Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de uma garota de 21 anos, Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ponto Final

Estou com saudade de você. Não me peça para dizer porquê... Muito menos para explicar o que sinto nesse momento. Sem motivo ou explicação. Saudade, e só.
A verdade é que sinto falta de tudo, de tudo que ainda não aconteceu. Saudades do que não houve. Eu sei que é contraditório, eu sei. Mas talvez o próprio amor seja uma contradição. Ou mais além: pra quê contradição maior que a vida?!
Estou a cada dia mais convencida de que todo esse aperto no peito, esse vazio que me enche de tristeza e solidão são, no fundo, sintomas de saudade. Saudade aguda, é o diagnóstico final.
Eu sinto sua falta. I miss you. Diria em outras línguas também, se eu as soubesse. Me dou conta de que não sei sequer qual língua você fala. Nem o país onde vive. Não te conheço. Não sei quem você é. Desconheço a cor dos seus olhos quando você chora, o jeito com que penteia seu cabelo, seu desejo mais íntimo, seu medo mais profundo. Não sei qual é a sua cor preferida ou quem é seu melhor amigo. Enfim, não sei nada sobre você. Mas isso não muda o fato. Eu sinto a sua falta. Ponto final.

3º Lugar no Concurso Happy End 2010


O Deixa a Alma Respirar ganhou o 3º Lugar do Concurso Happy End 2010, promovido pelo blog Primeiro Livro. A postagem que nos rendeu esse prêmio: http://deixaaalmarespirar.blogspot.com/2010/11/quando-ele-entrou-por-aquela-porta-eu.html

Agradeço a todos vocês, seguidores do Deixa a Alma Respirar, por todo o apoio e compreensão. Dedico esse prêmio a vocês!

Que 2011 seja próspero e proporcione a todos nós realizações, sucesso e felicidades!


Com grande carinho,

Ana Teresa Araújo Viana.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desatino coerente


Num desatino coerente, desisti de tentar corresponder a todas as expectativas. Abri a gaveta e num ímpeto joguei fora os velhos papéis. Anotações, lembretes, sonhos e desejos de uma vida que há muito não era mais a minha. A caderneta de telefones. Maioria números discados por obrigação. A elegante obrigação social de dizer olá, tudo bem, como vão as crianças, e etc e tal quando no fundo a única coisa que se quer é ficar em casa olhando o céu através da janela. Joguei-a fora também. Despi-me das fantasias inúteis e dos desejos ingênuos de quem vive para agradar alguém. Resolvi admitir-me como sou; eu por completo, minhas certezas e minhas dúvidas também. O que sou e o que não sou. Por enquanto. Lavei a cara e a alma de toda a maquiagem. Sem mais desculpas, sem mais angústias, sem mais disfarces. Saí fora de tudo aquilo que há muito não me agradava. E consegui pensar claramente em minha vida e em minha única obrigação, a qual chamamos ser feliz. E não importa quanto tempo leve, o quanto as pessoas falem, não importa mais nada além da felicidade que estou pronta para buscar. Finalmente a gaveta está limpa. Minha alma também.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Wind of Change

Eu só sei que as coisas vão ser diferentes.
Tive essa certeza quando senti o vento que entrava pela janela aberta. O vento estava diferente aquela noite, e parecia trazer mudanças em sua composição. Mais frio que o normal, mais vagaroso, mais sutil e mais breve.
Levantei-me e me analisei diante do espelho grande da sala de estar. O vento não havia sido o único a mudar nos últimos anos. Meu rosto mudara, meu corpo mudara, meus traços agora estão mais marcados, mais evidentes, e meus olhos já não riem como antes, não com tanta frequência.
Abri a gaveta da escrivaninha, peguei o caderno velho, velho conhecido meu. Reli todas as páginas escritas do meu diário quase secreto. Meus escritos vinham mudando há algum tempo, me dei conta. Meu estilo era outro, algo mais frio, mais vagaroso, mais sutil e mais breve.
Me dei conta de que acompanho o vento... Nós dois assim tão instáveis, tão voláteis, tão andantes, tão indecisos, tão frescos, tão... incompletos. Duas almas assim tão impetuosas. Desejosas de liberdade!
Fechei os olhos, concentrei-me em escutar o que o meu irmão vento estava a me dizer.
Foi então que tive a certeza de que as coisas vão ser, sempre, diferentes.
O vento me anunciava mudanças.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu não vou esperar que você sorria para que só então eu possa sorrir. Nem vou dizer que minha educação depende da sua, porque não depende. Muito menos a minha sinceridade, a minha entrega, o meu compromisso. Mesmo que você jamais me conte a verdade, mesmo que você me engane, eu não vou fazer o mesmo. Não, não vou. E não pense que será por sua causa, oh, não; isso é em nome de uma causa muito maior. Eu simplesmente vou continuar sendo sincera, sempre, mesmo que pareça loucura, burrice, auto-enganação. Eu vou ser sincera porque amo a verdade, porque é tudo em que acredito. Não tem nada a ver com você, ou com suas atitudes. Aliás, elas não serão parâmetros para o meu comportamento. O meu único parâmetro são os meus princípios. E, creia: eles não vão mudar só porque você está sendo desleal. Mesmo que não me sorriam de volta, eu vou sorrir, e vou dizer por favor, e muito obrigada, quantas vezes forem necessárias. E mesmo que não sinta gratidão em sua alma, vou continuar te ajudando. E amando você, mesmo que eu ache que você não me retribui o amor que lhe dou. No fundo, sei que você ama da maneira que sabe, da maneira que aprendeu; você só ama diferente de mim, e isso não significa que um de nós ame mais ou menos. E não importa quantas vezes eu ainda quebre a cara, não importa. Eu vou levantar e tentar de novo, e de novo, e mais uma vez. E a cada vez com os mesmos princípios, sem mágoa ou amargura.
Mas é certeza que irei continuar sendo o melhor que posso ser, mesmo nas adversidades, mesmo que me digam que você não mereça. Porque não faço isso por você. Faço isso por mim. Faço isso por todos aqueles que acreditam ainda haver decência na alma humana.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Interessante constatar que o tempo traz amadurecimento, e que o amadurecimento nos leva a um novo conceito do que é amor.
Quando mais novos ou mais inexperientes, temos uma certa tendência a achar que, para merecer o nosso amor, as pessoas têm de ser perfeitas. E de fato buscamos a perfeição em cada um que encontramos, e até mesmo exigimos a perfeição em alguns casos. Daí surgem as decepções, as frustrações, pois idealizamos um ser perfeito, em seus pensamentos e suas atitudes, e tudo o que encontramos por aí são seres humanos, tão imperfeitos quanto nós mesmos. No início, nos recusamos a admitir que todos temos defeitos, assim como temos qualidades. Pensamos que um dia irá surgir o príncipe de nossas vidas, que nos compensará por todos os "sapos" encontrados pelo caminho. Detalhe: esse príncipe é exatamente aquele que idealizamos. Irremediavelmente perfeito.
Mas o tempo passa, as estações mudam, e com as estações mudam também nossos pensamentos, nossas idéias... Começamos a pensar na possibilidade da inexistência da perfeição... Até que um dia nos deparamos com a nossa própria imperfeição, e então descobrimos que não devemos esperar a perfeição dos outros. Então fica mais fácil ser feliz.
Eu me dei conta de que as pessoas que amo não são nem de longe perfeitas... Nem sempre são as mais belas, as mais inteligentes, as mais amáveis, as mais delicadas... não são heróis ou heroínas. São simplesmente seres humanos que respiram, falam, andam, sentem, amam, choram, ficam nervosos, riem, encantam, decepcionam, erram, acertam, falham, magoam, ficam magoados, pedem desculpas, perdoam...
Eu me dei conta de que o amor não tem nada a ver com perfeição. E que ninguém precisa ser perfeito para ser amado.
Na verdade, o amor liberta da obrigação da perfeição. E com isso, torna nossas vidas mais belas, mais fáceis, e mais prazerosas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tudo dera errado naquele dia. As coisas pareceram fugir ao controle de Jessica, mas ela foi forte o bastante para não cancelar nenhum de seus compromissos. Assim, mesmo após ter passado horas no escritório, Jessica seguiu para o restaurante preferido de Henri, seu filhinho de cinco anos. Ela sabia que o garoto esperava por esse dia há semanas. Não havia a possibilidade de decepcionar o filho. Ela se recusava a fazer isso, mesmo que sua vontade imediata fosse ir para casa e tomar um bom banho ao som de música clássica, tudo regado a uma generosa taça de vinho. Isso podia esperar, ela concluiu. Concluiu também que teria uma ótima noite ao lado de Henri e de seu marido, Rodrigo. Jessica decidiu-se a isso; nada poderia estragar sua noite perfeita.
Ignorou todos os problemas, e dentro de meia hora Jessica já se encontrava no restaurante, junto com sua família. Procurou se divertir ao máximo. Aquela noite não seria nada menos do que inesquecível, ela pensou.
Mais tarde, Jessica dava o beijo de boa noite em Henri, colocando-o para dormir, quando o garotinho disse:
- Mamãe, seu dia foi mesmo horrível?
Jessica assustou-se com a pergunta repentina, mas sorriu tranquila e respondeu:
- Não, meu amor, meu dia foi incrível.
Henri pareceu confuso.
- Mas você disse que teve tantos problemas hoje mamãe...
Jessica simplesmente segurou a mãozinha do filho e lhe disse, baixinho:
- Meu dia foi incrível porque eu decidi que ele seria. Não importa quantos problemas você tenha, Henri; um dia você percebe que tudo é questão de escolha. E hoje eu decidi ser muito, muito feliz, apesar de tudo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As piores situações.

As piores situações sempre me ensinam algo. Com elas aprendi a terminar o que comecei, mesmo que tudo já tivesse dado errado, mesmo que a minha única vontade fosse chorar sem parar. Três anos atrás eu teria seguido essa vontade, sem pensar duas vezes. Mas as piores situações me ensinaram a ser forte quando se deve ser, a segurar as lágrimas por algumas horas, engulir a humilhação, levantar a cabeça e caminhar. Até sorrir por educação, se assim for necessário. Não, não acho que isso seja hipocrisia, ou falsidade. Simplesmente, o tempo me ensinou que algumas ocasiões podem me encontrar abatida, cansada, envergonhada, triste, deprimida, e que não sou obrigada a demonstrar isso a ninguém. Também aprendi que ninguém é obrigado a lidar com minha frustração, minha revolta, e que, portanto, meu sofrimento pode ser particular. E, pelo que aprendi, isso não tem a ver com falsidade. Isso tem a ver com sensatez, com auto-domínio, com experiência, com tempo e com as piores situações. Sim, pois elas me ensinaram que não é preciso escancarar a dor, nem a alegria; que não preciso dessa ânsia em me mostrar ferida, que para ser amada e compreendida não é necessário expor as lágrimas. Se estas vierem naturalmente, que seu caminho não seja interrompido. Mas que sejam lágrimas doces, serenas e afáveis, e não lágrimas de ofensa, amargura, agressão. As piores situações me ensinaram que tenho o direito de reservar à minha solidão e intimidade alguns de meus problemas e dores. E, se eu quiser, inclusive algumas alegrias. As piores situações me ensinaram que não é benigno, não é bonito e muito menos digno de orgulho descontar o meu sofrimento no primeiro conhecido que passa e diz olá. Não é porque estou cheia de problemas que não posso sorrir e responder um oi sonoro e acolhedor. As piores situações vêm me ensinando a separar as coisas, a não culpar inocentes, e não fazer de minha intimidade um espetáculo público. As piores situações me libertaram da falsa idéia da verdade suprema, a todo custo e a todo valor. Eu não vou dizer a uma amiga que odiei a foto do seu convite de aniversário, ou que detestei o seu corte de cabelo, eu não vou arruinar com o dia de alguém só para depois me gabar de ser sincera, e verdadeira. É que as piores situações me ensinaram a diferença entre verdade e crueldade. E que eu posso ser sincera sem ser cruel. Ensinaram também que na maioria das vezes em que penso estar dizendo a verdade estou apenas emitindo uma opinião minha, que pode muito bem estar errada e sujeita a correções. As piores situações me ensinaram que a verdade por vezes é relativa. As piores situações me mostraram que talvez a verdade por vezes nem exista. Acho que as piores situações das nossas vidas nos libertam de muitas coisas. Elas nos ensinam outras tantas. Como por exemplo, que você não morre porque aquele dia foi horrível, ou que não deixará de ir à escola para sempre por estar com vergonha. Inclusive nos ensinam que não há dor que seja eterna, muito menos alegria, e que não adianta sofrer por isso. Nos ensinam que a vida não é injusta simplesmente por ser como é. Acho que as piores situações são as responsáveis por uma grande parcela de nosso amadurecimento. São os aprendizados que acumulamos ao longo das piores situações que nos fazem capazes de sorrir de algo que ontem nos faria chorar. Portanto, acredito que toda pior situação nos torna mais aptos a alcançar a felicidade. As piores situações, no final, nos preparam para sermos mais felizes um dia. Por isso, eu agradeço a cada pior situação que já tive em minha vida, e saúdo todas as piores situações que ainda virão.

A menina que tinha medo da felicidade ou Entre o medo e a felicidade.


Ela achou engraçado ver como a vida nos prega peças. Ela inclusive achou que a vida é um tanto quanto irônica. Ela sempre fora meio moleca, meio levada, se acostumou a ser assim, cresceu e se tornou uma sutil jogadora. Sempre aquela a sorrir para a vida, para as oportunidades. Ela sorria, mas não pensava que um dia a vida sorriria de volta. Sorria por simples deleite, jogava com a vida habilidosamente, flertava com as possibilidades que a atraíam; nunca por esperar algo em troca, mas apenas porque amava se divertir. Um tanto quanto medrosa e por vezes covarde, não foram poucas as vezes em que a menina pensou em mudar seu estilo de vida. Ela cogitava até mesmo se tornar uma garota normal. Porque, bem, ela nunca fora normal, é claro. Acho que foi por isso que a menina achou estranhíssimo quando a vida lhe concedeu seu maior desejo dos últimos anos. Ela olhou para o desejo finalmente realizado, piscou três vezes, olhou de novo, teve medo, até chorou. No fundo ela não queria que ele se realizasse, descobriu por fim. Ela era apenas uma garota sonhadora que gostava de imaginar desejos realizados. Mas era também uma garota medrosa, e tinha medo de ver sua vida mudar completamente através do desejo que se realizou. Descobriu-se infeliz. De que adiantava desejar, se não tinha coragem suficiente para ir até o fim? A pobre menina medrosa de tudo arrependeu-se por um dia ter desejado. Arrependeu-se por um dia ter buscado. Tornou-se além de medrosa, arrependida. Seria para sempre incompleta, incapaz de acostumar-se com a plenitude. Aquela menina, no fundo, tinha medo da felicidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

As coisas podem dar errado, as coisas podem dar muito errado, tudo pode parecer virado, mas tudo ficará bem se você tiver uma certeza: você pode fazer dar certo.

E agora eu descubro uma música que tem tudo a ver com você, e eu me lembro de você enquanto escuto a maldita música. E então eu descubro que outra música também me lembra você, e outra, e outra mais. Para falar a verdade, parece que todas as músicas do mundo foram compostas com o único objetivo de me fazer lembrar de alguém que eu queria esquecer. Isso não me ajuda muito, ainda mais porque não resisto e ligo a repetição, e a dor enche meu peito enquanto eu escuto as músicas que odeio e amo um milhão de vezes. Talvez as músicas me levem até você, talvez elas possam fazer dar certo, mas sei que estou sendo infantil e que tudo isso é apenas sobre uma música que me incomoda, e que eu poderia simplesmente desligar o aparelho. Mas eu não quero, sou teimosa comigo mesma, eu quero ouvir a música e eu quero chorar e me lembrar de você, porque eu me recuso a admitir que acabou. Sei que não acabou, não pode ter acabado, porque eu ainda ligo a repetição, eu ainda repito você.
Algumas palavras não foram feitas para ser ditas. Algumas coisas em alguns momentos devem apenas ficar subentendidas. Você não disse nada que eu não houvesse percebido; eu apenas tentei adiar esse momento porque sabia que algumas palavras têm o poder de quebrar os encantos. Algumas palavras quebram a magia. Eu já sabia disso, mas você não.
- Por que você tinha de estragar tudo?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

No fundo eu já sabia qual seria o final da história. Mas eu continuei lendo o livro. Eu paguei para ver. E de fato eu vi. Bem, tudo o que eu posso dizer é que a minha vida é tudo, menos monótona.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma vez mais.


Eu sei que tudo isso não vai durar até a outra lua...

Eu sei que tudo isso não passa de uma doce, doce ilusão...

Eu sei que você irá embora tão rápido, tão incerto quanto veio até mim

Eu sei que provavelmente vou sofrer por conta desta minha ousadia

Porque eu ousei me apegar a você.

Mas o que eu posso fazer, afinal

Eu não consigo - e não quero - colocar tudo a perder.

Eu sei que quando eu te chamar "saudade"

Terei os olhos úmidos e o coração partido,

Uma vez mais.
- Eu sei exatamente o que eu quero, mas continuo achando que deveria querer outra coisa.
(Eu sei exatamente o que eu quero fazer, mas continuo achando que deveria fazer outra coisa).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Garota Medrosa.


Caro destinatário, você nunca vai receber esta carta, mas se você um dia a encontrar, eu acreditarei que foi obra do destino e ficarei feliz se você a ler.

Hoje eu descobri que eu tenho medo de me apegar às pessoas. Sim, tenho medo. Medo de me apegar demais a alguém, de tal maneira que essa pessoa se torne essencial para mim. Medo de simplesmente não conseguir viver sem ver aqueles olhos, sem escutar aquela risada. Pavor de amar demais, demais, para depois ver partir, às vezes para nunca mais voltar. Hoje eu descobri que me sinto segura apenas quando me sinto amada, parte essencial da vida de alguém, mas ao mesmo tempo não digo à pessoa que a amo, que ela faz parte de mim, e que ela me faz falta. Como se ao dizer o que sinto, ao demonstrar meus sentimentos eu me tornasse frágil, frágil demais. Errada, até. Descobri também que tento evitar todos os possíveis sentimentos de afeição, evito também confirmá-los com as palavras, pois parece que quando digo que amo, aí é que amo mesmo. Talvez minha boca tenha mesmo uma conexão direta com o meu coração; só assim é possível explicar porque até ontem eu estava bem, até ontem, quando não havia dito ainda o quanto você é importante para mim. Depois que eu pronunciei essas palavras, ah, parece-me que o meu coração sentiu-se livre para realmente sentir, como se minhas palavras houvessem sido sua carta de alforria. Ele livrou-se das algemas, dos grilhões, e o resultado foi este: estou morrendo de saudades de você, estou pensando que talvez você não me ame, estou me recriminando por ter dito tais palavras; estou com medo de tê-lo assustado com minha demonstração de carinho, estou te gostando mais do que nunca. Na verdade, tenho medo de que agora você não mais se importe comigo, pois eu já lhe confidenciei o quanto gosto de você. Tenho medo de lhe revelar o verdadeiro tamanho da minha carência, e tenho medo de que você não se sinta preparado para gostar de uma garota tão carente de tudo. Mesmo que você tenha sido o primeiro a demonstrar seus sentimentos - eu tomei esse cuidado, não quis ser demais, reservei-me de modo a esperar a sua confissão; decidi-me e com uma força de vontade ferrenha contive meu impulso de garota sensível, pois meu desejo sempre fora dizer a você, ou melhor, gritar, que te amo, te amo, como de fato há muito tempo não me permitia amar, que te espero todos os dias, e que quando você não vem me sinto a pior pessoa do mundo, parece-me que inclusive perco a capacidade de enxergar em cores, sim, sem você o meu dia se torna cinza - mesmo tendo sido sua iniciativa, eu ainda assim não me sinto segura. Passam-me mil coisas pela cabeça, penso que talvez você queira apenas se divertir às minhas custas, mas ao mesmo tempo me recrimino por pensar tão mal das pessoas, por pensar tão mal de você. Então me arrependo por ter te conhecido, por ter me permitido pensar em felicidade, arrependo-me por pensar que minha felicidade estaria atrelada a você, mesmo sabendo que ela realmente está. Recrimino-me por não dar uma chance para mim mesma, por não dar uma chance a você, por não dar uma chance a nós dois. E digo em voz alta em qualquer conversa da qual participe, digo aquilo que preciso ouvir: quem não arrisca, não petisca; digo isso na esperança de conseguir viver aquilo que eu quero viver, na esperança de conseguir me libertar desse excesso de medo inútil, desse medo da vida, desse mau-hábito de enxergar sombras pelas paredes, de ter medo de tudo. Ao mesmo tempo que tenho medo da vida, tenho medo de não vivê-la, mas ah, de fato não consigo dizer bem qual medo é maior em meu coração, se o medo de estar com você ou o medo de te perder.

Assinado: Garota Medrosa

sábado, 11 de dezembro de 2010

A menina se escorou na parede e deixou-se cair. Acabou sentada naquele chão frio de cerâmica. Cobriu o rosto com as mãos. O que ela havia pensado? Que seria feliz daquela vez? Será que ela nunca desistiria, continuaria a ser a mesma tola de sempre? Jogou os cabelos para trás, num gesto mais desesperado do que vaidoso. Porque sempre tem de ser assim? E, meu Deus, porque sempre com ela? E, o que parece pior, porque ela nunca aprende a lição?
Foi quando o celular tocou. Era ele. Seu sorriso abriu-se de imediato. Então ele não a esquecera?
Atendeu a ligação. Estava tudo bem, tudo normal, nada errado.
Ela respirou aliviada. Quase sempre asfixiava seus relacionamentos por medo. Sim, agora ela via que era apenas medo. Medo de sofrer, de não ser compreendida, de não ser amada, de ser feita de idiota. Sempre tão linda, e tão desconfiada. Insegurança. Pura, crua e simplesmente.
Suspirou, feliz. Apenas mais um medo que ela iria vencer. Afinal, se ela aprendera alguma coisa com toda a sua história foi que quem não se arrisca a perder, nunca pode ganhar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um dia você descobre que você é capaz de ser o que quiser. Você descobre que é maior que todos os seus medos, que todos os seus erros. Você se dá conta disso e perdoa o seu passado, a sua história, a sua imaturidade, a sua ex-odiada ingenuidade. Um dia você descobre que não adianta gritar e se revoltar quando as coisas não saem do seu jeito... Você descobre que é preciso aprender a trabalhar sobre as possibilidades que lhe são apresentadas. Você descobre que nem sempre vale a pena se prender a conceitos, rótulos, verdades e afins. Um dia você descobre que a pessoa que você vê no espelho é exatamente aquela que você deve ser. Você percebe isso, e é quando pára de invejar a vizinha e passa a se amar, a se cuidar, a se valorizar. Um dia você descobre que nada é eterno, muito menos definitivo. Você se depara com essa realidade e aprende a sofrer menos, a esperar menos, a viver mais o momento e a se prender menos às promessas futuras. Um dia você descobre que a vida não é ciência exata, e que por isso as suas escolhas podem não te levar ao mesmo lugar que a sua amiga ocupa, mesmo que você tenha escolhido exatamente o mesmo que ela. Então você pára de tentar prever o futuro, a sua vida, os pensamentos dele. Um dia você descobre que as coisas que devem acontecer acontecem quando devem acontecer. E você não mais ficará neurótica porque perdeu a festa do ano, o namorado dos sonhos, ou a chance de fazer uma grande viagem. Um dia você descobre que as coisas que lhe pertenciam antigamente e que não mais lhe pertencem hoje nunca foram realmente suas. Você pára de lamentar por tudo o que podia ter acontecido mas não aconteceu, você descobre que é mais fácil, mais agradável e mais produtivo agradecer por tudo o que aconteceu e se focar no que está acontecendo nesse momento. Um dia você descobre que realmente nada é por acaso, e que cada erro foi único e essencial para lhe transformar em quem você é hoje. Um dia você descobre que enquanto se foca no passado perde a chance de viver o presente, e que quando se foca demais no futuro, perde a chance de descobrir tantas coisas! Você percebe que quem tem medo de tudo não vive nada, mas que quem é totalmente destemido também não vive, e é quando você aprende a andar no meio-termo. Um dia você descobre que mesmo que a porta esteja fechada, há sempre uma janela aberta, e que com um pouquinho de determinação e força de vontade você pode saltar pela janela e adentrar a casa. Um dia você descobre que todos os estereótipos são falsos e preconceituosos, e você desiste de querer ser quem você não é apenas para se "encaixar". Um dia você descobre que ser você vale muito a pena, e pode ser o caminho para a felicidade. Aliás, um dia você descobre que mesmo que todos te abandonem, você pode continuar a viver, se você não tiver abandonado a si próprio. Um dia você descobre que quando você pensa que sabe tudo, aí mesmo é que você não sabe nada. Um dia você descobre que palavras ditas não são contratos assinados, e que você não tem o direito de exigir nada de ninguém; mas você aprende que tem o direito de escolher o que você quer para a sua vida. E o melhor: um dia você descobre que as melhores coisas da sua vida acontecem quando você está fazendo absolutamente tudo, menos esperando por elas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Talvezes.


Não se preocupe se ela foge do seu abraço, ou se ela evita o seu olhar. Não se importe com o fato de ela ser a única a não rir das suas piadas; não a queira mal se ela não dançar com você, ou não atender suas ligações. Não se preocupe, nem leve a mal. Talvez ela fuja de seus braços por ter medo de nunca mais querer largá-los; talvez ela evite seu olhar porque fica ruborizada ao saber que você olha para ela. Talvez ela não ria das suas piadas por temer que descubram que ela te ama. Talvez ela nunca dance com você porque as pernas dela tremem em sua presença, e os pés dela simplesmente não a obedecem quando você está por perto. Talvez ela não atenda a sua ligação porque não sabe o que dizer, porque não consegue respirar quando escuta a sua voz. Talvez ela seja uma menina apaixonada que ainda não aprendeu a lidar com esse sentimento. Talvez ela seja apenas um coração arredio, esperando para ser cativado. Quem sabe seja apenas uma menina carente de amor, aprisionada em sua vergonha e em sua timidez. Ou talvez ela simplesmente te ame tanto, tanto, ao ponto de não saber como demonstrar.

A tecelã de sonhos.


Aquela mulher vive de sonhos. Não, ninguém me disse isso. Eu deduzi sozinha. É claro que ela vive de sonhos, é claro que ela os tece novamente a cada manhã... porque outra razão seria essa mulher tão linda, tão risonha, tão feliz? Porque é que quando olho para a tecelã escuto jazz tocar? Se ela não vivesse de sonhos, se ela não os costurasse uns aos outros ao final do dia, será que ela aguentaria toda a dor, toda a agonia? Talvez os sonhos alimentem a sua alma; é o sonho que acalenta, que acalma. Só mesmo vivendo de sonhos é que se pode andar tão levemente. Reparei até que a tecelã de sonhos nunca deixa pegadas. Será que é por medo de ser roubada? Será que tem medo que lhe roubem os sonhos?
E porque é que a tecelã de sonhos não abre uma escola?

Porque é que a tecelã de sonhos não me ensina a sonhar?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo.

Alguém: - Qual o seu desejo para 2011?
Eu: - Quero sair no sol sem medo de me queimar, quero curtir o mar sem medo de me afogar, quero sair na chuva sem medo de pneumonia, quero uma vida mais bela e menos arredia, quero menos preocupação e mais verão, quero acreditar nas pessoas sem medo de estar enganada, quero correr na praia sem medo de torcer o pé, quero por um instante acreditar que a vida é tão fácil quanto deveria ser, quero pensar mais com o coração, e menos com o cérebro, quero ouvir a verdade como se não houvesse a mentira, ah, eu quero viver de verdade.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O vestido, o vinho, e sobre como adiamos a nossa própria felicidade.


Ontem li um texto na internet que falava a respeito desse hábito mundial de "adiar o prazer, adiar a felicidade". Li, reli, achei o assunto interessante. Refleti e achei também que merecia uma postagem.
Adiamos a nossa felicidade constantemente. Isso às vezes é tão comum, que até mesmo passa despercebido. Um clássico exemplo é a história do vestido de festa. Desejamos aquele vestido por meses, fizemos inúmeros planos para ele, até sonhamos com o dia em que o usaríamos! Finalmente, chegou o grande dia. Entramos na loja, compramos, levamos para casa. E guardamos. Isso mesmo! O vestido lindo, desejado por meses, está mofando no guarda-roupa. E não é por falta de oportunidade, não. Teve uma festa apropriada ontem, mas concluímos que aquela festa ainda não era A festa, não merecia um vestido tão especial... acabamos indo com o de sempre, mesmo. O novo, o belíssimo, este fica guardado, esperando a ocasião perfeita. Às vezes, a ocasião perfeita não surge, e às vezes ela surge, também. Mas aí já engordamos três quilos, o vestido já não nos parece tão lindo, na verdade, o entusiasmo se foi... E a vontade de usar o vestido, pra ser bem sincera, já se foi também. Ou seja, definitivamente, não foi uma ocasião perfeita, sim?
O que estamos esperando? Que algum ser de outro planeta apareça na porta de nosso quarto com um cartaz escrito: "USE O VESTIDO HOJE. SERÁ UMA OCASIÃO ESPECIAL."? Sinto muito, mas sem chances de isso acontecer.
A mesma coisa acontece com a garrafa de vinho. Está ali, no armário, empoeirada, à espera da ocasião especial. Detalhe: ela espera a tal ocasião há exatos 10 anos. Será que essa garrafa um dia será aberta?!
E o que é mesmo uma ocasião especial? Existe uma definição?
A verdade é que nós impedimos que as ocasiões sejam especiais. Porque às vezes o simples fato de abrir uma garrafa de vinho tão velha já é suficiente para fazer de um dia qualquer uma ocasião especial.
A má notícia é que ocasiões especiais não existem. A boa é que existem milhares de ocasiões comuns, esperando que VOCÊ as torne tão especiais quanto possível.

Selos!

Quero agradecer imensamente à querida Bruna Tupinambá, dona do blog "Entrelinhas e Palavras" (http://entrelinhasepalavrass.blogspot.com/) por ter-me presenteado com selos! Nunca havia recebido um, e confesso que tinha muita vontade de ganhá-los! rsrsrs. Estou super feliz! Muitíssimo obrigada, Bruna!


Estes são os Selos:

  • "Digno de ser Lido" e "Escritores Virtuais", dados aos melhores blogs nos quais o foco é a escrita. (Blogs de poesias, crônicas, textos, frases...)




  • Este é indicado para blogs que você gosta de freqüentar:




  • Este tem a regra de escrever 10 coisas sobre você:

10 coisas sobre mim:

  1. Sou muito romântica;
  2. Sou sensível e costumo me magoar facilmente;
  3. Sou extrovertida e bastante brincalhona;
  4. Adoro contar piadas para minha família;
  5. Não gosto de dançar;
  6. Detesto realizar tarefas domésticas, como lavar louça;
  7. Amo comédias românticas;
  8. Adoro ler e escrever poesias e textos diversos;
  9. Amo receber flores!
  10. Amo surpresas!

Os blogs que levam esses prêmios, na condição de seguirem as mesmas regras, são:

  1. Not Everything Is As You Want (http://brunameiira.blogspot.com/);

Mil beijos! Ana Teresa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Miss Simpatia



Ela tem um jeito de quase nem aí;
Com a mesma graça que ela anda,
Ela sorri.


Um sorriso tão natural, mas uma coisa assim tão espontânea!
-Sorriso que começa nos olhos e termina nos lábios!-
Doce riso de quem vê tanta graça na vida!


Um quê de felicidade evidente, de contenteza, ondas de alegria.
É tanta virtude, ah, é tanta felicidade, que faz a gente se perguntar:
-Será que ri porque não chora?
-Será que ri pra não chorar?

Dias que virão.

Dias virão em que você não mais lamentará o que não fez, o que deixou de fazer, o que poderia ter feito. Dias virão em que você deixará de viver no subjuntivo; dias virão em que você deixará de viver baseando-se em hipóteses. Dias virão em que você não mais se lamentará por aquela pessoa certa no momento errado. Dias virão em que você esperará pela pessoa certa no momento certo. Dias virão em que as rugas não mais incomodarão, dias virão em que o diário não será mais o melhor amigo. Dias virão em que o diário não será nem mesmo secreto. Dias virão em que essas lágrimas secarão. E você vai ver-se rindo de todas as situações que antes te faziam chorar. Vai ver-se falando sobre todos os assuntos que um dia foram os seus tabus, discordando de todas as verdades que um dia foram as suas. Dias virão em que você terá serenidade suficiente para manter sua paz interior, mesmo quando isso parecer impossível. Dias virão em que você olhará as velhas fotografias e não terá mais vergonha delas. Terá saudade. Porque você irá perceber que nada é eterno, muito menos os dias... nem as dores, nem as alegrias. Perceberá também que é inútil tentar adivinhar a vida, e que é mais sábio viver dia após dia. Dias virão em que você estará pronto para despir-se de todas as ilusões, mas sem abrir mão de seus sonhos. Importante: dias virão em que você saberá a diferença entre sonho e ilusão.