Bem vindo ao meu universo! Neste blog você encontrará textos de autoria de Ana Teresa Araújo Viana. Alguns textos são reflexões sobre diversos assuntos, outros são apenas o resultado de alguma madrugada inspiradora. Sem mais delongas, Deixa a Alma Respirar!







segunda-feira, 26 de março de 2012

A última música


Passara a festa inteira sentada à sua mesa. De vez em quando respondia com um menear de cabeça aos cumprimentos dos vários conhecidos que passavam pela frente. Aquela noite definitivamente não valia as horas dedicadas à escolha do vestido, maquiagem, sapatos, penteado, perfume. Poderia ela voltar ao tempo e abandonar os planos daquela sexta à noite? Queria tanto colocar seu pijama e ver um seriado qualquer na Tv... Esquecer que aquela noite existira.
A banda começou a tocar, ela não prestou atenção na música. Músicas românticas e estúpidas, tão estúpidas. A pista logo se encheu de casais que dançavam lentamente. A garota desejou estar em casa pela milésima vez.
Mas, espere... Estaria ela ouvindo sua música predileta? A banda começara uma nova música enquanto ela estava distraída. Aquela música sempre lhe dissera tantas coisas. Last Kiss, Pearl Jam. Duraria apenas três minutos e alguns segundos. Ela já perdera algum tempo, e sabia que a música iria logo terminar. Mas aquela música sempre lhe dissera tantas coisas. "I lifted her head, she looked at me and said,/'Hold me darling just a little while'." Momentos perdidos que não voltam mais. "I held her close, I kissed her - our last kiss./I'd found the love that I knew I had missed." Afinal de contas, é ou não 'é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã'? Pelo sim, pelo não, é preciso sim...
A menina se levantou e correu por entre a multidão de casais que flutuavam na pista. Abriu passagem por algumas pessoas, desviou de um garçom que servia outras mesas. A música iria acabar logo! Sorriu quando finalmente o avistou. Caminhou até o garoto com uma certeza daquelas que não se tem duas vezes na vida. "Well now she's gone, even though I hold her tight./I lost my love, my life - that night."
Olhando-o nos olhos, disse apenas:
- Dança comigo?
Vendo que ele iria dizer algo, ela tocou-lhe os lábios com o indicador, num gesto de silêncio.
- Não fala nada... Só dança comigo.
Ele sorriu um pouco assustado, mas atendeu ao pedido.
Ao olhar fundo naqueles olhos castanhos, ela soube que tomara a decisão correta.
"Hold me darling just a little while.'/I held her close, I kissed her--our last kiss."



Você.


A gente olha pro lado, faz que não vê, se finge alheio à vontade.
A gente olha pro lado, faz pedido pra primeira estrela que nasceu no céu, faz promessa de dias melhores caso o 'e se' se concretize, a gente esquece o orgulho e a teimosia e pede mesmo que, por favor, que seja meu... que seja nosso, por mais que a gente diga que não quer, que não, não faz diferença. A gente simplesmente assume que quer.
A gente se vê olhando pro céu e rezando baixinho:
- Meu Deus, que seja meu...
Mas o tempo passa e vai perdendo a graça, o tempo vai passando e de repente perde-se o momento. Não é nosso. Não ainda.
A gente se vê esperando, olhando relógios, contando minutos, vendo a vida passar numa janela qualquer, coração amassado contra o peito. A gente se pega encostado num batente de porta, falando baixinho:
- Um dia vai ser meu.
Mas é que o tempo vai passando mais e mais, e sem querer a gente perde a esperança, ou é a esperança que se perde da gente?
E um dia a gente se percebe num cantinho qualquer murmurando, pedindo, rezando, falando:
- Meu Deus, por quê não foi meu?!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pronta ou não, aí vou eu.


De repente você se vê andando por caminhos nunca antes percorridos, se vê falando com pessoas que jamais imaginou conhecer, se vê vivendo uma realidade que nunca pensou que um dia pudesse chamar de sua. Então você pára em frente a um espelho qualquer e analisa a imagem que ele reflete. Não, você não mudou nada. Mas, ora, por que parece ter passado tanto tempo? Tanto tempo desde... sempre? Por que as coisas estão tão diferentes, por que a vida deu assim esse giro de cento e oitenta graus, essa guinada radical? O que fazer com tanto medo, com tanta indecisão, o que fazer com tanta vontade de fazer dar certo, o que fazer com tanto deslumbramento, agora é você mesmo quem tem que decidir. Você se percebe pensando no quanto está rodeado de pessoas e irremediavelmente só, porque no final das contas é só com você mesmo que você deve contar. E agora é você quem tem que ser forte, e botar em prática todas aquelas palavras bonitas que um dia leu. Agora é você quem tem que fazer dar certo, saber onde pisar, quando correr, com quem chorar. E você chora, por que de repente se descobre meio adulto, cedo demais. E você quer, por Deus, você quer realmente ter todas as respostas. Você quer dar conta de tudo, você quer que isso seja bonito, soe bem, porque afinal, meu Deus, afinal é a sua vida que você está construindo, não é? Mas ter tanto sobre as costas é pesado, e uma hora a dor teima em aparecer. E a gente não sabe, simplesmente não sabe, o que fazer.
De repente você se vê observando um jardim qualquer, sentado num banco qualquer, procurando por uma resposta qualquer. E você acaba percebendo que talvez ande pensando demais, sentindo demais, sofrendo demais. Querendo saber demais. Por que ter todas as respostas, isso já é querer demais.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A menina que se perguntava ou, talvez, A menina que tinha fome de respostas


A garota caminha pensativa pela ruazinha quase deserta. Passos contados, detalhes analisados, a menina caminha... Vê do outro lado um prédio grande e amarelo, escuta vozes em animada conversa. E então a menina quase para. Perde um pouco o rumo, perde-se um pouco da circunstância. Sua alma sensível voa para longe dali, e, sem perceber, a menina começa a imaginar... Haveria algum curioso numa janela qualquer? Alguém que bebesse seus passos, que admirasse seus gestos de menina perdida e só? Haveria então algum poema rabiscado num canto de caderno, haveria então alguma ode à menina que caminha tão sozinha, tão só? Por que não montes de versos e rimas que fizessem daquele lugar algo mais acolhedor? Por que não montes de almas sensíveis e sinceras, guardiãs de sonhos bons?
Por que a vida tinha de ser assim tão complicada e ao mesmo tempo tão divina, por que é que a vida tinha que encantá-la assim, daquela maneira? Por que ela tinha que amar tanto as pessoas ao ponto de gostar delas de imediato, por que tantas esperanças ilusões nuvens de algodão que insistiam em se refazer mesmo sendo rudemente despedaçadas?
Mas a menina se deu conta de que não existiam respostas. Só existia a vida, assim meio bruta, meio trágica e completamente doce... Só existia a vida e suas várias interrogações.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Sobre mudanças ou simplesmente Reticências



E de repente a vida muda. Muda o céu, a cor, o ar, muda a cidade, muda a vizinhança, muda a estrada, muda o sentido. E de repente você muda... Não por escolha, vontade ou determinação. De repente você muda simplesmente porque está nesse planeta... onde tudo é passível de mudanças. Você muda porque... sei lá. Devia estar escrito em algum lugar, num livro dos destinos, enfim. Talvez lá no fundo você até mesmo soubesse, será? Não sei.
Você muda de repente... e se vê caminhando rumo a novos desafios. Mais um ciclo que se fecha, outro pronto para começar. Mas você não planejou, de repente nem pensava nessa possibilidade ou talvez até pensasse bem remotamente, vai saber. Acontece que isso veio até você, a vida te entregou nas mãos um pacote brilhante e colorido... E você decide abrir o pacote pra ver se ele esconde um presente bonito. É isso. Você abriu o pacote, aceitou esse presente e todas as consequências que ele implica. E agora você vai mudar, porque sua vida já mudou.
Mudanças são mesmo inevitáveis. E dão medo, frio na barriga, confundem os sentimentos, dão à luz indecisões. Mas são fundamentais para o amadurecimento, crescimento e, em alguns casos, realização pessoal. Elas fazem parte do caminho que você tem que trilhar aqui.
Que seja doce, que seja belo, mesmo que não seja fácil...
E que no coração haja sempre a certeza de um sol lindo e brilhante, capaz de fazer a gente se esquecer até mesmo da pior tempestade.
Que a essência não se perca pelo caminho...
E que você busque sempre a felicidade, independente de todo o resto. Porque isso é tudo o que interessa, no final das contas.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Promessas de Ano Novo


Diferentemente do que sempre fiz, desta vez não vou fazer lista de desejos, objetivos e metas para o Ano Novo que se aproxima. É que muitas vezes as promessas de Ano Novo agem arbitrariamente. Quero dizer, ao invés de ampliarem nossos horizontes e nos estimularem a seguir adiante, elas limitam nossas mentes. Você passa o ano todo perseguindo um objetivo pré-determinado (que muitas vezes já nem faz sentido atualmente) e se frustra caso não consiga alcançá-lo. Enquanto isso, várias outras (boas) oportunidades podem ter passado sem que você percebesse, simplesmente porque elas não se encaixavam na sua lista de desejos para aquele ano.
E qual o sentido disso - passar o ano checando uma lista, marcando aquilo que está pronto ou aquilo que ainda falta fazer? A vida tem mesmo que ser assim tão... previsível?
O que, afinal, desejo para 2012? Desejo única e exclusivamente uma vida empolgante, surpreendente, feliz, pela qual valha a pena acordar cedo. E que seja assim brilhante mesmo que algumas metas se percam pelo caminho, porque algumas se perdem mesmo, enquanto outros acontecimentos totalmente inesperados se incorporam aos nossos dias.
Desejo que você se permita... se permita viver, cantar, sorrir, chorar... vencer, mas também que se permita algumas derrotas. E que tire proveito delas; extraia sempre algum aprendizado. Que as lágrimas vertidas não lhe impeçam de sorrir. E não pense que não haverá lágrimas, porque elas irão surgir em algum momento dessa caminhada. Porque elas fazem parte da vida. E que você se permita vivenciá-las. Que aprenda a conviver com o sucesso e também com um possível fracasso, com seus medos, receios. Mas acima de tudo, que o medo jamais lhe tire a ousadia, o espírito livre, a vontade de fazer dar certo. Que você aprecie o vôo sem temer a queda, mesmo que às vezes ela seja inevitável.
Que em 2012 a gente aprenda a valorizar também a jornada e não só a chegada. Que haja vida plena, em todos os sentidos que esse adjetivo comporta.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Olhos de quem quer ver.

Pra ser feliz não precisa de muito não. Porque felicidade não é sinônimo de beleza demais, dinheiro demais, grandeza demais. É isso: felicidade não tem a ver com grandezas. Não precisa ser perfeito pra ser feliz. A verdade é que o mundo tá cheio de motivos de felicidade... Basta olhar ao redor com olhos de quem quer ver. Mais dia menos dia a gente descobre que a vida é bela, é grata. Quando olhamos com atenção, num dia qualquer a gente se pega pensando na vida... e sorrindo por dentro.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Escrever, eis o sonho.


Saudade de escrever assim despretenciosamente, saudade de rasgar a alma assim em palavras mudas num papel. Rasgar a alma e deixar que dela jorre todo o sangue, toda a dor, toda a beleza, todo o lirismo, numa tentativa de compreensão, num desabafo surdo, numa esperança que não cessa. Escrever assim como uma criança tímida, ansiosa em encontrar as palavras certas, escrever assim como uma adolescente frágil que tem sede de multidões. Escrever e me perder na dimensão confusa dos pensamentos escritos, das emoções indistintas e das idéias cálidas; diluindo-me e afastando-me para... encontrar-me logo em seguida. E perceber que em meio a milagres possíveis, num sopro de inspiração, toda a angústia se foi, todos os desertos floriram, as luzes brilharam de novo. Em meio a milagres possíveis, perceber que a escrita me resgata de mim mesma, revela o melhor que há em mim, costurando minha alma rasgada. Me fazendo florir de novo. Descobrir que ela encerra um mundo de possibilidades, mais bonito, mais justo e mais meu. Saudade de escrever assim despretenciosamente, rasgando a alma assim em palavras mudas num papel. E o sangue derramado regou as flores que nasceram. Toda a dor convertida em contentamento. A escrita me fez feliz de novo.

Água


Banho de chuva. Gotas de água, pele, limpeza, frescor. Acreditar que tudo pode ser diferente, acreditar que vai dar certo. Renovação de sentimentos, de idéias, de pensamentos. Barulho de água que parece sussurrar nos ouvidos da gente: "Você consegue, você é capaz, você vai dar conta". Sorrisos, almas serenas, promessas e mais promessas de felicidades futuras. Sonhos resgatados, estimas reconstruídas. Um mundo talvez mais bonito. E a gente acredita. Assim. E só.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

7.000.000.000


Somos sete bilhões. Andamos, comemos, nos vestimos, estudamos, aprendemos, trabalhamos, sorrimos, choramos, enlouquecemos de vez em quando. Construímos, desconstruímos, fazemos, deixamos de fazer, somos tanto e ao mesmo tempo tão pouco. Somos tudo e somos nada, somos sete bilhões. Sete bilhões de pessoas. Sete bilhões de vidas. Quanta responsabilidade. Quanta gente, mas parece que ainda falta alguém (sempre). São tantos os paradoxos, as antíteses, as incógnitas, as esfinges, ninguém é capaz de nos decifrar. Somos sete bilhões, somos alguns e outros mais. Quantos bilhões já se foram, quantos ainda virão?
Sete bilhões de pessoas, soa tão complicado. Mas no fundo é simples assim: somos sete bilhões de pessoas buscando a felicidade. Porque no fundo, o ser humano só quer ser feliz.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

De uma vestibulanda para outros vestibulandos.

Temos mania de querer a vida "pra ontem". Ninguém quer mesmo "perder tempo". Mas entre uma correria e outra, a gente quase sempre se esquece que...
A beleza da vida é justamente essa gama de opções, de possibilidades. Há uma reversibilidade desconcertante e maravilhosa. Digo, você sempre pode voltar atrás e começar de novo. Diariamente, sabe? É isso. Cada novo dia é uma segunda chance. Pra consertar o que anda meio quebrado, pra fazer de novo, e de novo, e outra vez, se for preciso. A gente é que, na nossa ansiedade bem-intencionada, coloca o carro na frente dos bois e acredita que tem que ser hoje, agora, nesse minuto ainda. E, se as coisas não acontecem do nosso jeito, ao nosso tempo, a gente chora e dá chilique, feito criança mimada. Mas a vida é uma escola... e cada nova experiência nos ensina que esperar não é perder tempo. Esperar é se preparar melhor para o bom que está por vir. Isso em relação a tudo... vestibular, relacionamentos, pessoas, carreira. No tempo de espera, a gente aprende, a gente revisa, revê, amadurece o propósito, renova o objetivo, o ideal. O tempo de espera é importante também! Por isso é tão fundamental, às vezes, desacelerar... porque nessa ânsia louca de sucesso e finais, acabamos atropelando a nós mesmos. Na pressa para chegar logo, muitas vezes a gente dá um passo maior do que a perna e acaba perdendo o equilíbrio. E cai. E se machuca.
"Todas as coisas têm um tempo certo debaixo dos céus". Comodismo para uns, zona de conforto para outros, sei lá. Não sei como você encara essa frase, mas eu acredito profundamente nela. Alguma coisa me diz que as coisas acontecem quando elas têm que acontecer. Parecido com aquela história de "tudo o que é pra ser seu vem para você". Claro que as coisas não vêm de mão beijada, isso é evidente e natural. Todas as coisas têm de ser lutadas. Mas a parte que nos cabe é a NOSSA luta. Muito mais do que isso, não podemos fazer. Se você tem feito a sua parte, se você tem consciência das suas lutas, relaxe. Isso é tudo o que importa. Algumas coisas fogem mesmo ao nosso controle. Se não for dessa vez, paciência. Ano que vem tem de novo... uma nova chance, uma nova oportunidade, novas pessoas, novos encontros, novas possibilidades. Uma reprovação no vestibular não diz muita coisa sobre você. Não define quem você é, não diminui o seu valor enquanto ser humano. É lógico que todo mundo quer passar e, se você estudou, se preparou, é normal que você QUEIRA MUITO passar agora, afinal você quer ver o resultado concreto do seu esforço e da sua dedicação. Eu desejo de coração que essa vitória seja sua... Mas, se não for dessa vez, vamos ter um pouco mais de calma. Vamos aprender a respeitar o nosso ritmo, o nosso tempo. Vamos lutar de novo enquanto esperamos nossa vez.

Boa sorte para todos nós! :)

sábado, 15 de outubro de 2011

Sobre tetos vermelhos, rotina, ordens implícitas e não saberes.


Arissa abriu os olhos e contemplou o teto branco do quarto. Teto sem graça. Sem cor também. Afinal, desde quando branco é cor? Branco é branco, branco e só. Arissa estava em meio a tédios. Uma doce menina entediada pode decerto promover muitas mudanças. Levantou-se da cama, olhou-se no espelho, focalizando em primeiro plano seus olhos castanhos. Sempre tão úmidos, olhos tão gelatinosos, oblíquos, aquosos. Pareceriam estranhos a outros olhos? Ela não sabia. Mas gostava deles. Eram... diferentes. Sutilmente diferentes. Arissa apreciava todas as coisas diversas. Talvez por isso estivesse tão incomodada com a sua rotina. Rotina! Que palavra mais nojentinha, ela pensava. Sem graça, sem cor. Que nem o teto do quarto! Não era à toa que o pensamento de Arissa voava tão facilmente. Algo magnético a levava a idéias inusitadas. E se eu terminasse o colégio e decidisse viajar pela Europa inteirinha? Mas e a faculdade, Arissa? Só quero um curso de fotografia. Arissa só desejava aquilo que pudesse aproximá-la dela mesma. Durante as aulas de química, Arissa era a mais avoada. De que adianta saber tudo sobre tabelas periódicas, quando não sei sequer em que acredito? Ai, Arissa. Por quê você tinha que ter sempre perguntas tão complicadas?
E ela quer saber porque tem de haver tantas ordens implícitas no mundo. E ela quer saber porque dizer liberdade soa falso. Arissa, sempre com tantas filosofices. Ai, essa rotina ainda me mata! A vida toda passando, assim, tão veloz, e Arissa nem sequer teve tempo para pensar no que fazer com tantos segundos e minutos ligeiros! A vida assim tão sem graça, tão sem cor... Que nem o teto do quarto. Arissa sabe tudo o que deve fazer. A lista é extensa e ingrata. Mas ainda não descobriu o que quer fazer. São tantas as possibilidades.
E se eu cair? Alguém me levanta? E se der errado? Eu volto atrás e faço certo. E se eu me arrepender? Quem é que se arrepende diante da felicidade?
De repente, a menina cai em si, desvincula-se de tantos devaneios. De uma coisa, Arissa agora tem certeza:
- Esse teto eu vou pintar é de vermelho!

sábado, 1 de outubro de 2011

Bonito mesmo é ser você

Bonito mesmo é ser você. Assim, desse jeito, sem tirar nem pôr.
Sabe os padrões de beleza, de comportamento, disso, daquilo? Aqueles que são ditados pela mídia e blá-blá-blá? Pois é. Esqueça-os. Assuma-se como você é... não faz sentido pautar a vida na busca pela perfeição.
Às vezes nos fazem acreditar que só pode ser bom aquilo que é perfeito. Mas o que é a perfeição? Para mim, é um conceito tão abstrato quanto pessoal. O que é perfeito para mim pode não ser perfeito para você, e vice-versa.
Relacionamentos perfeitos? Pessoas perfeitas? Corpos perfeitos? Vida perfeita? Tenho aqui as minhas dúvidas. Se para você ser perfeito é sinônimo de ser irretocável, em todos os sentidos cabíveis a essa palavra, então não há a mínima possibilidade de haver algo perfeito no mundo.
Mas o que dizer daquelas pessoas que amamos? Apesar de todos os seus defeitos, não se tornam aos nossos olhos seres 'perfeitos'? A época mais feliz de nossas vidas, aquela época que consideramos 'perfeita', era de fato irretocável, em todos os mínimos detalhes? Provavelmente não.
Isso quer dizer que não precisa ser absolutamente perfeito para ser incrível.
Você não precisa ser perfeito para ser feliz e para fazer as outras pessoas felizes. Você não precisa ser perfeito para ser amado, para ser aceito.
Dito assim, isso soa a coisa mais óbvia do mundo, mas a maioria de nós esquece disso no dia-a-dia e seguimos buscando a perfeição, acreditando que só seremos plenamente felizes quando formos melhores nisso ou naquilo, quando operarmos o nariz, quando tivermos uma conta bancária de X dígitos, etc.
A gente vive esperando ser perfeito, para só depois ser feliz. E desejamos tanto, tanto a perfeição que nem paramos para pensar no que ela realmente significa. E se for perfeito, como você sempre sonhou, mas no final das contas não fizer você feliz?
A vida é maravilhosa porque nos permite fazer várias opções. Não tem isso de 'game over', não. A vida é sempre um recomeço. Sempre é tempo de decidir o que é prioridade para você. Buscar a perfeição ou buscar a felicidade? Porque há uma enorme diferença entre uma coisa e outra.
Quanto tempo nós já perdemos esperando para sermos felizes no dia em que nos descobríssemos perfeitos?
Com certeza, muito mais tempo do que a gente gostaria.



"A beleza está no espelho para o qual você olha todos os dias. Curta a sua existência."
De vez em quando todo mundo precisa de um bilhetinho igual a esse, né?
;)

sábado, 17 de setembro de 2011

Série "Uma Carta para você - Segunda Carta: Para alguém que eu ainda não conheci."


Imagino o que você está fazendo agora. Neste exato segundo. No que está pensando, para quê pretende prestar vestibular - se é que já não está na faculdade. Não sei. Imagino se gosta de comédias românticas tanto quanto eu. E tento ouvir o seu riso ao dizer que são histórias tão improváveis e tão incríveis ao mesmo tempo. Será que você diria isso? Sinto falta de saber sobre os seus sonhos, os seus medos, as suas alegrias, as suas dúvidas, as suas certezas. Sinto falta de saber a cor dos seus olhos; é até engraçado pensar assim. Sinto falta de conhecer as suas expressões, os seus jeitos, a curva da sua boca enquanto sorri. Suas palavras preferidas, seu sotaque. Sinto falta de ver você vir sorrindo, sempre sorrindo, com dois ingressos do show da sua banda preferida nas mãos. E de todas as nossas brincadeiras e piadas particulares, de nossos risos, de nossas fotografias e de seu abraço de urso. Da música linda que você vai me mostrar. "Sobra tanta falta", sabe? É só que às vezes tenho aquela sensação de que tudo irá valer a pena quando você chegar. E eu sei que você também está me esperando, e que um dia nossos caminhos irão se cruzar. A gente vai se reconhecer... e vai ser incrível. Eu sei. E você também.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

LIBERTAS QUAE SERA TAMEN


Em apoio à greve dos professores da rede pública do Estado de Minas Gerais.
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Certamente, os cem dias de greve têm ensinado lições mais importantes do que as propostas nos milhares de dias letivos dos quais nossos estudantes já participaram ao longo da vida. Esta greve - que é histórica e, acima de tudo, justa e salutar, diga-se de passagem - traz inúmeros benefícios para toda a sociedade brasileira. Tenho absoluta certeza de que os protestos, a angústia e a luta dessa classe faz toda a diferença na formação de uma nova mentalidade que vem surgindo no Brasil. Mas que bom que já temos coragem de sair às ruas para reclamar sobre o ensino público esfacelado que nos é dado! Que bom que não mais ficamos apenas na habitual reclamação, "ai, como seria bom se o professor fosse melhor preparado, e se houvesse uma cadeira para que ele se sentasse e fizesse a chamada!". Que bom que finalmente o plano das idéias encontrou o plano concreto da realidade! Aplaudo de pé aqueles que fizeram esse encontro acontecer!
Essa greve mostra muito mais do que professores indignados... Mostra um povo brasileiro cansado de ser levado "no banho maria" pelo governo... Cansado de ser enganado com promessas eleitoreiras. Mostra um povo que finalmente descobriu o poder que tem. É o povo clamando pelos seus direitos! É o povo que paga imposto e quer ver pra onde vai esse dinheiro! É um povo que tem coragem de mostrar a cara, bater no peito e dizer sem hesitar: Dai a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César! Eu quero o que é meu, do meu direito eu não abro mão!
E então o povo começa a se questionar. E então a maravilha se completa. Se há dinheiro para viagens fabulosas, contas milionárias, mensalão, mensalinho e seus variantes, se há dinheiro para mansões ilegais e toda espécie de corrupção diariamente anunciada nos meios de comunicação, se há dinheiro suficiente para bancar toda essa baixaria, por quê não há dinheiro para pagar o trabalhador?! Esse dinheiro agora tem que aparecer...
Porque o Brasil não tem fome só de Matemática, Português, História e Geografia. Nem só de cultura. O Brasil também é um faminto de justiça, de honestidade e transparência. E, particularmente, acredito que toda a Física, o Português, a Geografia ensinados servirão de NADA se o povo não aprender o básico do básico... que é conhecer os seus direitos, lutar por eles. Aí sim, quando buscarmos nossos direitos, reclamarmos por eles, veremos a mudança que tanto sonhamos... Porque um povo esclarecido e consciente é mais difícil de ser enganado! É a luta da sociedade pelo que é seu de direito que fará com que o dinheiro dos impostos seja melhor empregado. E então passará a haver dinheiro para pagar um salário digno a qualquer trabalhador... haverá um sistema educacional do qual a gente possa se orgulhar. E então, finalmente, nossos alunos aprenderão DE VERDADE Português, Matemática... porque aprenderam antes o fundamental: CIDADANIA!
Nada mais apropriado que essa revolução comece justamente pelos professores... eles, os responsáveis pelo ensino e formação de nossas futuras gerações, tem toda a moral para dar esse exemplo.
A vocês, queridos formadores do Brasil que seremos, meu apoio e minha admiração.
A vocês, queridos MESTRES, meu respeito.
Obrigada por abrirem nossas mentes para o caminho do respeito a nós mesmos, ao nosso país e ao que somos. Obrigada por nos mostrarem que não devemos aceitar a injustiça e a mentira; por nos dizer que não, não devemos aceitar um salário injusto, que desvaloriza o nosso trabalho.
E, principalmente, obrigada por nos ensinar a valorizar a nós mesmos.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Grand' Hotel


Às vezes é preciso abrir mão do imediatismo, do agora, do aqui, pra plantar o amanhã, pra cuidar do que pode ser. Porque às vezes sinto necessidade de apostar no futuro e então me vem um desejo de cuidar melhor do hoje, do que está nascendo... Assim como o jardineiro que abre mão da primeira sombra e poda a árvore porque sabe que ela precisa disso para crescer forte e tomar a forma certa. E eu me lembro que a pressa é inimiga da perfeição... e descubro que é preciso esperar. É necessário ser paciente; é necessário resistir à tentação do imediatismo tantas vezes! Percebo que as coisas verdadeiras e belas levam tempo para serem construídas. Ninguém ergue um castelo de um dia para o outro. Não! É preciso que haja tempo de espera... tempo de plantar, tempo de colher. O tempo é o maestro do magnífico. É preciso que haja tempo suficiente. É preciso que haja calma. E, acima de tudo, paciência. É preciso paciência para que a possibilidade não seja sufocada pela ansiedade. É preciso paciência para que o melhor possa vir.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Um jeito novo de ver a vida.

E, por mais tristes e cinzentas que as coisas me pareçam hoje, vou resistir à tentação de transformar esses sentimentos friorentos em palavras. O mundo já anda tão cheio de pessimismo e inquietações, para quê dividir mais impressões sombrias? Ninguém precisa de mais lamentações, murmúrios, soluços... Ninguém quer isso. Meu objetivo ao escrever sempre foi abrir os corações, irrigar as almas, florir o mundo, pelo menos por um segundo. Pelo menos enquanto durar o texto, a palavra, a emoção. E é nisso que eu insisto: na existência de dias melhores... mesmo que hoje pareça difícil crer nessa verdade. Escrevo que sim, a vida é bela, o mundo conspira para a nossa felicidade, o sol ainda vai brilhar lá longe no horizonte, por mais nublado que o céu esteja. Essas metáforas bobas e todas as outras coisas que lembrem um final feliz. Escrevo sobre as promessas do arco-íris logo após um temporal, sobre a benção que os momentos difíceis podem representar, se forem enfrentados com sensatez e equilíbrio. Escrevo sobre a esperança, sobre o renascer dos dias, sobre a luta cotidiana que é a busca pela felicidade, escrevo que ainda há maravilhas e pessoas maravilhosas sobre a nossa Terra... e que sim, ainda é possível. Ainda tem jeito. Ainda vai dar certo... Escrevo sobre tudo isso sem medo de ser hipócrita. Não tenho medo que soe falso, porque não soará. Mesmo porque o sentido da vida é mesmo esse recomeço, é essa busca incessante pela paz interior, pelo equilíbrio, pelo ideal... Mesmo que as coisas não pareçam bem hoje, agora, não significa que elas sejam ruins. Talvez apenas estejam ruins, e, creia, esse é um estado totalmente transitório, e não a confirmação de um pesadelo ou algo assim. A vida é cheia de altos e baixos, de caminhos sinuosos e tortuosos, mas que quase sempre têm um final feliz. Porque o final dessa história é a gente quem decide... as flores estão escondidas por aí; cabe a nós encontrá-las. A vida não é uma constante de derrotas, de fracassos, de tristezas, de infelicidade... a vida é algo mágico, é uma oportunidade ambulante, e tudo o que hoje é, amanhã pode não ser, ou tornar a ser, quem sabe. É um mistério divino. E eu sei que isso pode parecer um tanto quanto repetitivo, mas, acredite, é uma verdade. Mesmo que hoje não seja essa a realidade do meu espírito, mesmo que hoje eu não carregue comigo toda essa certeza de dias melhores, eles ainda virão. Escrevo isso com uma certeza desconcertante. Hoje pode até parecer mentira, mas sei que não se trata de dizer mentiras, e sim de dizer verdades futuras. Porque o bem é maior, o poder de Deus é maior, e sempre prevalece no final. Não posso garantir que seja hoje, amanhã, ou depois. Não posso garantir quando e onde com exatidão. Mas dias melhores estão vindo, e ainda vão me encontrar.
Porque a vida é de uma sensibilidade desconcertante.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

No final.


- Como é que a gente sabe?
- Saber o quê?
- Se estamos tomando as decisões certas?



- Acho que a gente não sabe. Este é o tipo de coisa que a gente só descobre no final.

domingo, 21 de agosto de 2011

Série "Uma Carta para você" - Primeira Carta: Ao Tempo, com carinho.


Querido Tempo,

Você passou depressa, meu amigo. Ainda ontem éramos duas crianças brincando, alheias a tudo, a todos, ao mundo. Alheias a nós mesmas, até. Você não era tão importante, é verdade. Afinal, o que eram os meses, os anos? Confesso que isso não tinha para mim valor algum. Não podíamos dimensionar grandezas tão inúteis naquela época. As datas me pareciam totalmente abstratas, apenas uma voz adulta que de vez em quando perturbava, tão distante que soava irreal. Não havia preocupações, querido Tempo. A vida cabia toda num único instante, num sabor de sorvete, numa tarde no parque, na água gelada da piscina. Tudo era tão simples. Quem é que se preocupava com o dia de amanhã? Os adultos, certamente. A nós, crianças, cabia apenas a delícia do hoje, a glória do agora, a alegre solidez dos minutos bem aproveitados, sorvidos com avidez. Para nós, o amanhã não existia. Após o hoje, haveria um novo hoje, e outro, e outro mais. A incerteza do futuro não tinha poder sobre nós. Íamos, assim, felizes, munidos de sorrisos, travessuras, molecagens. Grandiosos príncipes e princesas, cavaleiros, desbravadores de milhões de mares, bailarinas, marinheiros, astronautas, possuidores de todas as garantias. O mundo era nosso, e cabia na palma de nossa mão.
Ser criança era de fato algo muito simples. Porque criança não tem essa de 'ser ou não ser', não existe a hipótese dessa questão. Ela é. O que quiser. E só.
Mas aí veio você com sua curiosidade medonha, Tempo. E as coisas mudaram de repente. Você abriu o portal para uma nova dimensão, o qual atravessamos juntos, em meio a passos vacilantes.
Então você se fez notar. Abriram a temporada de prazos e datas-limites. Uma judiação o que fizeram com você, querido amigo. Tolheram a sua liberdade. Penso em como você deve se sentir. Um sujeito outrora tão livre, tão cheio de si, em poucos anos preso, arregimentado, minuciosamente controlado. Tão triste viver assim!
Ai, Tempo. Tenho pena de você. Tenho pena de nós dois. Sei que não era para ser assim; você e eu planejamos tudo de forma tão diferente! Na nossa maneira de conceber o futuro, as coisas seriam mais pacatas e mais serenas. Éramos dois sensíveis, você se lembra? Dois utópicos sonhadores...
O nosso erro, querido Tempo, eu já sei qual foi.
O nosso erro foi ter pensado a vida sob a ótica ingênua das crianças.

Abraços nostálgicos de quem muito sofre a sua ausência,
Ana Teresa.