Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de autoria de Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma vez mais.


Eu sei que tudo isso não vai durar até a outra lua...

Eu sei que tudo isso não passa de uma doce, doce ilusão...

Eu sei que você irá embora tão rápido, tão incerto quanto veio até mim

Eu sei que provavelmente vou sofrer por conta desta minha ousadia

Porque eu ousei me apegar a você.

Mas o que eu posso fazer, afinal

Eu não consigo - e não quero - colocar tudo a perder.

Eu sei que quando eu te chamar "saudade"

Terei os olhos úmidos e o coração partido,

Uma vez mais.
- Eu sei exatamente o que eu quero, mas continuo achando que deveria querer outra coisa.
(Eu sei exatamente o que eu quero fazer, mas continuo achando que deveria fazer outra coisa).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Garota Medrosa.


Caro destinatário, você nunca vai receber esta carta, mas se você um dia a encontrar, eu acreditarei que foi obra do destino e ficarei feliz se você a ler.

Hoje eu descobri que eu tenho medo de me apegar às pessoas. Sim, tenho medo. Medo de me apegar demais a alguém, de tal maneira que essa pessoa se torne essencial para mim. Medo de simplesmente não conseguir viver sem ver aqueles olhos, sem escutar aquela risada. Pavor de amar demais, demais, para depois ver partir, às vezes para nunca mais voltar. Hoje eu descobri que me sinto segura apenas quando me sinto amada, parte essencial da vida de alguém, mas ao mesmo tempo não digo à pessoa que a amo, que ela faz parte de mim, e que ela me faz falta. Como se ao dizer o que sinto, ao demonstrar meus sentimentos eu me tornasse frágil, frágil demais. Errada, até. Descobri também que tento evitar todos os possíveis sentimentos de afeição, evito também confirmá-los com as palavras, pois parece que quando digo que amo, aí é que amo mesmo. Talvez minha boca tenha mesmo uma conexão direta com o meu coração; só assim é possível explicar porque até ontem eu estava bem, até ontem, quando não havia dito ainda o quanto você é importante para mim. Depois que eu pronunciei essas palavras, ah, parece-me que o meu coração sentiu-se livre para realmente sentir, como se minhas palavras houvessem sido sua carta de alforria. Ele livrou-se das algemas, dos grilhões, e o resultado foi este: estou morrendo de saudades de você, estou pensando que talvez você não me ame, estou me recriminando por ter dito tais palavras; estou com medo de tê-lo assustado com minha demonstração de carinho, estou te gostando mais do que nunca. Na verdade, tenho medo de que agora você não mais se importe comigo, pois eu já lhe confidenciei o quanto gosto de você. Tenho medo de lhe revelar o verdadeiro tamanho da minha carência, e tenho medo de que você não se sinta preparado para gostar de uma garota tão carente de tudo. Mesmo que você tenha sido o primeiro a demonstrar seus sentimentos - eu tomei esse cuidado, não quis ser demais, reservei-me de modo a esperar a sua confissão; decidi-me e com uma força de vontade ferrenha contive meu impulso de garota sensível, pois meu desejo sempre fora dizer a você, ou melhor, gritar, que te amo, te amo, como de fato há muito tempo não me permitia amar, que te espero todos os dias, e que quando você não vem me sinto a pior pessoa do mundo, parece-me que inclusive perco a capacidade de enxergar em cores, sim, sem você o meu dia se torna cinza - mesmo tendo sido sua iniciativa, eu ainda assim não me sinto segura. Passam-me mil coisas pela cabeça, penso que talvez você queira apenas se divertir às minhas custas, mas ao mesmo tempo me recrimino por pensar tão mal das pessoas, por pensar tão mal de você. Então me arrependo por ter te conhecido, por ter me permitido pensar em felicidade, arrependo-me por pensar que minha felicidade estaria atrelada a você, mesmo sabendo que ela realmente está. Recrimino-me por não dar uma chance para mim mesma, por não dar uma chance a você, por não dar uma chance a nós dois. E digo em voz alta em qualquer conversa da qual participe, digo aquilo que preciso ouvir: quem não arrisca, não petisca; digo isso na esperança de conseguir viver aquilo que eu quero viver, na esperança de conseguir me libertar desse excesso de medo inútil, desse medo da vida, desse mau-hábito de enxergar sombras pelas paredes, de ter medo de tudo. Ao mesmo tempo que tenho medo da vida, tenho medo de não vivê-la, mas ah, de fato não consigo dizer bem qual medo é maior em meu coração, se o medo de estar com você ou o medo de te perder.

Assinado: Garota Medrosa

sábado, 11 de dezembro de 2010

A menina se escorou na parede e deixou-se cair. Acabou sentada naquele chão frio de cerâmica. Cobriu o rosto com as mãos. O que ela havia pensado? Que seria feliz daquela vez? Será que ela nunca desistiria, continuaria a ser a mesma tola de sempre? Jogou os cabelos para trás, num gesto mais desesperado do que vaidoso. Porque sempre tem de ser assim? E, meu Deus, porque sempre com ela? E, o que parece pior, porque ela nunca aprende a lição?
Foi quando o celular tocou. Era ele. Seu sorriso abriu-se de imediato. Então ele não a esquecera?
Atendeu a ligação. Estava tudo bem, tudo normal, nada errado.
Ela respirou aliviada. Quase sempre asfixiava seus relacionamentos por medo. Sim, agora ela via que era apenas medo. Medo de sofrer, de não ser compreendida, de não ser amada, de ser feita de idiota. Sempre tão linda, e tão desconfiada. Insegurança. Pura, crua e simplesmente.
Suspirou, feliz. Apenas mais um medo que ela iria vencer. Afinal, se ela aprendera alguma coisa com toda a sua história foi que quem não se arrisca a perder, nunca pode ganhar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um dia você descobre que você é capaz de ser o que quiser. Você descobre que é maior que todos os seus medos, que todos os seus erros. Você se dá conta disso e perdoa o seu passado, a sua história, a sua imaturidade, a sua ex-odiada ingenuidade. Um dia você descobre que não adianta gritar e se revoltar quando as coisas não saem do seu jeito... Você descobre que é preciso aprender a trabalhar sobre as possibilidades que lhe são apresentadas. Você descobre que nem sempre vale a pena se prender a conceitos, rótulos, verdades e afins. Um dia você descobre que a pessoa que você vê no espelho é exatamente aquela que você deve ser. Você percebe isso, e é quando pára de invejar a vizinha e passa a se amar, a se cuidar, a se valorizar. Um dia você descobre que nada é eterno, muito menos definitivo. Você se depara com essa realidade e aprende a sofrer menos, a esperar menos, a viver mais o momento e a se prender menos às promessas futuras. Um dia você descobre que a vida não é ciência exata, e que por isso as suas escolhas podem não te levar ao mesmo lugar que a sua amiga ocupa, mesmo que você tenha escolhido exatamente o mesmo que ela. Então você pára de tentar prever o futuro, a sua vida, os pensamentos dele. Um dia você descobre que as coisas que devem acontecer acontecem quando devem acontecer. E você não mais ficará neurótica porque perdeu a festa do ano, o namorado dos sonhos, ou a chance de fazer uma grande viagem. Um dia você descobre que as coisas que lhe pertenciam antigamente e que não mais lhe pertencem hoje nunca foram realmente suas. Você pára de lamentar por tudo o que podia ter acontecido mas não aconteceu, você descobre que é mais fácil, mais agradável e mais produtivo agradecer por tudo o que aconteceu e se focar no que está acontecendo nesse momento. Um dia você descobre que realmente nada é por acaso, e que cada erro foi único e essencial para lhe transformar em quem você é hoje. Um dia você descobre que enquanto se foca no passado perde a chance de viver o presente, e que quando se foca demais no futuro, perde a chance de descobrir tantas coisas! Você percebe que quem tem medo de tudo não vive nada, mas que quem é totalmente destemido também não vive, e é quando você aprende a andar no meio-termo. Um dia você descobre que mesmo que a porta esteja fechada, há sempre uma janela aberta, e que com um pouquinho de determinação e força de vontade você pode saltar pela janela e adentrar a casa. Um dia você descobre que todos os estereótipos são falsos e preconceituosos, e você desiste de querer ser quem você não é apenas para se "encaixar". Um dia você descobre que ser você vale muito a pena, e pode ser o caminho para a felicidade. Aliás, um dia você descobre que mesmo que todos te abandonem, você pode continuar a viver, se você não tiver abandonado a si próprio. Um dia você descobre que quando você pensa que sabe tudo, aí mesmo é que você não sabe nada. Um dia você descobre que palavras ditas não são contratos assinados, e que você não tem o direito de exigir nada de ninguém; mas você aprende que tem o direito de escolher o que você quer para a sua vida. E o melhor: um dia você descobre que as melhores coisas da sua vida acontecem quando você está fazendo absolutamente tudo, menos esperando por elas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Talvezes.


Não se preocupe se ela foge do seu abraço, ou se ela evita o seu olhar. Não se importe com o fato de ela ser a única a não rir das suas piadas; não a queira mal se ela não dançar com você, ou não atender suas ligações. Não se preocupe, nem leve a mal. Talvez ela fuja de seus braços por ter medo de nunca mais querer largá-los; talvez ela evite seu olhar porque fica ruborizada ao saber que você olha para ela. Talvez ela não ria das suas piadas por temer que descubram que ela te ama. Talvez ela nunca dance com você porque as pernas dela tremem em sua presença, e os pés dela simplesmente não a obedecem quando você está por perto. Talvez ela não atenda a sua ligação porque não sabe o que dizer, porque não consegue respirar quando escuta a sua voz. Talvez ela seja uma menina apaixonada que ainda não aprendeu a lidar com esse sentimento. Talvez ela seja apenas um coração arredio, esperando para ser cativado. Quem sabe seja apenas uma menina carente de amor, aprisionada em sua vergonha e em sua timidez. Ou talvez ela simplesmente te ame tanto, tanto, ao ponto de não saber como demonstrar.

A tecelã de sonhos.


Aquela mulher vive de sonhos. Não, ninguém me disse isso. Eu deduzi sozinha. É claro que ela vive de sonhos, é claro que ela os tece novamente a cada manhã... porque outra razão seria essa mulher tão linda, tão risonha, tão feliz? Porque é que quando olho para a tecelã escuto jazz tocar? Se ela não vivesse de sonhos, se ela não os costurasse uns aos outros ao final do dia, será que ela aguentaria toda a dor, toda a agonia? Talvez os sonhos alimentem a sua alma; é o sonho que acalenta, que acalma. Só mesmo vivendo de sonhos é que se pode andar tão levemente. Reparei até que a tecelã de sonhos nunca deixa pegadas. Será que é por medo de ser roubada? Será que tem medo que lhe roubem os sonhos?
E porque é que a tecelã de sonhos não abre uma escola?

Porque é que a tecelã de sonhos não me ensina a sonhar?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo.

Alguém: - Qual o seu desejo para 2011?
Eu: - Quero sair no sol sem medo de me queimar, quero curtir o mar sem medo de me afogar, quero sair na chuva sem medo de pneumonia, quero uma vida mais bela e menos arredia, quero menos preocupação e mais verão, quero acreditar nas pessoas sem medo de estar enganada, quero correr na praia sem medo de torcer o pé, quero por um instante acreditar que a vida é tão fácil quanto deveria ser, quero pensar mais com o coração, e menos com o cérebro, quero ouvir a verdade como se não houvesse a mentira, ah, eu quero viver de verdade.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O vestido, o vinho, e sobre como adiamos a nossa própria felicidade.


Ontem li um texto na internet que falava a respeito desse hábito mundial de "adiar o prazer, adiar a felicidade". Li, reli, achei o assunto interessante. Refleti e achei também que merecia uma postagem.
Adiamos a nossa felicidade constantemente. Isso às vezes é tão comum, que até mesmo passa despercebido. Um clássico exemplo é a história do vestido de festa. Desejamos aquele vestido por meses, fizemos inúmeros planos para ele, até sonhamos com o dia em que o usaríamos! Finalmente, chegou o grande dia. Entramos na loja, compramos, levamos para casa. E guardamos. Isso mesmo! O vestido lindo, desejado por meses, está mofando no guarda-roupa. E não é por falta de oportunidade, não. Teve uma festa apropriada ontem, mas concluímos que aquela festa ainda não era A festa, não merecia um vestido tão especial... acabamos indo com o de sempre, mesmo. O novo, o belíssimo, este fica guardado, esperando a ocasião perfeita. Às vezes, a ocasião perfeita não surge, e às vezes ela surge, também. Mas aí já engordamos três quilos, o vestido já não nos parece tão lindo, na verdade, o entusiasmo se foi... E a vontade de usar o vestido, pra ser bem sincera, já se foi também. Ou seja, definitivamente, não foi uma ocasião perfeita, sim?
O que estamos esperando? Que algum ser de outro planeta apareça na porta de nosso quarto com um cartaz escrito: "USE O VESTIDO HOJE. SERÁ UMA OCASIÃO ESPECIAL."? Sinto muito, mas sem chances de isso acontecer.
A mesma coisa acontece com a garrafa de vinho. Está ali, no armário, empoeirada, à espera da ocasião especial. Detalhe: ela espera a tal ocasião há exatos 10 anos. Será que essa garrafa um dia será aberta?!
E o que é mesmo uma ocasião especial? Existe uma definição?
A verdade é que nós impedimos que as ocasiões sejam especiais. Porque às vezes o simples fato de abrir uma garrafa de vinho tão velha já é suficiente para fazer de um dia qualquer uma ocasião especial.
A má notícia é que ocasiões especiais não existem. A boa é que existem milhares de ocasiões comuns, esperando que VOCÊ as torne tão especiais quanto possível.

Selos!

Quero agradecer imensamente à querida Bruna Tupinambá, dona do blog "Entrelinhas e Palavras" (http://entrelinhasepalavrass.blogspot.com/) por ter-me presenteado com selos! Nunca havia recebido um, e confesso que tinha muita vontade de ganhá-los! rsrsrs. Estou super feliz! Muitíssimo obrigada, Bruna!


Estes são os Selos:

  • "Digno de ser Lido" e "Escritores Virtuais", dados aos melhores blogs nos quais o foco é a escrita. (Blogs de poesias, crônicas, textos, frases...)




  • Este é indicado para blogs que você gosta de freqüentar:




  • Este tem a regra de escrever 10 coisas sobre você:

10 coisas sobre mim:

  1. Sou muito romântica;
  2. Sou sensível e costumo me magoar facilmente;
  3. Sou extrovertida e bastante brincalhona;
  4. Adoro contar piadas para minha família;
  5. Não gosto de dançar;
  6. Detesto realizar tarefas domésticas, como lavar louça;
  7. Amo comédias românticas;
  8. Adoro ler e escrever poesias e textos diversos;
  9. Amo receber flores!
  10. Amo surpresas!

Os blogs que levam esses prêmios, na condição de seguirem as mesmas regras, são:

  1. Not Everything Is As You Want (http://brunameiira.blogspot.com/);

Mil beijos! Ana Teresa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Miss Simpatia



Ela tem um jeito de quase nem aí;
Com a mesma graça que ela anda,
Ela sorri.


Um sorriso tão natural, mas uma coisa assim tão espontânea!
-Sorriso que começa nos olhos e termina nos lábios!-
Doce riso de quem vê tanta graça na vida!


Um quê de felicidade evidente, de contenteza, ondas de alegria.
É tanta virtude, ah, é tanta felicidade, que faz a gente se perguntar:
-Será que ri porque não chora?
-Será que ri pra não chorar?

Dias que virão.

Dias virão em que você não mais lamentará o que não fez, o que deixou de fazer, o que poderia ter feito. Dias virão em que você deixará de viver no subjuntivo; dias virão em que você deixará de viver baseando-se em hipóteses. Dias virão em que você não mais se lamentará por aquela pessoa certa no momento errado. Dias virão em que você esperará pela pessoa certa no momento certo. Dias virão em que as rugas não mais incomodarão, dias virão em que o diário não será mais o melhor amigo. Dias virão em que o diário não será nem mesmo secreto. Dias virão em que essas lágrimas secarão. E você vai ver-se rindo de todas as situações que antes te faziam chorar. Vai ver-se falando sobre todos os assuntos que um dia foram os seus tabus, discordando de todas as verdades que um dia foram as suas. Dias virão em que você terá serenidade suficiente para manter sua paz interior, mesmo quando isso parecer impossível. Dias virão em que você olhará as velhas fotografias e não terá mais vergonha delas. Terá saudade. Porque você irá perceber que nada é eterno, muito menos os dias... nem as dores, nem as alegrias. Perceberá também que é inútil tentar adivinhar a vida, e que é mais sábio viver dia após dia. Dias virão em que você estará pronto para despir-se de todas as ilusões, mas sem abrir mão de seus sonhos. Importante: dias virão em que você saberá a diferença entre sonho e ilusão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Gratidão


Mudanças de hábitos às vezes são necessárias e podem nos fazer mais felizes. Há dias em que parece estar tudo errado, nos sentimos um peixe fora d'água, achamos que nunca encontraremos a felicidade que procuramos. Fica difícil não reclamar, não falar contra a vida, contra Deus, contra as pessoas, enfim, parece humanamente impossível não se deixar prender pelas algemas da reclamação. Mas, se pararmos para pensar, o que ganhamos reclamando? A resposta é exatamente essa: nada. A vida está difícil? Sim, para todo mundo, e dizer que ela está difícil não a torna nem por um segundo mais fácil.
Parece-me que quanto mais dizemos palavras negativas, mais nos enterramos na areia da solidão, do desespero, da tristeza, da angústia, da melancolia. É mesmo um desafio parar, respirar fundo e não reclamar sem parar das coisas aparentemente "erradas" em nossas vidas. Mas eu realmente acho que seja um desafio necessário. Tentar não maldizer a sorte, tentar trocar reclamação por "gratidão". Engraçado é que, muitas vezes, as pessoas que têm reais motivos para reclamar da vida são aquelas que vivem sorrindo, por dentro e por fora, tão gratos, tão... felizes! Tantos nos hospitais, com doenças graves, agradecendo por mais uma respiração! Que tal, ao invés de reclamar por não ter o tênis da moda, a casa mais bonita, o corpo mais perfeito, agradecer por ter pés para andar, um teto para morar e um corpo para abrigar a alma? E se trocássemos as palavras duras por palavras gentis e belas?
É um exercício revelador. No fim, acabamos percebendo que temos muito mais a agradecer do que a pedir.

domingo, 28 de novembro de 2010

Cartas para você.


O mundo está tão moderno, tão avançado em todos os aspectos. Claro que isso é bom -por um lado-, pois nos propicia inúmeras coisas que aumentam nossa qualidade de vida. Porém, venho percebendo que tantas coisas são perdidas nesse processo!

Refleti sobre isso recentemente, através de uma conversa com uma amiga.

Fiquei surpresa quando ela me disse:

- Ana, qual o seu endereço? Quero te mandar uma carta. Eu adoro cartas, é tão bom recebê-las, esperar pelo carteiro... É mais emocionante do que receber um e-mail!

Confesso que parei para pensar sobre a questão das cartas. E senti falta delas. Quando criança, tinha diversos amiguinhos de outros estados, com os quais trocava cartas esporadicamente. O dia em que recebia uma correspondência era, sem dúvidas, especial. Ao longo dos anos, recebi cartões postais, cartas longas, cartas curtas, quase bilhetes, etc. E guardo todas até hoje. Outra coisa que me emociona muito, são os cartões. Por que não se usa mais escrever cartões em datas especiais, como aniversário, casamento, formatura? Será que tudo foi trocado pelo e-mail, sinônimo de praticidade?

Está certo que sou suspeita para falar. Afinal, acho que é dos escritores essa necessidade da palavra escrita, ver as letras desenhando-se no papel, a caligrafia de cada um, que é sempre tão única - dizem até que revela traços de personalidade! Tão romântico ver as carteiras se abrindo, revelando, num cantinho, meio escondida, meio amassada, aquela carta endereçada a você!

Saudades de abrir os envelopes, com cuidado para não rasgar, sentir o cheiro da tinta ainda molhada, ver os borrões - às vezes causados por lágrimas -, analisar cada letra em particular, ler, reler, guardar, levar no bolso, ler na fila do supermercado, reler numa noite de insônia - a carta ali, tão simples, tão certa, sempre à mão... Tudo bem que cartas demoram tanto para chegar, tudo bem que tem a ansiosa espera pelo carteiro, mas, e daí? Elas chegam no final, e é isso que importa.

Para você.

Existem pessoas feitas de sonhos e outras feitas de pura realidade. No meio termo entre o prático e o sonhador, eu encontro você. Você, que é feita de poesia e de prosa, de maturidade e frescor, nem oito nem oitenta: você está no equilíbrio, como deve ser. A cada dia me surpreendo mais e mais com você, que é uma menina com o espírito forte e decidido de uma mulher, uma mulher com o espírito doce e leve de uma menina. Alguém que consegue ver a vida com olhos realistas, mas que não enxerga em preto e branco. Pelo contrário: seu mundo é colorido e cheio de vida, porque você não se fecha a possibilidades... Assim como não se fechou à nossa amizade, e como eu te agradeço por isso! Acho que é isso: quero agradecer. Agradecer por você ter deixado a porta aberta, por ter me compreendido quando eu precisei (tantas vezes!) e por ter se deixado compreender por mim. Por ter permitido que eu conhecesse um pouco da sua história, por ter compartilhado um pouco da minha, obrigada. E mais do que tudo, obrigada por ter se despido de pré-conceitos, de pré-julgamentos. Eles nos deixam cegos, de forma que não enxergamos a verdadeira essência das pessoas. Por muito tempo, eu me prendi a meus próprios julgamentos, afastei pessoas que amava e possibilidades de amar. Por isso admiro tanto essa sua liberdade em ser e em deixar que sejam... acho tudo isso tão lindo, tão poético, tão digno de ser vivido! Quero lhe dizer também que você tem um valor enorme, nunca deixe que ninguém lhe diga o contrário. Você merece toda a felicidade desse mundo, por ser assim tão humana, tão humilde, tão amiga, tão... especial! Nunca se feche a possibilidades que te farão bem, nunca perca a esperança, nunca deixe de sonhar, por mais que a realidade aqui fora seja um pouco dura demais... Quando parecer difícil, apoie-se nos seus ideais, nos seus sonhos, nas pessoas que te amam e acreditam em você. Você pode ser o que quiser. Não deixe que cortem suas asas, não deixe de ser quem você é.
Saiba que estou aqui, torcendo pelo seu sucesso, pela sua felicidade. Daqui a 30 anos, quero ver esses seus olhos claros (lindos!) brilhando ainda mais!
Com muito carinho,
Sua amiga Ana Teresa Viana.

sábado, 27 de novembro de 2010

Para um ilusionista.

Artur,

Devo admitir que essa é a carta mais estranha que já escrevi.
Não sei bem porque a escrevo. Talvez seja simplesmente porque amo o jeito como a caneta arranha o papel, talvez seja porque o tempo me faz sofrer passando tão devagar, tão sem você. Acho que é isso: escrevo porque tenho saudades.
Saudades, Artur. Saudade do dia em que te vi pela primeira vez. Tantas pessoas ao meu redor, e eu fui notar logo você, logo você. O Artur sem graçamente normal; nem o mais bonito, nem o mais inteligente, veja só, Artur, todos diziam que você não tinha nada de especial. Mas e esse seu sorriso, Artur, sorriso de um milhão de watts, capaz de iluminar a cidade inteira? E toda a sua espontaneidade arrebatadora, todo o seu mistério envolvente, você, você que era a contradição ambulante? Eu não pude fazer nada, Artur. Você parecia irresistível. Impossível não sorrir com o seu sorriso, impossível não se apaixonar.
E Deus sabe que eu jurei milhões de vezes não me deixar levar. Eu prometi que te esqueceria, Artur, mas a promessa foi rasgada em mil partes, rasgada por mim, juntamente com todos aqueles poemas que fiz para você. A verdade é que eu fui a garota errada, Artur.
Totalmente precipitada, jovem e romântica, simplesmente a garota que não soube encobrir seus sentimentos. Talvez eu continue sendo a mesma garota errada, errando ao ter saudades de você. Ah, Artur, mas se eu pudesse voltar no tempo, eu teria feito tudo de novo. Choraria as mesmas lágrimas, até mesmo mais doídas. Escreveria os mesmos poemas, talvez até mais apaixonados, e novamente os rasgaria em pedacinhos. Eu faria quase tudo igual, exceto por uma coisa: eu jamais teria dito a você que te amava. Porque hoje eu vejo, Artur, ah, eu vejo que você não estava pronto. Talvez você nunca esteja pronto, Artur, não para mim. Não para me amar. Mas você escondeu essa verdade de mim por muito tempo. Tempo demais. Você era um ilusionista, Artur. Um ilusionista, e dos bons.

Samanta.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Em nossa rotina apressada, em nossos dias atarefados, muitas vezes adiamos a nossa felicidade. Tenho reparado que, com frequência, deixamos de fazer coisas pequenas, mas que nos fariam felizes. Coisas como tomar aquele sorvete de morango, que desejamos durante toda a semana, e que não demoraria nem cinco minutos para comprar. Escrever uma carta para aquele amigo especial, dizendo que não nos esquecemos dele, que nada seria igual se ele não estivesse ali. Ligar para a avó que mora em outra cidade, perguntar como vai a artrite, falar que ama até a boca doer, chamá-la de mulher mais linda do mundo. Abraçar bem abraçado o priminho de dois anos, ensiná-lo os números, a contar as estrelas, a dizer por favor e muito obrigado, brincar de pega pega e terminar tudo com uma cantiga de roda. Porque adiar momentos assim? Porque deixar as relações humanas em segundo plano em nossas vidas? Simplesmente porque alguém disse que devemos priorizar números estatísticas gramáticas redações trabalho trabalho trabalho dinheiro&dinheiro?
Acredito que a única forma de estarmos em paz conosco mesmos é alcançando o equilíbrio.
Fazer o que se tem que fazer, sem deixar de lado aquilo que queremos fazer.
Procurar ser feliz e fazer feliz hoje, porque o amanhã é uma promessa, que pode não existir.
Eu ainda acredito que somos muito mais do que números em relatórios do IBGE. E ainda acredito que a felicidade de um povo não se mede pelo PIB da nação.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


Quando ele entrou por aquela porta eu soube que o amava. Definitivamente, o amava. Os cabelos curtos, escuros, a pele bronzeada, os músculos proeminentes. Eu amava cada milímetro, cada centímetro que compunha aqueles quase dois metros de altura. Tão forte, tão alto, tão imponente. Mas tão doce, tão delicado, tão envolvente. Nos primeiros dias estranhei aquele silêncio... tanto mistério. Estranhei também aquela terra estranha, aquele mundo estranho ao qual eu devia me inserir. Sei que ele também estranhou esta mulher ocidental, vinda de um lugar tão distante. Sei que estranhou meus trajes, meus modos, minha espontaneidade, minha personalidade falante. Ele também não compreendeu porque uma prisioneira havia sido dada como esposa a um príncipe. Sei que não, porque eu também não compreendi. Com o passar do tempo, passei a entender aquele homem silencioso, aprendi que seus olhares diziam tudo aquilo que eu precisava saber. Percebi que compensava suas poucas palavras com grandes atitudes. Mais que isso: passei a amar o seu silêncio, passei a respeitá-lo em seus momentos solitários. Aprendi que as palavras não precisam ser ditas para terem valor. Aprendi que um abraço carinhoso diz mais que mil palavras. Passei a admirar sua coragem, sua honra, seu cuidado. Aprendi a ser a esposa de um guerreiro, aprendi a ser o porto-seguro, o consolo, a ternura e o aconchego. Ele aprendeu a ansiar pelo toque da sua esposa ocidental, a vislumbrar o meu rosto nos momentos difíceis do combate. Aprendi a vestí-lo com aquela armadura antes de vê-lo partir para a guerra. Ele aprendeu a atar minha veste branca, aprendeu a pentear-me os longos cabelos de ébano. Aprendi a esperá-lo ansiosamente. E quando dei por mim, percebi que havia aprendido a amá-lo. E posso ver em seus olhos que ele aprendeu a me amar, também.

sábado, 20 de novembro de 2010

Doce alma de amigo.


Faço a promessa inútil, já que provavelmente irei quebrá-la, tão logo veja você. A promessa irá se romper magneticamente, automaticamente, assim que eu olhar nos seus olhos. Não sei porque os seus olhos me incomodam tanto... são tão belos, tão sinceros, parecem tão puros e tão iluminados! Mas quando te olho, sinto-me corar, me perturbo, me embaraço, me perco, abaixo o olhar, finjo que não ligo, reviro esses mesmos olhos que olham extasiados para você. A promessa que eu havia feito... Prometi a mim mesma que iria te abraçar, te agradecer por todo o carinho, por toda a atenção. Você foi a fonte de afeto mais inesperada, mais súbita, surpreendente. A mais bela, talvez a única demonstração de apreço que recebi nos últimos tempos. Você se tornou especial quando abriu sua alma para mim e deixou que eu a sentisse, exatamente quando eu mais precisava. A alma de um amigo, tudo o que eu mais queria, tudo aquilo que eu esperava. Tão sensível, tão certo, tão bonito. Na promessa feita eu iria te olhar, dizer que você se tornou um rapaz encantador, e que me orgulho de ter te visto crescer. Diria também que descobri o quanto você é importante para mim. Tocaria a sua face, pedindo ao universo que lhe desse uma vida doce, tão doce quanto a sua doce alma de amigo. Um sentimento tão puro, tão belo, tão correto, que toca os céus. Mas sei que provavelmente não farei nada disso. Simplesmente te olharei, e quando você vier conversar comigo, terei o rosto em chamas e lamentarei a minha triste timidez.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A biblioteca. Os livros velhos nas estantes. As mesas sóbrias. As cadeiras todas vazias, exceto por uma. Aquela no canto, perto da janela, banhada por um raio de sol fresco. No canto da biblioteca, nos cantos da vida, alma parecendo perdida num canto qualquer, em qual esquina perdera mesmo sua identidade? O canto dos olhos escorrendo lágrimas, palavras balbuciadas, choro contido agora extravasado... As lágrimas salgadas ganham os cantos dos lábios, que choro sofrido chorou aquela menina no canto da biblioteca! Choro baixinho, murmúrio, alívio, melancolia, desabafo, chororô adolescer. A água que descia dos olhos escuros. A chuva começando a cair lá fora. Uma, desimportante, solitária, desamparo líquido, regava nada mais do que o rosto já tão molhado, tão róseo -doce rosa em flor!-. A outra, esperada, aclamada, gloriosa, alimento das plantas, da terra, dos seres, dos homens. Tão fraca, tão pobre... pobre lágrima de menina! Tão forte, tão imponente... santo marulhar de água doce vinda do céu!
As paredes tão sólidas, tão velhas, tão fiéis, tão confidentes... quantos segredos guarda as paredes de uma biblioteca!
A chuva pára. Água que chama água. Lágrimas não existem mais. E com o novo sol que vem surgindo, a menina esboça o sorriso mais lindo e sorrindo sai da biblioteca.
A bibliotecária não entende. Quem pode começar chorando, pra depois sair sorrindo?
Balança a cabeça, murmura um segredo: aquela menina está adolescendo.