda a sua vida terá valido de nada, será uma poeira no universo sem brilho algum, ela sabe que nada fará sentido se ele não a encontrar. Ei, onde você se esconde? Ela quer gritar. Mas ele pede paciência a si mesmo, ela pede calma, impossível calmaria para uma alma ansiosa pelo complemento final. Mas ela aguenta firme, ele acorda e se levanta, ela levanta e sai da cama, ele se veste, ela abre a porta da rua e caminha para onde deve ir. Porque ela gosta de imaginar que cada passo que dá a conduz até o momento certo... Porque ela pressente que o reencontro virá! Sim, ela já o conhece, ela chega à conclusão. Ela já o ama sem saber. Mas agora ele já sabe. Ela ama todos os seus traços, ela conhece todos os seus sorrisos e seus trejeitos. Ela consegue até ouvir aquela voz se ela se esforçar. Sim, ele já a conhece! O rosto já é conhecido, o abraço já foi sentido, o sorriso, muitas vezes vislumbrado, o alguém, tão amado. Onde mesmo foi que se perderam um do outro? Que anjo malino os empurrou dos céus, fazendo com que caíssem tão longe um do outro? E onde afinal está o anjo perdido? Porque é tão difícil, porque tantas pessoas erradas estão no caminho, porque é tão difícil encontrá-lo? Ei, tudo devia ser bem mais fácil, você sabe. A vida devia ser prazerosa e bela, e o seu sorriso devia ser o verdadeiro raio de sol. Os seus olhos deveriam ser o espelho no qual ele se observaria, os seus olhos deveriam ser o mar com o qual ela sonha! Ei, porque tanto tempo perdido? Quando é que vão se perceber? Você não vê, que a hora está chegando, que ela não consegue mais? Ei, o amor tem pressa, tem urgência, mas não tem hora certa pra chegar. Você é um tolo atrasado. Ela ri dizendo isso, aliás, ela quase ri dizendo isso. Você é a tola atrasada que eu amo, ele murmura baixinho. Mas ela sabe que todos os caminhos conduzem a ele. E os seus caminhos apontam para ela. Vai chegar. Cada amanhecer faz mais próximo. Ela sabe. Ele também.

domingo, 24 de outubro de 2010

Por um mundo melhor.

A todo momento vemos notícias e mais notícias ruins na Tv, no rádio, no jornal... Gente que matou, que roubou, que abusou de criança e de adulto, que sequestrou, além dos crimes ambientais... Até a internet, que é um meio tão útil de comunicação, que poderia ser usado para aprender outras línguas, outras culturas, para diversão saudável, vem sendo mal utilizada. Entramos num bate papo cujo principal objetivo é fazer amizades e tudo o que vemos pela frente é pornografia verbal e até mesmo visual... Crianças que brincam inocentemente na internet, e se deparam com pedófilos ou conteúdos impróprios. E eu fico pensando: até quando? Até quando o ser humano vai insistir em desrespeitar a si mesmo, e ao outro? Até quando o ser humano vai impedir o outro de viver bem e com tranquilidade? Até quando nossas crianças ficarão presas em apartamentos e casas, sem liberdade para brincar na rua, aprisionadas pelo medo, pela insegurança? E nós, jovens? Até quando teremos de por nossa vida em risco ao ir numa festa, ao conhecer alguém, até mesmo ao namorar alguém? Até quando casos como o da menina Isabela Nardoni, do menino João Hélio, da adolescente Eloar irão acontecer? Quantos ainda precisarão morrer para que o mundo mude? Quantas vidas ainda serão ceifadas até que o ser humano aprenda a amar?
Existem pessoas boas no mundo. Sim, existem muitas. Ainda existem pessoas que tentam ser melhores a cada dia. Mas a pergunta é: até quando? Até quando as boas pessoas irão resistir? Tantas pessoas inicialmente boas já foram corrompidas. Outras tantas vem sendo corrompidas diariamente, porque hoje em dia quem quer ser bom sofre tanta retaliação! São tantas as ofertas do mundo! E infelizmente as boas ações nem sempre são divulgadas... Preferem veicular notícias ruins. Porque não veicular boas ações? Porque não nos dar esse sopro de esperança?
Mostrem os que cuidam do mundo, mostrem os seres humanos que lutam para ajudar os outros! Mostrem os que dão de comer a quem tem fome, mostrem os que vestem aqueles que têm frio! Mostrem aqueles que combatem as drogas, a pedofilia, a corrupção! Mostrem os que cuidam dos doentes, os que evangelizam os penitenciários! Mostrem aqueles que oferecem chances para os desacreditados! Mostrem aqueles que amam e se deixam amar, sem medos e sem reservas! Mostrem esses, que não são perfeitos, é verdade. Mas que se tornam admiráveis porque tentam ser melhores, porque não se deixam abater!
Nossas crianças precisam de bons exemplos. Nós jovens precisamos ter em quem nos espelhar. Precisamos de quem nos ensine que o caminho para a reconstrução do mundo é aprender a amar! Por favor, ensinem-nos isso, para que amanhã não seja tarde demais.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Tu te tornas responsável por aquilo que cativas."

Hoje me deparei com uma parte do livro "O Pequeno Príncipe". A temática era exatamente a do título deste post: "Tu te tornas responsável por aquilo que cativas". Mas, o que é cativar? O principezinho fez essa mesma pergunta à raposa. E essa foi - a espetacular - resposta:
"É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. Minha vida é monótona (...). Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei o teu barulho de passos, que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo..."
Como não refletir sobre isso, depois de uma resposta tão linda, tão apaixonada, tão... cativante?! A quanto tempo não cativamos alguém? A quanto tempo não somos cativados? A quanto tempo não vemos os relacionamentos dessa maneira tão profunda, tão poética?
"E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:- Por favor... cativa-me! Disse ela."
Porque nunca pedimos para ser cativados? Porque toda essa vergonha, esse medo de demonstrar o desejo de ser parte da vida de alguém? Porque não ser como a raposa, e pedir, que, por favor, alguém nos cative? Porque não aceitar ser cativado por alguém? Porque essa resistência em ser cativado, em se deixar cativar?
"Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer."
Porque é mais fácil ser como o príncipe, e se preocupar com tantas coisas, e se esquecer da beleza de cativar e ser cativado? Porque não ser a raposa, que pede, que demonstra a vontade de ter um relacionamento nada superficial? Será que é porque dá mais trabalho, requer mais tempo? E não temos tempo para nada, não é? A pressa nos corrompe e nos corrói... Pressa em viver, pressa em conquistar relacionamentos, pressa para conhecer as pessoas, pressa para respirar!
"Mas a gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa."
Queremos descobrir amigos, queremos conhecer as coisas... mas não queremos usar nosso tempo para cativá-las! E de nada adianta, porque o que não cativamos, não conhecemos de verdade.

Você já cativou alguém? Você já se deixou cativar?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Confuso, e só.

Há pessoas que passam e pessoas que ficam. Pessoas que vem, pessoas que vão, mas continuam presentes na lembrança, na saudade, no pensamento, na memória. Pessoas inesquecíveis que muitas vezes a gente acaba esquecendo. Pessoas sensíveis que muitas vezes machucamos. Pessoas que às vezes nos machucam, também. Mas pedem perdão, e perdoam, e querem acertar. É isso. Às vezes erramos porque queremos acertar. Pessoas que entendem, que compreendem, que gostam de ajudar. Pessoas queridas, mas tão queridas, um amor tão grande que chega a doer. Pessoas que vivem, que convivem, que querem viver. Uma vida bem-vivida. Pessoas com sede, não sede de vinho de mil dólares, mas pessoas comuns, com sede de felicidade e de plenitude e de abundância. Gente simples, gente como a gente, que no final de tudo só quer mesmo é ser feliz. Gente que sabe ser gente, gente que é eterna aprendiz. Gente de verdade, que ri que chora que ama que não tem vergonha de ser quem é. Gente que transparece a alma e deixa a aura transparecer. Para cada pessoa, um momento, às vezes muitas pessoas cabem num único momento, também. E em alguns momentos não cabe ninguém. Apenas nós mesmos. As pessoas estão aí, estão aqui, e elas nos fazem melhores. Tenho certeza. Com cada uma aprendemos, ensinamos, dividimos, somamos, compartilhamos, multiplicamos. Pessoas que pensam sem egoísmo, pessoas que sabem que no mundo há lugar para todos, basta deixar que todos encontrem o seu lugar. Pessoas que amam os seus filhos mas esquecem de amar os filhos dos outros. E esquecem também que os filhos dela não viverão sós, esquecem que seus filhos viverão com aqueles a quem ela não amou e não ensinou a amar. Gente que ama e ninguém percebe, gente que não ama e não tá nem aí. Gente que vê a falta de amor e acha que tá tudo bem. Gente comum, gente como a gente. Um estranho que de repente se torna um amigo, um amigo que de repente se torna um estranho. Às vezes somos estranhos a nós mesmos. E assim vivemos na Terra, esse planeta dominado pelas pessoas, que muitas vezes querem dominar as outras, mas esquecem de dominar primeiro a si mesmas. Esquecem de dominar os seus maus instintos, as suas más paixões. E muitas vezes porque não dominaram a si mesmas perdem as pessoas que amam.
É confuso, mas é a vida.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


As coisas verdadeiras são sempre as melhores. E as mais especiais, também. É verdadeiro aquele sentimento que nos faz flutuar, voar mesmo com os pés no chão. É verdadeira aquela ideia que nos enche de orgulho, por ter nascido -tão original!- em nossa mente. É a verdadeira a nossa melhor amizade, aquela que enche o coração e nos fazer perceber o quanto somos importantes para alguém. É verdadeiro o entusiasmo que sentimos quando percebemos o quão maravilhosa é a vida e a oportunidade de viver, de errar, de aprender, de acertar, de conviver. Foi verdadeira também aquela noite de tristeza, todas aquelas lágrimas da alma. Ali aprendemos que não há noites eternas, que depois da tempestade o céu está ainda mais azul; aprendemos que depois do outono as folhas nascem mais verdes do que antes, percebemos que para aprender algo extremamente importante foi necessário toda a dor e sofrimento daquela noite. Mas passou. Também é verdadeira a satisfação que sentimos quando nos damos conta disso. Foi a verdadeira a nossa festa mais divertida, a sensação deliciosa percebida através da comida preferida, do sorvete mais esperado. E é claro que a coisa mais linda e mais verdadeira do mundo é o sorriso de uma criança. As coisas falsas, essas nos deixam com a estranha sensação de "há algo errado aqui". Claro que sim, pois algo falso jamais terá o encanto e a magia daquilo que é essencialmente verdadeiro. As coisas falsas não conseguem nos fazer felizes. Porque ninguém quer um falso amor, uma falsa felicidade, uma falsa sensação de bem estar, um falso sucesso, uma falsa vida. O melhor de viver é aproveitar a oportunidade de desfrutar de todos os momentos de forma verdadeira e nada superficial. Com intensidade, com paixão, com alegria. Com vida. Só então seremos capazes de olhar para trás e dizer com os olhos (porque esses não mentem!):

Valeu a pena!

"Quanto a vós, preocupai-vos com tudo aquilo que for bom e verdadeiro." O que não for, deixemos passar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Muitas pessoas são julgadas pelo que falam, pelo jeito que se vestem, pelas coisas que fazem. Às vezes, são julgadas apenas por emitirem suas próprias opiniões, por serem como são, por seu aspecto físico! O fato é que ninguém está livre de encarar o julgamento da sociedade, que pensa saber exatamente o que é bom ou mau, o que é certo e o que é errado... o que é melhor para todos. Só que o que a sociedade não sabe (ou tenta ignorar) é que isso faz as pessoas sofrerem. As pessoas que são julgadas, muitas vezes calam seu "eu" interior, suas vontades, seus desejos e começam a tentar pensar da mesma forma de quem a julgou. Tudo isso para evitar o sofrimento de ser julgado novamente. E é assim que acabamos perdendo nossa essência... deixamos de ser verdadeiramente nós mesmos para passar a sermos um esboço dos desejos e ideais a que estamos socialmente expostos. Deixamos de fazer o que queremos para fazer aquilo que eles querem que nós façamos! De repente, notamos que perdemos alguma coisa ao longo desse processo. Onde está aquela garota espontânea, divertida, simples e alegre que cativava as pessoas? Perdeu-se. Era considerada "feliz demais", foi julgada escandalosa e nada delicada. Acabou se tornando reservada, tristonha e amarga, até. E o que dizer sobre o rapaz que dançava com tanto entusiasmo e com tanta animação? Foi tolhido por alguém que algum dia reprovou sua atitude, e deixou de ser o rapaz dançarino para ser apenas o que alguém queria que ele fosse. Sim, muitas coisas são perdidas nesse processo. Coisas como: autenticidade, alegria em ser quem se é, espontaneidade, auto-estima. E o que perdemos são coisas essenciais à felicidade. Então, notamos que estamos diferentes, e passamos a nos perguntar em qual esquina da vida perdemos a nossa espontaneidade, a nossa "marca registrada". Porque, se nos deixarmos levar por essa onda de massificação, que nos diz como e quando devemos ser, é isso que nos tornaremos: inevitável e sem graçamente iguais. Por isso, assuma, por sua conta e risco, sua essência, seja quem você é. Desencane de tentar ser o modelo social imposto. Aquele modelo pode ser lindo e admirável, mas do que adianta? Ele não é você. Assuma-se. Você poderá não ser amado por todos... mas com certeza será mais feliz. E livre para ser quem você quiser.
Let's be!

domingo, 17 de outubro de 2010

Sobre o blog.

É interessante observar os caminhos da vida. Fiz esse blog há alguns meses sem a certeza de que queria realmente dividir minhas ideias e sentimentos, percepções a respeito de tudo aquilo que nos cerca. Eu tinha dúvidas, muitas dúvidas. Seria julgada? E como explicaria tantos sentimentos contraditórios, irrequietos, que ocupam minha alma? Também me perguntava: o que uma menina de dezesseis anos sabe da vida?! Bem, pensei até em excluir este blog milhões de vezes, mas algo me manteve aqui. Uma vontade, uma necessidade, até. De escrever, na louca e desesperada tentativa de compreender a vida. Eu esperava me conhecer melhor ao escrever cada um dos meus textos. E eu me conheci. É bem verdade que descobri que não sei mesmo nada sobre a vida, mas descobri também que no fundo ninguém sabe. E descobri que o melhor da existência é mesmo a possibilidade da descoberta. E aos poucos fui me apaixonando pelo 'Deixa a Alma Respirar'. E pensar que tantas vezes pensei em mudar o título! Hoje sei que ele se encaixa perfeitamente à minha necessidade e à de muitas outras pessoas que acompanham o meu blog. Todos querem, de uma maneira ou de outra, deixar a alma respirar. Extravasar sua essência, seus sentimentos, sem medo de ser ridicularizado ou julgado; buscar descobrir a si mesmo e ao próximo, tentar entender (pelo menos por um segundo) aquilo que atormenta, perturba e tira o sono, mesmo que minutos depois nos demos conta de que é impossível compreender a vida, afinal de contas.

Esse blog tão querido e que tanto me ajudou, me deu uma enorme alegria nesta semana: tive um dos meus textos ("Desejo de Felicidade" - http://deixaaalmarespirar.blogspot.com/2010/05/hoje-eu-acordei-com-o-desejo-de-ser.html) publicado na revista Atrevida deste mês de Outubro. É mágico pensar que algo que surgiu de maneira tão espontânea e até mesmo inesperada possa ter sido capaz de realizar um sonho. Sim, sempre sonhei em ter um dos meus textos publicados, pois todos eles são uma parte importante do meu inacabado e incompleto ser.

Deixo aqui os meus agradecimentos a todos que, através de comentários e de acesso ao blog, me incentivaram a continuar escrevendo. Agradeço a vocês, que abraçaram comigo a doce missão de deixar a alma respirar. Vamos seguir assim e ver aonde a vida nos levará.

Com enorme carinho,

Ana Teresa Viana

sábado, 9 de outubro de 2010

O céu é o limite.

Qual é o limite para as reações, os sentimentos? Qual o limite para a dor, angústia, raiva, desespero? Qual o limite para o amor, compreensão, amizade, superação? O céu é o limite. Por mais que todos tentem se controlar o tempo todo, por mais que reprimamos nossos maus ímpetos, nossas más vontades, por mais que tentemos ter o controle, parece tudo fugir do nosso alcance humano, cruelmente humano. E nos deparamos com uma realidade avassaladora: não podemos controlar a vida. Simples e somente. A vida não pode ser controlada, não podemos controlar a vida. E às vezes, só às vezes, que fique claro, é bom ver que alguma coisa ainda é incontrolável. Porque o homem se acostumou com a ideia de controlar o universo, e por isso é tão frustrante ver que algumas coisas se recusam a ser domadas. É frustrante mas é bom. Isso me mostra que estou viva, que não sou uma pedra de gelo, e sim uma menina de dezesseis anos, cheia de vontades, de emoções, de dúvidas, cheia dessa humana condição. Isso me mostra que não devo esperar certeza de todos os momentos, porque não é certo. Mostra também que há coisas que simplesmente fogem e fugirão para sempre do meu controle, quer eu queira, ou não. Cá entre nós, há coisas que não mudam nunca. Só o que muda é a maneira de encará-las. Com maturidade ou com infantilidade, com lágrimas ou com um sorriso desafiador. Levantar e recomeçar ou esconder-se debaixo da cama chorando por doze meses. Quer saber? É questão de opção.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

É particular.

O importante é ser em particular. É ser sem alarde, ser não por pressão, ser porque assim desejamos. Ser o que desejamos. Toda essa vontade de agradar ao outro, toda essa pressão social que nos diz que devemos ser sempre sorridentes, agradáveis, legais, despreocupados, além de simpáticos, é claro... não leva a nada. Nunca seremos o bastante para todos; não se pode agradar a gregos e troianos. E mesmo que pudéssemos estar em harmonia com todos os seres do universo, mesmo que todos nos amassem, nos aceitassem e compreendessem, não seria garantia de felicidade. Essa é uma coisa que ninguém pode nos dar, nem mesmo os nossos mais belos sonhos. A felicidade vem de dentro, e é aí que ela está o tempo todo, mesmo enquanto procuramos como loucos por ela. Felicidade é particular. Por isso, vamos ser aquilo que realmente somos. Sem medo de mostrar nossos defeitos, nossas fraquezas, nossas qualidades, nossos acertos. Devemos buscar a cada dia aprimorar o nosso ser, mas para isso precisamos primeiramente admitir quem somos. Porque tanta resistência ao que, de fato, nos faz únicos? Porque mudar-se completamente, abdicar de você, de seus gostos, vontades, opiniões, abdicar de tudo aquilo que faz você ser o Fulano, querido por Ciclano, Abeltrano e mais outros tantos? É verdade que seu jeito não agradará a todos, mas isso é missão impossível, nem Jesus conseguiu, até hoje. Portanto, basta de massificação. Basta de querer ser igual a todo mundo. Assumamos, pois, o nosso verdadeiro eu. Amemos nossa essência, amemo-nos em primeiro lugar. Mas isso se você quiser, pois querer ou não ser assim, também é particular.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Posso dizer, sem medo de errar, que rumino melhor do que falo. A palestra é uma espécie de peneira, por onde a idéia sai com dificuldade, creio que mais fina, mas muito menos sincera. Ruminando, a idéia fica íntegra e livre. Sou mais profundo ruminando; e mais elevado também. (...) Entretanto, tudo o que digo está longe da sublimidade com que ruminei. Oh! se todos ficássemos calados! Que imensidade de belas e grandes idéias! Que saraus excelentes! Que sessões de Câmara! Que magníficas viagens de bond!"
(Crônicas Selecionadas - Machado de Assis)

domingo, 12 de setembro de 2010

Não raramente, eu me sinto confusa e até mesmo um pouco assustada com a capacidade que as coisas têm de mudar. Tudo muda, o tempo todo. Nada permanece invicto, nada permanece intacto. Nada/ninguém foge à essa regra que parece reger o universo, a vida, as pessoas, as circunstâncias. Mudam-se as estações, mudam-se as pessoas, os relacionamentos, os problemas, os desejos, as alegrias, as tristezas. A quantidade de velas sobre o bolo de aniversário muda, a quantidade de vida existente em cada um muda também. O tempo é justo e injusto ao mesmo tempo: ninguém escapa de sua vontade, independentemente de cor, raça, religião, sexo, opção sexual. Mas ele vem chegando de mansinho, muda as nossas vidas, sem pedir licença, sem saber se desejamos essas mudanças. Ele simplesmente faz o que deve fazer: mudar tudo no mundo, irremediavelmente. E não sei se essas mudanças são sempre positivas; talvez um dia eu saiba, e, se eu souber, prometo contar. Ou melhor, não prometo nada. Se tudo muda, o tempo todo, não posso prometer nada, sob o risco de ter minha promessa invalidada pelas (in)constantes mudanças. Acho que é por aí: não vamos prometer, porque, no fim, descobrimos que não podemos cumprir. Quem garante que o sentimento não vai mudar, quem garante que tudo vai continuar no mesmo lugar? E, se de repente, não mais que de repente, a gente se descobrir numa nova dimensão, onde nada é uma constante, onde nada é pra sempre? Estaremos fadados à infelicidade, à confusão, à incerteza eterna? Tenho duas notícias, uma boa, uma ruim. A ruim é que estamos nessa dimensão e não há como fugir dela. A boa notícia é que é possível ser feliz. Cabe a nós descobrir como. Talvez esse seja mesmo o propósito da vida: descobrir a nossa maneira de ser feliz. Mas nada me tira da cabeça que bom mesmo seria se nada mudasse. Aliás, se as coisas boas não mudassem. Porque as ruins, essas tem de mudar, e pra melhor.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Não entendo algumas atitudes que tomamos em determinados momentos de nossas vidas. Não entendo hoje, porque na época, eu nem me preocupava em entendê-las. Claro que não. Mas o tempo passa, e com o tempo vem o amadurecimento (ou pelo menos devia ser assim. Ou não?). Então, partindo do princípio de que amadurecemos com o tempo, com toda certeza desaprovamos algumas atitudes que tomamos no passado. Mas quer saber? Desaprová-las é perda de tempo. Não podemos mudar o passado. O futuro nós podemos. Então, gostaria de criar o hábito de refletir, ao invés de desaprovar. Porque sinceramente acredito que faremos muito mais por nós mesmos refletindo sobre nossas vidas (passadas) do que desaprovando-as. Por exemplo: que atire a primeira pedra quem nunca procurou conselhos mirabolantes, fórmulas mágicas, receitas prontas para fazer alguma coisa dar certo. Alguma coisa que realmente fosse desejada. Pode ser fazer aquele namoro engrenar, resolver aquele problema familiar, passar no vestibular, sei lá. Qualquer coisa que se quisesse, de verdade. Pois é. Pesquisamos, nos informamos com todas as pessoas próximas de nós, pegamos uma parte daqui, outra dali, e formamos a receita de felicidade e sucesso. Aquela, que, na teoria, é infalível. Só na teoria mesmo, desculpe informar. Porque na prática... bem, na prática, tudo muda de figura. Pois bem, quando colocamos a tal receita em prática, esperamos que os resultados sejam perfeitos, no mínimo bons. Ora, porque não esperar que dê certo? Deu certo com todo mundo, porque conosco não iria dar? Mas o problema é justamente esse: não dá certo conosco. Parece não dar certo nunca. Estive pensando nisso recentemente. O porque de não dar certo, justo na nossa vez. E sabe o que eu descobri? O problema está na tal receita! Porque, felizmente, a vida não é um bolo, relacionamentos não são bolos, família não é bolo. Portanto, não existe essa de "três xícaras de determinação, mais uma pitadinha de ousadia, querida, que dará tudo certo." Tudo bem, não há como negar que alguns valores e atitudes costumam mesmo levar ao sucesso. Mas não é via de regra, nada é garantido. A vida não é um contrato que se assina, no qual se prevê todos os possíveis problemas, como também as possíveis soluções, a multa de recisão, etc e tal. Não! A vida é - porque não? - um risco. É um risco muito emocionante, se me permite dizer. É um risco encantador, e parte do seu encanto é ser um risco. A outra parte é que é uma folha em branco. Cabe a nós escrevê-la. Sem rascunhos. Sem borracha. E não adianta tentar "colar" parte da escrita dos outros no nosso papel. O resultado soará falso. Não há garantias. Mas isso não é triste, isso não é injusto. Isso é a vida. É assim para todos. Por isso cheguei à conclusão de que temos mais é que assumir os nossos riscos, pensar em nossa vida como algo único, porque ela é. Escrevê-la, sem medos, da melhor maneira que pudermos, com o melhor do nosso ser. Ninguém pode escrevê-la por nós. Essa é uma tarefa que fazemos sozinhos, mas não sós. Por isso, esqueça as receitas, provavelmente elas não irão funcionar. Assuma-se, e acredite: a vida é curta demais e é muito mais bonita quando nós mesmos fazemos a nossa receita.
"No final, você vai ver que sempre foi entre você e Deus, nunca entre você e os outros!"