Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de autoria de Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As piores situações.

As piores situações sempre me ensinam algo. Com elas aprendi a terminar o que comecei, mesmo que tudo já tivesse dado errado, mesmo que a minha única vontade fosse chorar sem parar. Três anos atrás eu teria seguido essa vontade, sem pensar duas vezes. Mas as piores situações me ensinaram a ser forte quando se deve ser, a segurar as lágrimas por algumas horas, engulir a humilhação, levantar a cabeça e caminhar. Até sorrir por educação, se assim for necessário. Não, não acho que isso seja hipocrisia, ou falsidade. Simplesmente, o tempo me ensinou que algumas ocasiões podem me encontrar abatida, cansada, envergonhada, triste, deprimida, e que não sou obrigada a demonstrar isso a ninguém. Também aprendi que ninguém é obrigado a lidar com minha frustração, minha revolta, e que, portanto, meu sofrimento pode ser particular. E, pelo que aprendi, isso não tem a ver com falsidade. Isso tem a ver com sensatez, com auto-domínio, com experiência, com tempo e com as piores situações. Sim, pois elas me ensinaram que não é preciso escancarar a dor, nem a alegria; que não preciso dessa ânsia em me mostrar ferida, que para ser amada e compreendida não é necessário expor as lágrimas. Se estas vierem naturalmente, que seu caminho não seja interrompido. Mas que sejam lágrimas doces, serenas e afáveis, e não lágrimas de ofensa, amargura, agressão. As piores situações me ensinaram que tenho o direito de reservar à minha solidão e intimidade alguns de meus problemas e dores. E, se eu quiser, inclusive algumas alegrias. As piores situações me ensinaram que não é benigno, não é bonito e muito menos digno de orgulho descontar o meu sofrimento no primeiro conhecido que passa e diz olá. Não é porque estou cheia de problemas que não posso sorrir e responder um oi sonoro e acolhedor. As piores situações vêm me ensinando a separar as coisas, a não culpar inocentes, e não fazer de minha intimidade um espetáculo público. As piores situações me libertaram da falsa idéia da verdade suprema, a todo custo e a todo valor. Eu não vou dizer a uma amiga que odiei a foto do seu convite de aniversário, ou que detestei o seu corte de cabelo, eu não vou arruinar com o dia de alguém só para depois me gabar de ser sincera, e verdadeira. É que as piores situações me ensinaram a diferença entre verdade e crueldade. E que eu posso ser sincera sem ser cruel. Ensinaram também que na maioria das vezes em que penso estar dizendo a verdade estou apenas emitindo uma opinião minha, que pode muito bem estar errada e sujeita a correções. As piores situações me ensinaram que a verdade por vezes é relativa. As piores situações me mostraram que talvez a verdade por vezes nem exista. Acho que as piores situações das nossas vidas nos libertam de muitas coisas. Elas nos ensinam outras tantas. Como por exemplo, que você não morre porque aquele dia foi horrível, ou que não deixará de ir à escola para sempre por estar com vergonha. Inclusive nos ensinam que não há dor que seja eterna, muito menos alegria, e que não adianta sofrer por isso. Nos ensinam que a vida não é injusta simplesmente por ser como é. Acho que as piores situações são as responsáveis por uma grande parcela de nosso amadurecimento. São os aprendizados que acumulamos ao longo das piores situações que nos fazem capazes de sorrir de algo que ontem nos faria chorar. Portanto, acredito que toda pior situação nos torna mais aptos a alcançar a felicidade. As piores situações, no final, nos preparam para sermos mais felizes um dia. Por isso, eu agradeço a cada pior situação que já tive em minha vida, e saúdo todas as piores situações que ainda virão.

Um comentário:

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