Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de autoria de Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







domingo, 31 de julho de 2011

Enquanto o sol não vem.


Eu sei que vai passar. Sei que logo, logo o sol vai aparecer e toda essa escuridão vai ser apenas uma lembrança ruim. E, quando o sol chegar, eu vou agradecer por todo esse período de aprendizado, vou agradecer por todas as lágrimas derramadas, por todas as descrenças, por todas as indecisões que me ensinaram a valorizar a certeza, a fé, o sorriso, a alegria. Eu sei que o sol vai se levantar mais brilhante do que nunca... pra iluminar a vida, pra dizer que sim, tem solução. O sol tá chegando pra anunciar tempos melhores! Sei que ainda vamos celebrar tanta felicidade!
Enquanto o sol não vem, deixa estar que a gente inventa. Inventa motivos pra sorrir, inventa razão pra continuar. Enquanto o sol não vem, a gente colore, pinta, renova, recicla, muda um pouco o visual. Nessa espera a gente se repensa, se descobre e reaprende a amar. Se acalenta, se observa, vem comigo, vem sem pressa que a vida prometeu nos guiar.
Enquanto o sol não vem... espera comigo, que eu tô esperando por você.

sábado, 30 de julho de 2011

De repente se fez necessário. Não podia mais fingir que tudo estava bem, obrigada. Não deu pra manter o sorriso, a leveza, não deu pra mentir que não tinha importância. Porque eu me importo, sim. É que eu ando abrindo mão de tanta opinião. Tanta coisa que eu deixo pra lá, pra não desgastar, pra não causar confusão. Em nome de um bem maior... será? É que ando ouvindo tanta gente, tanto conselho, tanto "faça, ou não...", que de repente não me sinto mais eu, não sei onde começam meus próprios pensamentos e onde terminam os alheios a mim. Foi então que me dei o direito de imprimir minha personalidade às minhas atitudes. Descobri que ser fiel a si mesmo não é o caminho mais fácil de ser seguido. Mas, com certeza, é o mais gratificante.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Simplesmente.


Quem foi que disse que, na vida, a gente tem que levar tudo a sério? Menos às vezes é mais...
E para quê pensar em tudo, em todas as hipóteses, no passado, no futuro? Certas coisas não foram feitas para serem pensadas. Ao contrário. Em determinados momentos, o melhor a se fazer é apenas sentir.
Todas as palavras devem ser de fato ouvidas? Todas as lembranças devem permanecer intactas na memória? Até mesmo aquilo que te derruba, que te faz sofrer, até mesmo isso deve ir com você?
Esqueça o que der pra esquecer... O perdão areja a alma.
Para quê estar sempre tão sisudo, como se a vida em si fosse um problema complicado de resolver? Será medo de alegria? Será medo de gostar de viver?
Tanto estresse, tanta pressão... a troco de quê?
Nada disso faz a vida ficar mais bonita. Nada disso é solução.
Se o seu coração não está feliz, todo o resto é ilusão.
Vire-se do avesso. Descubra-se. Escute-se.
Se achar que deve ir, vá. Se depois quiser voltar, volte.
Mude a ordem das coisas.
Mostra esse sorriso que você andou guardando pro momento especial...
Faça do "hoje" o melhor dia da sua vida...
Porque felicidade é para quem não se deixa esmorecer!

"No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?"

terça-feira, 5 de julho de 2011

Se a gente se perde por um instante, tudo perde o sentido. Se deixamos a tristeza e o pessimismo tomarem conta de nossas mentes, perdemos a capacidade de enxergar o belo que acontece à nossa volta. Se nos fechamos à novas oportunidades, jamais descobriremos o que elas poderiam nos trazer e aonde teriam nos levado. Se descremos de amizades verdadeiras, de sentimentos puros, da bondade e do amor, o peso do nosso fardo aumenta e fica quase impossível carregá-lo. Se acreditamos em nosso próprio fracasso, se repetimos a todo instante que somos incapazes, incompletos, infelizes, é mais provável que ao fim do dia tenhamos nos transformado naquilo que profetizamos. Se não nos permitimos vez ou outra "vadiar nossa alegria", sorrir para as paredes, cantar no banco da praça, pedir um abraço que acalenta, ou simplesmente estar perto de alguém, se não nos permitimos isso, o verdadeiro propósito da vida se perde. Se a pressa toma conta de nossa rotina e o tempo fica escasso demais para aquilo que o coração pede, talvez o sentimento de dever cumprido ao final do dia seja apenas ilusão. Se perdemos por um instante o verdadeiro significado da vida, se nos descuidamos um segundo que seja do propósito que se esconde atrás das coisas mais óbvias, a vida é coisa sem graça. Perde toda a graça, todo o sabor. Porque felicidade na maioria das vezes não tem nada a ver com tanta coisa exterior... Tem tão mais a ver com o que se passa por dentro! Numa época em que tudo é urgência, passos apressados e afazeres complicados, felicidade é luta diária, é coisa para quem não se esquece do principal...


***

Música do Lenine... uma das minhas preferidas. Sei lá, achei que combinava com o texto. :)
Paciência
Lenine

"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não)

Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não... a vida não para) "

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sobre fotografias e não-saberes.

Na parede do quarto, um quadro de fotos. Aproximou-se, queria ver de perto aquelas fotografias antigas. O quadro fora presente do irmão mais velho, na ocasião dos seus quinze anos. Lembrava-se perfeitamente do dia em que o recebera: correra a pregar suas fotografias prediletas; o quadro enorme parecera pequeno de repente. Agora, ela já tinha dezoito, e ao contrário do que se pudesse pensar, não se interessava mais por colar fotos recentes no quadro velho. Havia tempos que ali não havia qualquer foto diferente que lembrasse uma nova festa, um novo amigo, uma flor novata que fosse. O quadro estava congelado no passado - como sua vida também. Perdidas no tempo, as fotografias lhe despertavam sentimentos diversos. Decorava-as de vez em quando, quando se sentia tristemente nostálgica. Apontava o dedo para a garotinha sorridente daquela foto já desgastada pela ação dos anos, e dizia num tom distante:
- Você já deveria saber que perderia a competição de natação.
À menina de quatorze anos eternizada numa das fotografias, dizia simplesmente:
- Ele nunca gostou de você, sua tonta.
Chegava então à sua foto preferida. A maior de todas, ocupava o centro do quadro. Uma menina quase moça, bonita, vestido formal, valsa. A festa de 15 anos. Um sorriso enorme no rosto de cada convidado ali retratado. A própria garota sorrindo como se tanta felicidade já não coubesse dentro de si.
A esta fotografia, costumava dizer:
- Você não sabia que aos dezoito anos seria apenas triste e solitária. Você esperava festas, bailes, vários amigos, roupas bonitas. Mas tudo o que você tem hoje é infelicidade.
A causa de tanta tristeza não sabia, e essa era a sua maior dor. Não fora assim sempre; houve um tempo em que todo dia era verão, e os passarinhos estavam sempre a cantar-lhe na janela. Mas o inverno veio chegando, e, num repente, as nuvens encobriram o sol.
Porque não era como as outras? Sempre agarrada aos seus livros, escritos e filmes intermináveis. Porque não música alta, multidões?
A garota perdeu-se em seus pensamentos. Lançou um último olhar ao quadro; encarou a menina sorridente dos quinze anos:
- Eu quero você de volta.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

e nada faz sentido.


E quando tudo parece errado, o norte perdido, o dia nublado, quando todas as coisas perderam o encanto e a vida vai ficando assim opaca, eu só consigo pensar:
- Onde está você agora?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Visita Sutil.

Hoje o mundo não parece tão assustador. O mundo de hoje não é um lugar confuso, inquieto, relutante. Não o sinto tão vasto, tão grande, tão de todos e ao mesmo tempo de ninguém. É que hoje o mundo que chega aos meus olhos é encantador... Perdeu aquela mania de grandeza. Perdeu, simplesmente, não sei onde, nem como. Apenas sei que o mundo diminuiu. Diminuiu sim, mas para caber mais gente, mais riso, mais alegria, mais conforto, mais beleza, menos solidão. O mundo que percebo hoje vem cheio de pequenezas - tão significativas! - : um céu azul imaculado, uma brisa que leva pólens e fecunda as plantas, o sol que começa a esquentar. As crianças que brincam de esconde-esconde. Os sorrisos que eu conheci. E por um segundo tudo faz sentido... A vida, os propósitos, ou não. E o mundo diminuiu... e hoje tudo tem sabor de lanche feito em casa. Tranquilidade, certezas. Como se o mundo todo fosse apenas uma extensão da minha vizinhança. Acolhedoramente, e só. Amigos, literatura, palavras bobas e muitos sorrisos. Fácil. Simples. Assim. O mundo diminuiu para hospedar mais felicidade.

sábado, 4 de junho de 2011

Promessa.


Andava distraída naquela manhã de junho. Imersa em pensamentos, perguntas e talvez algumas respostas. O sopro leve da brisa que bagunçava-lhe os cabelos. O sol que despontava, tímido. Um céu que ensaiava azul e despertava amores. E de repente tudo lhe pareceu tão certo! Todas as dúvidas dissipadas por um milagre matutino. E de repente tudo lhe pareceu tão claro! Todos os sentimentos finalmente desvendados. O riso gentil da garota ecoou pelo universo. E todo o universo pareceu sorrir em resposta.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Indelével


'Cada respiração é uma segunda chance.'


As pessoas não são descartáveis.
Um tanto quanto óbvia para muitos, mas absolutamente encantadora, essa afirmação de repente me comoveu.
É que então eu me lembrei dos momentos em que me decepcionei com alguém. Momentos em que parecia mais fácil e muito mais cômodo retirar sutilmente aquela pessoa da minha vida... "Esquecer" de dar bom-dia, de ligar no aniversário, cortar assuntos, confidências. Ignorar, fingir que essa pessoa nunca existiu, nunca fez parte de você. Sabe como é? Algo como uma declaração muda: "Não te quero mais na minha vida". Mas acontece que as pessoas não são descartáveis. As pessoas não podem ser jogadas fora. Os momentos felizes, as risadas, as mãos estendidas que tantas vezes ajudaram a me levantar - tudo isso será apagado, esquecido, ignorado, manchado para sempre por um erro cometido? As pessoas não são descartáveis... não são feito o brinquedo quebrado que anos atrás eu deixei num canto qualquer da sala de estar. As pessoas não são descartáveis. Não são como um projeto mal feito que não satisfez as minhas expectativas. Quando se trata de pessoas, é impossível amassar a folha e em seguida jogá-la no lixo.
E tantas vezes as pessoas nos decepcionam... ou nós é que nos decepcionamos com elas? Tão mais fácil rasgar o verbo, sair correndo sem olhar para trás, tão mais fácil virar a página e começar outra vez a busca pela pessoa perfeita! Sem pensar por um minuto que talvez (só talvez!) o outro valha a pena! Que o outro também tem suas próprias reclamações, sua própria visão de mundo, da vida, das pessoas, do relacionamento. O outro também é gente! Eu também sou gente! E gente que é gente erra e acerta o tempo todo. Tão mais fácil "esquecer" que a perfeição que exijo dos outros inexiste em mim!
As pessoas não são descartáveis. Que bom que quando errei encontrei pessoas que me perdoaram e que decidiram continuar perto de mim. Pessoas que decidiram que eu ainda valia a pena, que ainda valia a pena estar ao meu lado!
As pessoas não são descartáveis.
Através dessas palavras eu percebi que é necessário, ao olhar para as pessoas, ver além de um monte de erros e fracassos. É preciso olhar com amor, até enxergar ali um ser humano igual a você.

domingo, 29 de maio de 2011

Vãs filosofias.


Tédio vespertino. Cochilo adiado, sono que vem, quase pára, mas continua seu caminho - indiferente, amolador. Danado de sono que não chega logo!
Jogada na cama, travesseiro por cima da cabeça, a garota tenta ordenar os pensamentos. Por quê o sono não chega logo, Meu Deus?! Precisava descansar, logo o seu horário de almoço teria fim e mais uma tarde de estudos teria seu início. Ela estava exausta, entretanto não conseguia pegar no sono. Que engraçado! Por quê será que o sono não vem quando a gente mais precisa dele? E por quê será que esse vinha, sem ser convidado, justamente na aula de Matemática?! Ela gostaria de saber a resposta.
Tentou esvaziar a mente. Havia lido num livro - o qual esquecera o nome - que esvaziar a mente de todo e qualquer pensamento era essencial para dormir bem. Droga, essa era uma tarefa realmente difícil para uma garota de dezessete anos. Tudo o que fazia era pensar... sua mente sempre abarrotada de pensamentos, em sua maioria inúteis. Pensar lhe era tão natural quanto respirar. Mal acabou de pensar esse pensamento, teve uma crise de risos. Que conversa de doido era aquela? Imaginou a cara de seus amigos se eles pudessem passear por sua mente. Com certeza iriam dizer que ela era estranha demais. E daí? Sabia que era estranha. Mas adorava ser estranha, todavia.
De repente, um som cortou o ar, e na sequência, cortou os pensamentos da menina.
O Hino Nacional... Distante, fraquinho, quase um sussurro em seus potentes ouvidos. Entreabriu os olhos. Ali o seu quarto, seu mundo, seu recanto. Na janela, sua cidade se fazia notar. Engraçado! E se ela tivesse nascido em outro país?! Melhor, quem decidira fazê-la nascer justamente no Brasil? Haveria nisso algum propósito, ou seria um simples fato que de nada importava? Será que nos Estados Unidos, na Etiópia, na Inglaterra, melhor ainda, no Japão, será que haveria garotas nesses países pensando o mesmo que ela nesse exato segundo? Como seria seu quarto, sua casa, sua família, se houvesse nascido em algum outro país? E sua aparência? Seria diferente? E sua alma, continuaria a mesma? Estaria pensando tudo isso se fosse fisicamente diferente do que o espelho lhe mostrava?
Riu sozinha. Ai ai, esses pensamentos confusos que lhe invadiam feito vontade de comer doce, de vez em quando. Essas vontades que a gente não consegue conter. Os pensamentos eram assim mesmo: uma enxurrada de coisas estranhas que ela não sabia de onde vinham. Mas estavam ali. Disso tinha certeza.
Ai, meu Pai. Que coisa incrível que era a vida, né? Que coisa incrível, incrível, incrível. Saber que tudo poderia ser extremamente diferente do que é, mas que por algum motivo obscuro a ela, tudo era só e simplesmente aquilo que era. Ah não, de novo não. Tá vendo só? Ela era estranha mesmo. Os amigos estavam certos. Parecia que não falava coisa com coisa. Melhor sair da cama, não ia dormir mesmo. Ir fazer algo útil, isso sim. Mas de uma coisa ela sabia: a vida era incrível, incrível, incrível, mesmo que a maioria das pessoas nunca pensasse nisso.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Tranças douradas.

Vou. Quase volto. Olho de soslaio, pura indecisão.
A palavra quase salta, os lábios quase abertos, mas eu penso, repenso e resolvo que não.
Começo a ensaiar meus próximos passos. Se vou? Se fico? Se não fico, eu vou, mas se vou eu quase fico (nunca irei por inteira). Há sempre uma parte de mim que insiste em não-saber. A outra parte grita, diz urgência, pede atitude, tem sede de decisão, cobra mais lugares, mais pessoas, mais gestos queridos, mais coragem. Mais, mais, mais. Ousada metade do meu ser, sempre querendo tudo o que o meu eu inteiro não consegue dar.
A outra parte, gêmea coitada. Sem certezas, tímida de fazer dó. Sempre corrigindo as travessuras impulsivas da irmã deslumbrada. É ela quem me ruboriza as faces, me torna desajeitada e propensa a tropeções. É ela quem me sopra aos ouvidos:
"- Indecisa! Simplista! Sem sal!"
Desastre em potencial.
E eu, eu mesma, sobro inteira e dividida, eternamente dividida, mera platéia de uma briga entre duas gêmeas levadas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que consola.



O que consola é saber que ainda existe você. Que entre tanta gente sem graça, sem tempero, ainda existe você. Consola saber que no meio de tantas vozes indiferentes ainda existe a sua. Saber que apesar de tantos peitos vazios, o seu ainda guarda um coração. Ter certeza de que você estará lá, mesmo que não haja ninguém. Consola saber que vou ganhar o seu abraço no final daquele dia difícil. O que consola é saber que ainda existe você, que acho suas idéias o máximo; o que consola é saber que você se preocupa sinceramente comigo. E que não vai me abandonar, mesmo que pareça o certo a fazer. O que consola é saber que ainda existe você, e que ainda vou te encontrar. Consola, e faz sorrir. Faz valer a pena. Faz não desistir.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Bad Hair Day³



Hoje é dia de desligar o celular, de me jogar na cama e curtir uma solidão.

- É que às vezes eu me canso sem saber.

E não responderei a nenhum e-mail, não, não retornarei nenhuma ligação, não me lembrarei daquele velho compromisso.

- Hoje eu decidi que é domingo.

E hoje, sinceramente, não tenho vontade de saber como ninguém está, não tenho vontade de conversar com ninguém.

- É que às vezes as pessoas se cansam umas das outras.

Por hoje eu também não vou sonhar, quero apenas a tranquilidade de um sono sem sonhos.

- É que quero evitar a desilusão ao acordar.

Também não mendigarei qualquer amor, qualquer pedaço de atenção.

- É que hoje pretendo disfarçar esta carência.

E me jogo num canto, quase feliz... e ali fico a vegetar. Horas, minutos, segundos. Todo o tempo do mundo é meu.

Decido evitar pensar.

Não consigo evitar sentir.

Tédio, mormaço, arroz com feijão.

Tudo no mesmo lugar. Tudo como sempre esteve, tudo como sempre estará. (?)

Medo. Vontade de sair correndo, quebrando a rotina com passos apressados.

Mudança. Urgência.

Pressa de felicidade.

domingo, 8 de maio de 2011

Alone.



Às vezes é preciso simplesmente assumir suas opiniões, seus gostos e desgostos. Mesmo que incomode, que machuque um pouquinho. Mesmo que não haja ninguém para concordar, para dizer que apoia, que conte comigo. Às vezes, tudo o que se pode fazer é seguir em frente, mesmo que sozinho, e pagar pra ver.




(Porque às vezes permanecer firme em minhas convicções me parece tão necessário quanto respirar.)

sábado, 30 de abril de 2011

Sobre autonomia e coragem de ser quem se é.



É bom querer a vida. Aquela vontade de ter, de possuir, de esticar a mão e pegar sorridente tudo aquilo que a vida tem pra oferecer. Mesclar os estilos, as cores, os sabores, as sensações, ser fiel apenas à felicidade. Contigo, só aquilo que te faz feliz, só aquilo que te faz sorrir. Colocar a sua vida na palma da mão, e maravilhar-se, e exclamar: "É minha!".

E realmente sentir-se dono, e fazer o possível pra ser merecedor.

Comprometer-se consigo mesmo, isso é algo maravilhoso. Prometer fazer a si mesmo feliz, todo dia. E fazer da simplicidade do dia-a-dia um culto ao milagre de ser.

Amar-se demais, demais, e amar-se tanto, e de tal modo, e sempre, que dê vontade de espalhar amor sem conta-gotas. Que dê vontade de perdoar aqueles que te ofendem, que te menosprezam, que riem de você. Que dê vontade de desejar a eles pelo menos um décimo da felicidade que está ali saltando do seu peito. E você deseja.

E a plenitude é tanta que os outros passam a ser apenas um detalhe... a opinião dos outros, o julgamento dos outros, um pequeno detalhe. O importante mesmo você já tem: a liberdade de ser quem você quer ser, quem você decidiu ser. E isso ninguém pode te roubar.


Isso é ser feliz de verdade.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A praticidade dissolve os homens*

Tenho medo da praticidade. Medo de me tornar tão prática ao ponto de não sentir mais dor, de não saber mais chorar, sorrir, corar. A praticidade dissolve a vida. Afinal, o que é a vida sem uma lágrima de amor, um grito de dor, de alegria, um sorriso que demonstre empatia, um menear de cabeça que revele timidez?

A praticidade quebra os encantos. Descomplica demais.

E o que é a vida sem um tantinho assim de complicação? Sem sonhos, sem medos, sem anseios, sem dúvidas, sem emoção?

Tenho medo da praticidade, tenho medo de permitir que ela contorne os meus dias, e faça tudo parecer mais fácil...

O que há de ser da vida se esta perder o sabor da conquista? Se perder o cheiro de luta, de vitória? O que será do amor sem todas as cartas escritas, sem todas as flores enviadas, sem todos os filmes manjados (e amados) de Hollywood?

Tenho medo que a praticidade venha e arranque de nós todas as rimas.

Tenho medo de ser prática ao ponto de não me interessar por um verso que seja.


Temo um mundo prático o suficiente para parecer sem cor. Um mundo sem risos, sem abraços, sem banhos de chuva.
Um mundo onde não se perca tempo com o pôr do sol, com a contagem das estrelas, com poesias.

É isso.

Temo um mundo sem poetas.

Temo um mundo sem escritores.

Temo um mundo sem palavras doces.

Temo um mundo sem poesia.





*Título inspirado no poema "A noite dissolve os homens", de Carlos Drummond de Andrade.



Avistou a estrada ao longe. A trilha repleta de flores, árvores e metáforas facilmente a seduziu.

- Quanto verde! Quanta beleza! Quanta poesia!

Abandonou o mundo cinza-concreto e habilmente trocou seu espírito outrora angustiado por uma alma leve e feliz.

Decidiu-se por aquela estrada, ou teria sido a estrada a decidir-se por ela?
Nunca soube de fato. Dela, só se sabe que seguiu. Seguiu assim, sem mais certezas, possuidora apenas de si mesma, e de sua própria vontade. Mas isso não é tudo o que realmente importa?

Nunca se preocupou em descobrir. Nunca se preocupou em entender.
Ela era toda pés, e tudo o que fazia era caminhar. Os pés mostrariam o caminho.

Seguiu assim, nas suas andanças, sem medo de se perder, de esquecer o caminho de volta.

Não sabia até que ponto queria voltar. Não sabia até onde deveria ir.

Mas é sabido que foi; foi assim, fiel à muita pouca coisa. Fiel de verdade, apenas à si mesma e à sua própria autonomia.

Pelo sim, pelo não, garantias apenas ao seu próprio ser.

Se voltou? Se gostou? Se sorriu? Se chorou?

Ela se limita a dizer que viveu.

E completa, perdida em pensamentos:


- Isso é tudo o que de fato interessa.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A menina- poesia.



Dizem que surgiu do nada, igualzinho a chuva de verão. Quem é que ia prever uma coisa dessas? Dizem que apareceu ainda criança de colo, no meio do dia. Pisca um olho, a praia deserta. Pisca o outro, um bebê rastejando na areia, brincando com conchinhas.

Dizem que foi criada por uma velhinha de cabelos grisalhos e longos. Dizem também que foi adotada por um casal que tinha doze filhos. Outros falam ainda que cresceu sozinha, na praia. Eu não sei. Mas o que importa é que a menina cresceu...

Dizem que não saía do mar. Nadava de fazer inveja ao peixe mais nadador. Mergulhava tão fundo sem prender a respiração. Disseram logo que era filha do mar.

Dizem que também corria depressa. Ninguém pegava a menina na carreira. Os cabelos loirinhos esfarelando-se no ar, apenas um vultinho corredor lá longe. Disseram então que era filha do vento.

Dizem que era capaz de transformar até o coração mais duro numa maria-mole. Dizem que encantava a toda gente. A menina era mais doce do que sorvete.

Dizem que tinha os olhos azuis que nem céu de janeiro. E a pele assim bronzeada, de tanto tomar sol. Juntava isso às faces rosadinhas e dá-lhe beleza de fazer inveja às meninas bonitas da capital.

Dizem também que olho azul não tinha, não. Muito menos cabelo loiro, veja só! Muitos acham que a menina era mesmo bem morena; ou talvez ruiva, me fugiu à memória.

Dizem que quase não falava. Vivia num significativo silêncio, tímida, delicada. Dizem outras línguas que a menina era muito tagarela, não parava de falar. Eu não sei.

O certo é que não tinham certeza mesmo de quase nada; muito pouco de fato se sabia sobre aquela menina.

Mas em uma coisa todo mundo concordava: a menina era a própria poesia.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

...

Às vezes precisamos deixar todos os pensamentos pra depois, sabe? Varrer a mente de toda essa loucura. Não é sempre que dá para analisar todas as coisas, todos os momentos, todas as mancadas, todos os "e se"... não assim, não tudo de uma só vez. Às vezes tudo o que dá pra fazer é assumir que agora você não dá conta, que agora está impossível, que por hoje você não vai. E só. Não que seja a atitude mais correta, mais bonita, mais admirável. Mas foi o que deu pra fazer. Às vezes o que resta é simplesmente ignorar... e fingir por um momento que tudo está bem, tudo certo, obrigada. Às vezes o que se pode fazer é admitir que não, não sou perfeita, estou em obras, em eterna construção. Às vezes é preciso cogitar um dia de descanso para a mente, pra tentar manter a sanidade. E amanhã eu resolvo tudo, faço as devidas correções, penso nas mesmas coisas por horas a fio... mas hoje não. Hoje é banho, travesseiro e talvez um sonho bom. Hoje definitivamente não dá.

domingo, 10 de abril de 2011

Texto 07 - Concurso "Deixa a Alma Respirar - 01 ano!"

O Sétimo Lugar do Concurso é da Bruna Meira, que através do texto "Amores Improváveis" revela que até mesmo a mais fria das pessoas é capaz de se encantar com o amor. Parabéns, Bruna! Seu texto é maravilhoso! Blog da Bruna: http://brunameiira.blogspot.com/ ___________________________________________________________________
Amores improváveis.

por Bruna Meira

Ao assistir o último capítulo de uma novela qualquer, por um minuto, Clara se imaginou desfrutando de toda aquela felicidade. Boas festas, família reunida, e quem sabe... um amor. Talvez se considere a novela um pretexto para contar um pouco sobre Clara. Quatorze anos, cabelos lisos e longos e um jeito diferente de ver o mundo. É necessário constar que quase ninguém entendia a cabeça da jovem. Como se explica uma garota, aparentemente fria, guardar consigo grandes sonhos que até ela própria julgava bobagem? Era uma incógnita para todos. As vezes amor demais, as vezes sentimentalismo demais, porém, guardava tudo as sete chaves. Ora, onde ficaria a fama de "durona" se todos descobrissem o que ela traz no coração? Ah... como Clara sentia o amor, como era capaz de ver amor onde ninguém mais via. Como era capaz de esconder isso de todos? A explicação é breve, se resume a uma única palavra: medo. Medo de ser julgada por amar, por demonstrar, por confundirem o que ela sentia. Afinal, será que amor seria, realmente, a melhor definição sobre aquilo que ela trazia no peito? Aquele sede insaciável de viver o amor, de compartilhar o amor. Dedicava horas do seu dia à leitura e sonhava, e como sonhava... Sonhava viver um amor shakesperiano, com todos os pós e contras encontrados naqueles. A ideia de um romance casual apavorava a jovem, como temia que sua vida tomasse o mesmo rumo da vida das demais pessoas. Se angustiava ao ver relacionamentos monótonos, e apesar de não ter certeza sobre muita coisa, sabia que não queria aquilo para sua vida. Sua vontade de desacreditar era imensa, mas nem lutando contra isso tirava da sua cabeça que seus maiores sonhos ainda se realizariam. Algum dia, encontraria sim um grande amor, que a amasse tanto quanto, entretanto esse amor seria testado. Haveria de passar pelo sofrimento, pela dor e superaria tudo isso, pois só se tem a certeza de que é amor, se já passou pela experiência da dificuldade. Encontrariam nas dificuldades motivos para se fortalecerem, e assim afirmariam com convicção que: "o nosso amor superou tudo".