
Diferentemente do que sempre fiz, desta vez não vou fazer lista de desejos, objetivos e metas para o Ano Novo que se aproxima. É que muitas vezes as promessas de Ano Novo agem arbitrariamente. Quero dizer, ao invés de ampliarem nossos horizontes e nos estimularem a seguir adiante, elas limitam nossas mentes. Você passa o ano todo perseguindo um objetivo pré-determinado (que muitas vezes já nem faz sentido atualmente) e se frustra caso não consiga alcançá-lo. Enquanto isso, várias outras (boas) oportunidades podem ter passado sem que você percebesse, simplesmente porque elas não se encaixavam na sua lista de desejos para aquele ano.
E qual o sentido disso - passar o ano checando uma lista, marcando aquilo que está pronto ou aquilo que ainda falta fazer? A vida tem mesmo que ser assim tão... previsível?
O que, afinal, desejo para 2012? Desejo única e exclusivamente uma vida empolgante, surpreendente, feliz, pela qual valha a pena acordar cedo. E que seja assim brilhante mesmo que algumas metas se percam pelo caminho, porque algumas se perdem mesmo, enquanto outros acontecimentos totalmente inesperados se incorporam aos nossos dias.
Desejo que você se permita... se permita viver, cantar, sorrir, chorar... vencer, mas também que se permita algumas derrotas. E que tire proveito delas; extraia sempre algum aprendizado. Que as lágrimas vertidas não lhe impeçam de sorrir. E não pense que não haverá lágrimas, porque elas irão surgir em algum momento dessa caminhada. Porque elas fazem parte da vida. E que você se permita vivenciá-las. Que aprenda a conviver com o sucesso e também com um possível fracasso, com seus medos, receios. Mas acima de tudo, que o medo jamais lhe tire a ousadia, o espírito livre, a vontade de fazer dar certo. Que você aprecie o vôo sem temer a queda, mesmo que às vezes ela seja inevitável.
Que em 2012 a gente aprenda a valorizar também a jornada e não só a chegada. Que haja vida plena, em todos os sentidos que esse adjetivo comporta.

























E de repente você se pega pensando na vida, na morte, no amor, na dor, no medo, em tudo. Bem na frente da TV, em meio a um telejornal que narra a morte de 13. E você começa a pensar também na fragilidade da vida, na ilusão do "para sempre", na mentira apregoada "há muito tempo pela frente". A verdade é que pode não haver tempo nenhum. A verdade é que o "para sempre" sempre acaba mais cedo do que podemos prever. Assim como as 11 garotas e os 02 garotos que provavelmente pensavam ter "a vida inteira" pra viver, que faziam planos para o final de semana, e que talvez pensassem em mandar um cartão de pedido de desculpas à mãe, por não ter lavado a louça quando ela pedira. Alguns preocupados com a prova da semana que vem - quem sabe?-, ou até mesmo ensaiando um pedido de namoro a ser feito praquela pessoa especial... 12 a 14 anos. Tão pouco tempo para quem pensava possuir a vida inteira! Talvez imaginassem morrer um dia. Mas com 80 anos, cinco netos a segurar-lhes as mãos enrugadas, e dois filhos a conversar com o médico. Provavelmente, eles não imaginaram que morreriam ontem. Não podiam imaginar, porque lá fora o sol brilhava, e o dia prometia, e havia a promessa de um futuro melhor. E havia ainda o final de semana, e poderiam então jogar todo o futebol esquecido nos dias de semana, e ir ao shopping, à casa da Fernanda ou da Julinha, e ainda podia ter até bolo de aniversário pro irmão caçula. E então no domingo à noite, iriam lamentar a eminente chegada da segunda-feira, e toda a lição, e tanta matemática. Mas iriam acordar na segunda! Iriam respirar, iriam caminhar sorridentes rumo à escola! E haveria farra e conversa paralela de enlouquecer o professor, todos contando ao mesmo tempo as novidades do final de semana. E isso faria toda a matemática valer a pena. Tantas vidas interrompidas aos doze! Tantas mais aos treze, aos quatorze! Interrompidas na marra, ao som de revólver disparando, balas estourando, e queimando, e doendo. Cheiro de medo e sangue no ar. Há quem diga que o melhor é ter mesmo 15 anos; outros preferem ter 18 e poder dirigir. Bom, eles nunca saberão. Estão todos adormecidos. Não vão crescer, não vão viver, não vão se casar, não vão ter filhos, nem fazer faculdade. Paralisados para sempre aos 12, 13 e 14 anos.