Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de uma garota de 21 anos, Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







sábado, 30 de abril de 2011

Sobre autonomia e coragem de ser quem se é.



É bom querer a vida. Aquela vontade de ter, de possuir, de esticar a mão e pegar sorridente tudo aquilo que a vida tem pra oferecer. Mesclar os estilos, as cores, os sabores, as sensações, ser fiel apenas à felicidade. Contigo, só aquilo que te faz feliz, só aquilo que te faz sorrir. Colocar a sua vida na palma da mão, e maravilhar-se, e exclamar: "É minha!".

E realmente sentir-se dono, e fazer o possível pra ser merecedor.

Comprometer-se consigo mesmo, isso é algo maravilhoso. Prometer fazer a si mesmo feliz, todo dia. E fazer da simplicidade do dia-a-dia um culto ao milagre de ser.

Amar-se demais, demais, e amar-se tanto, e de tal modo, e sempre, que dê vontade de espalhar amor sem conta-gotas. Que dê vontade de perdoar aqueles que te ofendem, que te menosprezam, que riem de você. Que dê vontade de desejar a eles pelo menos um décimo da felicidade que está ali saltando do seu peito. E você deseja.

E a plenitude é tanta que os outros passam a ser apenas um detalhe... a opinião dos outros, o julgamento dos outros, um pequeno detalhe. O importante mesmo você já tem: a liberdade de ser quem você quer ser, quem você decidiu ser. E isso ninguém pode te roubar.


Isso é ser feliz de verdade.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A praticidade dissolve os homens*

Tenho medo da praticidade. Medo de me tornar tão prática ao ponto de não sentir mais dor, de não saber mais chorar, sorrir, corar. A praticidade dissolve a vida. Afinal, o que é a vida sem uma lágrima de amor, um grito de dor, de alegria, um sorriso que demonstre empatia, um menear de cabeça que revele timidez?

A praticidade quebra os encantos. Descomplica demais.

E o que é a vida sem um tantinho assim de complicação? Sem sonhos, sem medos, sem anseios, sem dúvidas, sem emoção?

Tenho medo da praticidade, tenho medo de permitir que ela contorne os meus dias, e faça tudo parecer mais fácil...

O que há de ser da vida se esta perder o sabor da conquista? Se perder o cheiro de luta, de vitória? O que será do amor sem todas as cartas escritas, sem todas as flores enviadas, sem todos os filmes manjados (e amados) de Hollywood?

Tenho medo que a praticidade venha e arranque de nós todas as rimas.

Tenho medo de ser prática ao ponto de não me interessar por um verso que seja.


Temo um mundo prático o suficiente para parecer sem cor. Um mundo sem risos, sem abraços, sem banhos de chuva.
Um mundo onde não se perca tempo com o pôr do sol, com a contagem das estrelas, com poesias.

É isso.

Temo um mundo sem poetas.

Temo um mundo sem escritores.

Temo um mundo sem palavras doces.

Temo um mundo sem poesia.





*Título inspirado no poema "A noite dissolve os homens", de Carlos Drummond de Andrade.



Avistou a estrada ao longe. A trilha repleta de flores, árvores e metáforas facilmente a seduziu.

- Quanto verde! Quanta beleza! Quanta poesia!

Abandonou o mundo cinza-concreto e habilmente trocou seu espírito outrora angustiado por uma alma leve e feliz.

Decidiu-se por aquela estrada, ou teria sido a estrada a decidir-se por ela?
Nunca soube de fato. Dela, só se sabe que seguiu. Seguiu assim, sem mais certezas, possuidora apenas de si mesma, e de sua própria vontade. Mas isso não é tudo o que realmente importa?

Nunca se preocupou em descobrir. Nunca se preocupou em entender.
Ela era toda pés, e tudo o que fazia era caminhar. Os pés mostrariam o caminho.

Seguiu assim, nas suas andanças, sem medo de se perder, de esquecer o caminho de volta.

Não sabia até que ponto queria voltar. Não sabia até onde deveria ir.

Mas é sabido que foi; foi assim, fiel à muita pouca coisa. Fiel de verdade, apenas à si mesma e à sua própria autonomia.

Pelo sim, pelo não, garantias apenas ao seu próprio ser.

Se voltou? Se gostou? Se sorriu? Se chorou?

Ela se limita a dizer que viveu.

E completa, perdida em pensamentos:


- Isso é tudo o que de fato interessa.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A menina- poesia.



Dizem que surgiu do nada, igualzinho a chuva de verão. Quem é que ia prever uma coisa dessas? Dizem que apareceu ainda criança de colo, no meio do dia. Pisca um olho, a praia deserta. Pisca o outro, um bebê rastejando na areia, brincando com conchinhas.

Dizem que foi criada por uma velhinha de cabelos grisalhos e longos. Dizem também que foi adotada por um casal que tinha doze filhos. Outros falam ainda que cresceu sozinha, na praia. Eu não sei. Mas o que importa é que a menina cresceu...

Dizem que não saía do mar. Nadava de fazer inveja ao peixe mais nadador. Mergulhava tão fundo sem prender a respiração. Disseram logo que era filha do mar.

Dizem que também corria depressa. Ninguém pegava a menina na carreira. Os cabelos loirinhos esfarelando-se no ar, apenas um vultinho corredor lá longe. Disseram então que era filha do vento.

Dizem que era capaz de transformar até o coração mais duro numa maria-mole. Dizem que encantava a toda gente. A menina era mais doce do que sorvete.

Dizem que tinha os olhos azuis que nem céu de janeiro. E a pele assim bronzeada, de tanto tomar sol. Juntava isso às faces rosadinhas e dá-lhe beleza de fazer inveja às meninas bonitas da capital.

Dizem também que olho azul não tinha, não. Muito menos cabelo loiro, veja só! Muitos acham que a menina era mesmo bem morena; ou talvez ruiva, me fugiu à memória.

Dizem que quase não falava. Vivia num significativo silêncio, tímida, delicada. Dizem outras línguas que a menina era muito tagarela, não parava de falar. Eu não sei.

O certo é que não tinham certeza mesmo de quase nada; muito pouco de fato se sabia sobre aquela menina.

Mas em uma coisa todo mundo concordava: a menina era a própria poesia.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

...

Às vezes precisamos deixar todos os pensamentos pra depois, sabe? Varrer a mente de toda essa loucura. Não é sempre que dá para analisar todas as coisas, todos os momentos, todas as mancadas, todos os "e se"... não assim, não tudo de uma só vez. Às vezes tudo o que dá pra fazer é assumir que agora você não dá conta, que agora está impossível, que por hoje você não vai. E só. Não que seja a atitude mais correta, mais bonita, mais admirável. Mas foi o que deu pra fazer. Às vezes o que resta é simplesmente ignorar... e fingir por um momento que tudo está bem, tudo certo, obrigada. Às vezes o que se pode fazer é admitir que não, não sou perfeita, estou em obras, em eterna construção. Às vezes é preciso cogitar um dia de descanso para a mente, pra tentar manter a sanidade. E amanhã eu resolvo tudo, faço as devidas correções, penso nas mesmas coisas por horas a fio... mas hoje não. Hoje é banho, travesseiro e talvez um sonho bom. Hoje definitivamente não dá.

domingo, 10 de abril de 2011

Texto 07 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 ano!"

O Sétimo Lugar do Concurso é da Bruna Meira, que através do texto "Amores Improváveis" revela que até mesmo a mais fria das pessoas é capaz de se encantar com o amor. Parabéns, Bruna! Seu texto é maravilhoso! Blog da Bruna: http://brunameiira.blogspot.com/ ___________________________________________________________________
Amores improváveis.

por Bruna Meira

Ao assistir o último capítulo de uma novela qualquer, por um minuto, Clara se imaginou desfrutando de toda aquela felicidade. Boas festas, família reunida, e quem sabe... um amor. Talvez se considere a novela um pretexto para contar um pouco sobre Clara. Quatorze anos, cabelos lisos e longos e um jeito diferente de ver o mundo. É necessário constar que quase ninguém entendia a cabeça da jovem. Como se explica uma garota, aparentemente fria, guardar consigo grandes sonhos que até ela própria julgava bobagem? Era uma incógnita para todos. As vezes amor demais, as vezes sentimentalismo demais, porém, guardava tudo as sete chaves. Ora, onde ficaria a fama de "durona" se todos descobrissem o que ela traz no coração? Ah... como Clara sentia o amor, como era capaz de ver amor onde ninguém mais via. Como era capaz de esconder isso de todos? A explicação é breve, se resume a uma única palavra: medo. Medo de ser julgada por amar, por demonstrar, por confundirem o que ela sentia. Afinal, será que amor seria, realmente, a melhor definição sobre aquilo que ela trazia no peito? Aquele sede insaciável de viver o amor, de compartilhar o amor. Dedicava horas do seu dia à leitura e sonhava, e como sonhava... Sonhava viver um amor shakesperiano, com todos os pós e contras encontrados naqueles. A ideia de um romance casual apavorava a jovem, como temia que sua vida tomasse o mesmo rumo da vida das demais pessoas. Se angustiava ao ver relacionamentos monótonos, e apesar de não ter certeza sobre muita coisa, sabia que não queria aquilo para sua vida. Sua vontade de desacreditar era imensa, mas nem lutando contra isso tirava da sua cabeça que seus maiores sonhos ainda se realizariam. Algum dia, encontraria sim um grande amor, que a amasse tanto quanto, entretanto esse amor seria testado. Haveria de passar pelo sofrimento, pela dor e superaria tudo isso, pois só se tem a certeza de que é amor, se já passou pela experiência da dificuldade. Encontrariam nas dificuldades motivos para se fortalecerem, e assim afirmariam com convicção que: "o nosso amor superou tudo".

sábado, 9 de abril de 2011

Vamos Construir?


Acho horrível a capacidade que algumas pessoas têm de destruir. Destruir sorrisos, destruir manhãs, destruir sonhos. São pessoas que através de uma palavra, de um gesto, de um comentário maldoso ou de uma crítica mal estruturada espezinham, machucam, pisam, humilham os outros seres humanos ao seu redor. Por onde passam, deixam rastros de tristeza, angústia, vergonha, dor. Vão fazendo o dourado ficar cinza, vão desinventando as cores em sua jornada. Massacram corações, fazem chorar e nunca pedem desculpas. Essas pessoas, geralmente, têm o péssimo hábito de dar uma opinião mesmo que você não tenha pedido. Não são suas amigas, não são seus familiares, não sabem nada sobre você, mas te julgam assim mesmo. São aquelas que falam mal de você para terceiros, torcem pelo seu fracasso e comemoram qualquer vacilada sua. Criticam seu novo corte de cabelo, mas amanhã mesmo aparecem com um igual. Não te olham com amor, não desejam o seu bem, nem fazem críticas construtivas. Afinal, querem mesmo é destruir. Você, no caso. Sabem exatamente porquê você é do jeito que é, têm teorias mirabolantes sobre sua personalidade e de vez em quando despejam todo o conteúdo de suas mentes doentias na sua cara. Assim, sem mais nem menos mesmo. É quando você se assusta e começa a procurar motivos para tanto ódio, tanta amargura. Revira a memória, busca desentendimentos remotos, hipotéticas palavras de ofensa, qualquer coisa que justifique as atitudes daquelas pessoas. Mas você não acha nada. Você nunca brigou com aquela pessoa. Na verdade, você nem mesmo se lembrava dela até que ela viesse e botasse fogo na sua paz. É quando eu me pergunto: por quê tem tanta gente interessada em destruir a felicidade dos outros? Será que é falta de uma vida interessante, falta do que fazer, imaturidade, inveja, incapacidade de cuidar da própria vida ou simplesmente maldade, pura e desmedida? Bom, eu realmente não quero saber. Só sei que quero ser o mais diferente possível de gente assim. Quero construir. Nem sempre consigo, mas estou sempre tentando. O melhor caminho a seguir nessas situações é esquecer. Esquecer tudo aquilo que você escutou e que não te fez melhor, aquilo que te fez sofrer e não te engrandeceu em nada. Perdoar e seguir em frente. É hora de aprender a escutar apenas aquilo que constrói, que edifica. Todo o resto é bobagem.



(Que Deus nos ajude a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados... O que você gostaria de receber: críticas construtivas ou negativas? E o que gostaria de ouvir: palavras de construção ou de destruição? Quantos de nós teria coragem de orar no final do dia: "Senhor, trata-me amanhã como tratei os outros hoje."?)

Texto 06 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 ano!"

A Maria Rosa Araújo Viana, de 13 anos, ganhou o Sexto Lugar do concurso, com um poema intitulado: "Até quando, até quando violência?". Parabéns, Maria Rosa! Seu poema é muito verdadeiro e expressa bem a necessidade de se criar uma cultura de paz. ____________________________________________________________________
Até quando, até quando violência?

por Maria Rosa Araújo Viana


Todo ano morrem milhares de pessoas,

Milhares de pessoas vítimas de violência.

Todo tipo de violência:

São assaltos, atentados terroristas, sequestros.


Até quando, até quando viveremos assim

Num mundo marcado pela violência,

Sem a certeza de que estaremos vivos.


Penso nas famílias que perderam seus parentes

Seus parentes queridos

E naqueles que perderam seus amigos.


Com cada vida que se vai,

Vai um pedaço de alguém.

De quem amou, de quem criou,

De quem gerou, de quem quis bem.


Quando irão parar?!

Pais de filhos, irmão de irmão,

Amigo de amigo,

Quantos eles ainda separarão?


Quantos inocentes irão restar

Pagando com sangue e sofrimento

Pela maldade e loucura

Daqueles que semeiam o medo pelo vento?


É necessária uma nova cultura

De paz e de amor

Para que o ser humano reencontre em si mesmo

A face do seu Criador!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quando eu prometi viver cada dia como se fosse o último... ou simplesmente: Sobre vidas e borboletas

E de repente você se pega pensando na vida, na morte, no amor, na dor, no medo, em tudo. Bem na frente da TV, em meio a um telejornal que narra a morte de 13. E você começa a pensar também na fragilidade da vida, na ilusão do "para sempre", na mentira apregoada "há muito tempo pela frente". A verdade é que pode não haver tempo nenhum. A verdade é que o "para sempre" sempre acaba mais cedo do que podemos prever. Assim como as 11 garotas e os 02 garotos que provavelmente pensavam ter "a vida inteira" pra viver, que faziam planos para o final de semana, e que talvez pensassem em mandar um cartão de pedido de desculpas à mãe, por não ter lavado a louça quando ela pedira. Alguns preocupados com a prova da semana que vem - quem sabe?-, ou até mesmo ensaiando um pedido de namoro a ser feito praquela pessoa especial... 12 a 14 anos. Tão pouco tempo para quem pensava possuir a vida inteira! Talvez imaginassem morrer um dia. Mas com 80 anos, cinco netos a segurar-lhes as mãos enrugadas, e dois filhos a conversar com o médico. Provavelmente, eles não imaginaram que morreriam ontem. Não podiam imaginar, porque lá fora o sol brilhava, e o dia prometia, e havia a promessa de um futuro melhor. E havia ainda o final de semana, e poderiam então jogar todo o futebol esquecido nos dias de semana, e ir ao shopping, à casa da Fernanda ou da Julinha, e ainda podia ter até bolo de aniversário pro irmão caçula. E então no domingo à noite, iriam lamentar a eminente chegada da segunda-feira, e toda a lição, e tanta matemática. Mas iriam acordar na segunda! Iriam respirar, iriam caminhar sorridentes rumo à escola! E haveria farra e conversa paralela de enlouquecer o professor, todos contando ao mesmo tempo as novidades do final de semana. E isso faria toda a matemática valer a pena. Tantas vidas interrompidas aos doze! Tantas mais aos treze, aos quatorze! Interrompidas na marra, ao som de revólver disparando, balas estourando, e queimando, e doendo. Cheiro de medo e sangue no ar. Há quem diga que o melhor é ter mesmo 15 anos; outros preferem ter 18 e poder dirigir. Bom, eles nunca saberão. Estão todos adormecidos. Não vão crescer, não vão viver, não vão se casar, não vão ter filhos, nem fazer faculdade. Paralisados para sempre aos 12, 13 e 14 anos.


É quando você acorda dessa divagação sobre a vida, sobre a morte, sobre o ser ou não. E consegue pensar numa coisa só: poderia ser seu filho, seu irmão, seu amigo, seu pai, sua mãe. Poderia ser você, afinal. De repente, você se dá conta de que a vida é breve, que o "pra sempre" não existe, que as pessoas que você mais ama não estarão do seu lado para sempre, que a vida é uma borboleta que pode sair voando, inalcançável, a qualquer movimento mais brusco. E, de repente, você percebe que hoje é um presente, que essa hora é um presente, que esse minuto, esse segundo, esse milésimo, são todos presentes preciosos. Preciosos demais para se gastar de qualquer jeito, com qualquer coisa, com qualquer verdadezinha egoísta, com qualquer sentimento mesquinho. A vida é agora, acontece agora e não daqui a cinco minutos. Sim, cinco minutos fazem muita diferença.


O que será que todas essas crianças terrivelmente mortas trocariam por mais cinco minutos de vida?


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(Às vítimas da escola de Realengo.

O que poderia dizer a vocês, meus queridos e minhas queridas? O que dizer a vocês que amenize um pouco a dor, o sentimento de revolta, o sentimento de perda, que justifique todo o medo? Palavra nenhuma que eu disser, escrever, gritar, fará com que tudo se transforme apenas num cruel pesadelo. Nenhuma palavra minha tem o poder de fazer com que vocês se levantem e voltem a respirar. Então, ofereço a vocês o melhor que posso: meus pensamentos, minhas orações e esse texto, que é dedicado a vocês. Desejo que todos vocês sejam acolhidos por Jesus, recebidos com um abraço de Pai que só Ele pode dar. Dizem que Ele tem o melhor abraço do mundo, meus queridos. Um abraço que cura as dores, que apaga as tragédias, que retira o medo e devolve a paz. É isso: desejo que vocês sejam abraçados por Jesus e acolhidos por Ele no paraíso. Fiquem em paz.)

Texto 05 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 Ano!"

O Quinto Lugar do Concurso foi conquistado pela Mariana Tavares Spezani, autora de "Mártir", um texto muito original e interessante. Parabéns, Mariana! Blog da Mariana: http://letraslivros.blogspot.com/

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Mártir

por Mariana Tavares Spezani

Acabara de sair do tribunal, mais uma causa ganha. Fora difícil e exigira muitas noites sonolentas de pesquisas e preparação, mas Letícia não estava feliz. Tentava manter a postura, a face séria e confiante que aprendera a usar, mas na verdade... Aquela dor dilacerava-a. Como poderia doer tanto assim? Era tão recente e, no entanto, a dor era tão profunda!

Logo hoje que fora trabalhar sem carro... Era mais torturante ainda ir andando pra casa, tentando não chorar ou fazer cara feia. Era uma cidade não muito grande, todos se conheciam, ela precisava manter a compostura! Mesmo que cada segundo a torturasse, heroicamente caminhava até sua casa, não muito longe, mas - ah! - como a dor era profunda!

Alguns dizem que dor é psicológica, basta se concentrar e você verá que, na verdade, não sente nada. Letícia adoraria ter uma conversinha com essas pessoas agora. Elas nunca deveriam ter sentido a dor que ela estava sentindo. E como era difícil manter a expressão séria quando tudo que queria era enroscar-se em um canto e morrer... Era desumano sentir tamanha dor!

Faltavam 3 quadras. Será que já sentira tanta dor assim na vida? Céus...

Uma mulher parou em sua frente, bloqueando a passagem e obrigando-a a parar. Sorria abertamente, uma velha colega de classe, da turma de direito. Tagarela, eternamente feliz. A pessoa errada para se encontrar em um momento como aquele.

- Letícia querida! Quanto tempo!

- Realmente, Lúcia. Você anda sumida. Mas eu to com um pouco de pressa...

A dor tendia a piorar, dava vontade de chorar. Com mais algumas palavras tolas e falsas, finalmente lúcia foi embora e Letícia pôde continuar seu caminho.

Duas quadras apenas.

Por mais que fizesse força, não conseguiu. A essa altura, as sobrancelhas franziram e a expressão de intensa agonia tomou conta de seu rosto. Mas como era forte aquela Letícia!

Conseguiu recompor-se apenas dois passos após. Tinha de ser policiar, ser disciplinada.Mais uma quadra e estaria em casa! Não que estar em casa pudesse ajudar realmente. Duvidava que até mesmo um tiro pudesse doer tanto.

Estava dividida entre o instinto de correr e a necessidade racional de manter o ritmo da caminhada. Faltava tão pouco... E doía tanto! Espetadas de agulhas pontiagudas... Facas rasgando-a.... Nunca fora o tipo de mulher que tem medo de barata, chora à toa e vive desmaiando mas, ao experimentar aquela dor, reconheceu que desmaiar seria perfeito. Uma saída muito fácil.

Finalmente... FINALMENTE. Entrou em seu prédio, grunhiu um rápido "boa noite" para o porteiro, nem mesmo viu se havia recebido cartas. Seu foco era penas o elevador.

Graças a Deus, estava subindo a caminho do 10º andar, seu apartamento! Sonhava com um banho, um descanso no sofá. Se ver livre da dor, quem sabe? Se nada desse certo, talvez tivesse algum veneno de baratas em casa que pudesse tomar... Qualquer coisa pra não ser mais torturada.

8º... 9º andar... Parecia uma eternidade. Aquele elevador sempre fora tão lento assim? Parecia que ria de seu desespero, de seu suplício. Quando finalmente entrou em casa, a irritação por aquela tortura ridícula superava toda a dor.

Trancou a porta, tirou a sandália que comprara essa semana e, apesar de maravilhosas e caras, jogou-as no lixo.

Finalmente, livre do tormento para sempre!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Texto 04 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 Ano!"

O Quarto Lugar do Concurso pertence à Thayanna Mendes Araújo, que através de um texto tocante nos mostra a complexidade de um sentimento. Parabéns Thayana! Blog da Thayana: http://meuidoloeeu.blogspot.com/ ______________________________________________________________________ Meu coração arde quando te vejo, a angústia de não te ter do meu lado aumenta me tirando o fôlego. As pulsações são tão lentas que me assustam. Os pensamentos negativos me desafiam. O arrependimento vem à tona me perguntando se foi um erro me apaixonar. A insegurança acompanhada do medo me faz desistir desse amor e as lembranças de algo que poderia ser verdade me mutilam. Os segundos se tornam anos e as horas uma eternidade. A inveja que sinto das pessoas que podem te tocar me deixa completamente doida, capaz de fazer qualquer loucura. O ódio me faz desabar encontrando refúgio nas minhas próprias lágrimas. A depressão é contagiante, então me isolo esquecendo que lá fora eu tenho uma vida. A dor invadiu meus sonhos, transformando o que antes era doce em amargo, o que era colorido em preto e branco. Minha vida se desmorona. A distância é o fim e a tristeza toma conta, mas de alguma forma inexplicável a esperança se manifesta me alimentando para todo o sempre.
por Thayanna Mendes Araújo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Texto 03 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 Ano!"

A Paty Oliveira e a Vanessa Christiane ganharam o Terceiro Lugar do Concurso, com um texto que emociona ao falar de amor não correspondido entre amigos. Parabéns, meninas! O blog da Paty e da Vanessa: http://blogmundoimperfeito.blogspot.com/

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Por muito tempo você ficou atrás de mim, tentando me conquistar em cada pequeno gesto, seus olhos brilhavam ao me ver e inexplicavelmente me sentia segura ao seu lado. Por mais que você me pedisse, eu não conseguia abrir meu coração, na verdade eu não queria, me fechando em um mundo particular. Foi quando você me virou as costas e tudo passou a ser mais ameaçador. Sentia que não tinha a proteção que apenas você me dava. Não vou dizer que te amo,por saber que não é esse o sentimento; a única coisa que sei, é que sim, você faz falta, sim, você é mais do que um amigo. É um anjo que veio para me mostrar algo. Depois de palavras tão duras, você se afastou. Não te amo como você queria, porém você está aqui dentro, faz parte desse coração idiota, e me sangra ao ver seu olhar triste tentando me evitar. Não prometo que te amarei como homem, porém te amo de uma maneira que não suportaria te perder. Me perdoe se não consigo te amar, juro que tentei, porém não foi só você quem derramou lágrimas no silêncio do quarto. Eu também chorei, presa em uma situação que me faria te perder, independente do que fizesse. Perdão por não ter te dado o que você esperava. Por ter te feito sofrer por mim. Meu peito chora em sincronia com você, porém por sentimentos diferentes, mas medos iguais, medo de te perder. Me perdoe, amigo...


por Paty Oliveira e Vanessa Christiane

terça-feira, 5 de abril de 2011

Texto 02 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 ano!"

O segundo lugar do Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 Ano!" foi conquistado pelo texto da Ju Leiria, intitulado "Eu e o teu eu". Ju, parabéns! Seu texto é muito criativo e emociona pela sinceridade dos sentimentos inseridos no papel. Blog da Ju Leiria: http://juleiria.blogspot.com/ ______________________________________________________________________
Eu e o teu eu

por Ju Leiria


Eu e o teu 'eu imaginário' me bastam. Sou muito feliz te imaginando comigo do meu jeito, do meu lado. E só pra constar, nós somos muito felizes. Esses tempos eu te acordei cedo, antes mesmo de clarear o dia. Fomos viajar. Juntos, testemunhamos um nascer do sol belíssimo. Ficamos maravilhados ao apreciar os primeiros raios do sol tocar em nossa pele. Tu és uma ótima companhia de viagem, baby. Eu te levo sempre junto comigo. Pra todos os lugares. Nunca te abandono. Por onde passeio, sempre te carrego junto. Andamos de mãos dadas por aí, espalhando felicidade. E posso afirmar com certeza: somos um casal de dar inveja.Quando chove forte, tu estás sempre comigo, me abraçando, acalmando o meu coração. E depois da nossa chuva sempre tem um arco-íris. Eu te chamo depressa, tu vens correndo, e juntos curtimos a bela imagem colorida proporcionada pelos céus. E quer melhor companhia que a tua na fila do banco? Com esse calor, com tantas pessoas mal-educadas por aí, tu nunca me abandona, sempre dá um jeitinho de ficar ali do meu lado, me distraindo com palavras agradáveis, fazendo o tempo passar mais rápido. E a tua mania de ir deitar na cama exatamente na hora em que eu também vou deitar? Nunca me deixas esperando no colchão. Fazes sempre questão de deitarmos ao mesmo tempo, numa sincronia que até Deus duvida. Isso que é companheirismo. Mas, claro, não sem antes batermos aquele papo gostoso, fazer alguns planos pro finde ou confessar alguns pensamentos que ocorrem no momento. Tu sabe que eu não durmo sem o teu boa-noite. Tu estás sempre preocupado comigo. E eu contigo. Tu sempre me perguntas se eu já comi, se dormi direito, se estou feliz. Acho que sou a mulher mais sortuda do mundo. De onde tu tiras tanto zelo, tanto carinho, tanto amor? No próximo finde nós vamos pra praia, que tu tanto gostas. E já estou imaginando eu e tu acompanhando o movimento das ondas do mar, num lindo fim de tarde. Já te vejo contemplando a imensidão do céu, jogando bola com algumas crianças na areia... Já te imagino correndo em minha direção, com olhos curiosos, querendo descobrir as palavras que escrevi na areia. Ultimamente, temos conversado bastante, mais do que o normal. Acho que estamos nos entendendo bastante, apesar do teu ciúme bobo. Adoro acordar cedinho de manhã para discutirmos sobre a vida, sobre o amor, felicidade, sonhos... Meu coração anda tranqüilo, minha respiração suspira aliviada, meus olhos sorriem. Estou feliz. Estamos felizes.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Texto 01 - "Concurso Deixa a Alma Respirar - 01 Ano!"

Hoje é o dia do resultado do concurso que promovemos para comemorar o aniversário do blog. Foram inscritos muitos textos, cada um com sua beleza e sua inspiração. Sem dúvidas, foi difícil escolher apenas sete! Parabenizo a todos os autores inscritos. Esse foi mesmo um concurso da mais alta qualidade, graças a vocês! Agradeço a participação de todos! (Para lembrar: cada texto escolhido será publicado individualmente, cada um em um dia da semana que vai de hoje, 04 de Abril, a dia 11 de Abril.) Vamos agora à ganhadora do Primeiro Lugar do Concurso. Com um texto lindo, inspirado na música "Eduardo e Mônica" (Legião Urbana), a Isabela de Oliveira Nunes Costa, 14 anos, aborda de forma suave e romântica o amor. Realmente encantador. Parabéns, Isabela! Blog da Isabela: http://menosquesonhos.blogspot.com/ ___________________________________________________________________
Amor Alheio

por Isabela de Oliveira Nunes Costa

Alice Clara Lívia. O nome fazia jus à garota. Ela era estranha, e com o perdão da palavra, deslocada. Assim como a junção mal feita de seus nomes, ela não se juntava às pessoas. É como se ela fosse um óleo e mandassem ela se misturar com a água. Quimicamente impossível. Psicologicamente impossível.Ela já se conformara em ser diferente, em querer falar demais quando todos queriam silêncio, em querer pensar quando todos queriam agir. Em querer ser irresponsável quando todos queriam ser o exemplo. Eu, humildemente, penso que ela queria ser diferente e não sabia que já era. Ela sabia que tinha essência e sabia que não tinha amigos. Estava na mesma sala há três anos e ainda ouvia pessoas perguntando qual era mesmo o nome dela. Ela era exatamente o tipo de pessoa que não chama atenção, até você conhecê-la.E devo dizer, aquele garoto moreno com o sorriso de lado teve sorte. E quanta! Ele primeiro se sentou ao lado dela, era novo na escola e não sabia que todos a achavam um tanto quanto louca. Ele se sentiu insultado quando ela nem olhou para ele e fez questão de chamar a sua atenção. Pegou uma caneta do estojo dela sem dizer nada e escreveu na mesa o seu nome. Ela achou aquilo fofo, seus olhos brilharam e sua boca tremeu, escondendo um sorriso, pegou a caneta da mão dele e escreveu ali o nome dela, aquela junção descombinante de nomes suaves.Ele percebeu a estranheza do nome, e achou que era a cara dela. Não que ela fosse feia, tinha a pele branca coberta de sardas, cabelos ruivos brilhantes e lisos. Os olhos verdes misteriosos como quem sabe de um segredo delicioso e envolvente.E de repente ele passou a gostar de sardas, vai dizer que não são bonitas? E olhos verdes? Ele sempre gostará, ou ao menos ele achava que sim.E foi assim, o misterioso verde com o castanho envolvente dos olhos dele, um sorriso de lado e outra boca tentando não imitar a ação da primeira. Eles não tiveram uma história perfeita. Tiveram uma história verdadeira. E bem lá no fundo, eles me lembram os personagens de uma música, onde Legião Urbana canta como quem nem percebe que está cantando. Porque para mim eles são Eduardo e Mônica – aquelas duas pessoas completamente diferentes, mas que você não consegue imaginar separados.E deixa-me dizer, antes que eu esqueça, o nome dele é mesmo Eduardo, ela é mesmo de leão e a nossa amizade realmente dá saudades no verão. E quando eu mostrar esse texto para eles a Alice vai rir como quem sabe de algo que mais ninguém sabe e o Eduardo vai olhar para ela como quem realmente sabe qual é esse segredo. E eu? Eu vou ficar lá, tentando não procurar razão nas coisas feitas pelo coração.

Feliz Aniversário!


Há exatamente um ano atrás, criei esse blog com a intenção de organizar melhor as minhas idéias através da escrita. Porque, cá entre nós, quando escrevemos tudo parece menos confuso e as soluções parecem estar mais aparentes. Com o passar do tempo, o que era apenas uma tentativa de auto-conhecimento transformou-se em uma verdadeira paixão. E o "Deixa a Alma Respirar" se tornou o meu melhor amigo. Ao longo do último ano, todas as minhas idéias - umas mais sérias, outras menos relevantes, algumas apenas "coisas de menina", outras frutos de engajamento político e social - foram fielmente registradas aqui. Tem sido algo importante compartilhar com todos vocês tantos pensamentos. É maravilhoso ler todos os comentários, é mágico fazer parte dessa interação. Tomara que a gente comemore muitos e muitos outros aniversários juntos. E que cada vez mais gente faça parte dessa nossa realidade.

Que haja sempre partilha, integração, identificação, sentimentos e palavras...

Um brinde à inspiração!


Feliz Primeiro Aniversário para todos nós!

domingo, 3 de abril de 2011

Quinze minutos.


E hoje bateu uma vontade de texto grande, daqueles que a gente vira uma página, outra e depois mais outra e nem sinal de finalmente. Daqueles que quando a gente lê se esquece do mundo lá fora, dos problemas, das desilusões. Aqueles textos longos que enchem nossos olhos de palavras e nos esvaziam de infelicidade, de meios-termos. Que mudam a vida da gente, o olhar, o jeito de falar, o sentimento guardado no peito. Que mudam a gente - se não para sempre, pelo menos por quinze minutos.

sábado, 2 de abril de 2011

Pra valer a pena.

Ela precisa de alguém que fique, quando todos os outros iriam embora. Ela precisa de alguém que insista, calma e ternamente. Alguém que bata na porta, faça barulho, atire pedrinhas na janela até que ela saia de casa. Alguém que a espere sair na varanda para então começar uma serenata, ou que simplesmente tire do bolso um Serenata e lhe presenteie numa manhã, sem mais porquês. Alguém que tenha um grande sorriso e uma rosa nas mãos, de vez em quando. Que a busque no trabalho sem avisar, que a surpreenda e a faça se sentir viva. Que lhe envie um buquê de tulipas, exatamente porque ninguém envia buquês de tulipas. Que comece a cantar no meio da rua só para vê-la sorrir. Alguém que seja natural, doce e espontâneo na mesma medida em que é forte e decidido. Alguém que lhe ajeite os cabelos e lhe diga que toda essa rebeldia não passa de um disfarce para um coração tão meigo. Ela precisa de alguém que ria de seu eterno estado de estresse, e em seguida diga que ela fica linda quando está nervosa. Alguém que tenha um jeito único, capaz de fazê-la desmanchar-se em sorrisos, alguém com quem ela queira correr todos os riscos. Alguém que a olhe nos olhos e diga com firmeza que não, não vai embora, porque no fundo não é isso que ela quer.

Mas ela precisa, principalmente, de alguém que a faça querer ficar.



(Cena do filme Diário de Uma Paixão. Noah, - exemplo de alguém que realmente fez a mocinha querer ficar do seu lado, pra sempre - está dizendo: "Eu quero você por inteiro, pra sempre, você e eu, todo dia." )